Webtec avalia primeiros sinais de retomada econômica para o setor de seguros

A CNseg promoveu encontro com especialistas que acompanham o dia a dia da economia e dos seguros

Fonte: CNseg

A economia brasileira enfrenta agora desafios inéditos para voltar a crescer. Justamente para identificar os riscos à frente, a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) reuniu especialistas no webtec “O setor de seguros e os primeiros sinais de retomada econômica”, na quinta-feira (19). “O principal propósito do encontro foi demonstrar o elo entre a economia e o seguro, e sua dependência à produção, ao emprego e à renda para ganhar tração”, assinalou o economista do Comitê de Estudos de Mercado da CNseg, Pedro Simões, que moderou o encontro. Participaram também Ana Flávia Ribeiro Ferraz, Gerente Departamental da Bradesco Vida e Previdência e Presidente da Comissão de Produtos de Risco da FenaPrevi; a economista Luana Miranda, Pesquisadora da Área de Pesquisa Aplicada da FGV/IBRE, e Thisiani Martins, Presidente da Comissão de Riscos Patrimoniais e de Grandes Riscos da FenSeg. 

Em sua apresentação, a economista Luana Miranda lembrou que, em virtude da pandemia que enfraqueceu setores econômicos importantes e comprometeu milhões de postos de trabalho, aportes do governo foram necessários para ajudar empresas e pessoas. Os desembolsos foram importantes para impedir uma recessão ainda mais severa, mas pioraram as contas públicas e colocou mais pressão sobre o equacionamento do deficit fiscal.

Após um segundo trimestre complexo, o PIB do terceiro deu fortes sinais de recuperação, algo que melhorou a confiança dos agentes. Mas a dependência às medidas emergenciais temporárias, incluindo auxílio emergencial, cessão de crédito, torna, hoje, difícil antever como se comportará a economia brasileira em 2021.

Ela projeta uma expansão de 3,5% no próximo ano, mas reconhece que não é algo muito significativo por ter uma base comprimida, em razão da recessão de 2020. Os problemas da economia não são recentes. Fragilizada desde a última crise econômica (2014/2016, com perda de 8% do PIB no período de 11 trimestres), a economia brasileira conviveu com baixas taxas de crescimento na sequência e, atropelada pela pandemia declarada em março, teve contração de 12% em apenas dois trimestres de 2020, sem recuperar-se das perdas causadas pela pandemia, ao contrário do que ocorreu no passado, mesmo parcialmente.

Há muitas variáveis que podem abreviar um crescimento duradouro ou pelo menos retardá-lo. O risco fiscal e a inflação são duas das variáveis mais importantes. A questão fiscal, explosiva, pode afetar a recuperação dos empregos e renda, afugentar investimentos e manter o dólar elevado, ao se aproximar de 100% do PIB. O câmbio, por sua vez, pode colocar ainda mais lenha no viés de retomada da inflação. Sem contar que um ambiente pouco amigável para os negócios pode atrapalhar diversas atividades de serviços, o segmento mais afetado pela pandemia. 

Thisiani Martins, Presidente da Comissão de Riscos Patrimoniais e de Grandes Riscos da FenSeg, reconhece a complexidade do cenário econômico e imagina que as modalidades e ramos de seguros de Danos e Responsabilidades vão avançar de forma desalinhada, seguindo a lógica de mercado aos quais se destinam as coberturas.  Esse comportamento de crescimento heterogêneo também tende a permanecer nos seguros de Vida e nos planos de acumulação.  Segundo Ana Flávia Ribeiro Ferraz, Gerente Departamental da Bradesco Vida e Previdência e Presidente da Comissão de Produtos de Risco da FenaPrevi, enquanto os planos de acumulação ainda buscam seu ponto de equilíbrio, após uma sequência de resgates ocorridos no começo da pandemia, o seguro de Vida segue uma trajetória mais confortável.  Quando todos estarão na rota de crescimento, não só os seguros de Pessoas, mas os Danos e Responsabilidade, ainda não há respostas.

O vídeo do webtec está disponível no portal cnseg.org.br.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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