por Pascal Pfeiffer (*)
A súbita interrupção da economia devido à pandemia de Covid19 exige que agora, com o relaxamento da quarentena e a retomada das atividades produtivas, algumas medidas de prevenção de riscos sejam adotadas. Embora sejam menos rigorosos do que os adotados quando uma instalação é fechada há anos, aqueles que estão ociosos nas últimas semanas ou meses precisam passar por uma verificação de segurança antes de serem reativados.
Um mapa para execução deste processo deve ser preparado e executado pelas lideranças do local. Alguns dos passos-chave estão listados abaixo:
- O reinício das atividades deve ser tratado da mesma maneira como tratamos o comissionamento de um equipamento ou processo novos, observando todas as precauções, protocolos de testes, e orientações dos fabricantes.
- Um bom planejamento é o primeiro passo para que sejam identificados os potenciais riscos, e esto deve ser feito conjuntamente com todas as áreas envolvidas.
- Os registros de manutenção de equipamentos considerados críticos ou que sofreram alterações em suas rotinas de funcionamento devem ser revisados. É conhecido o fato que boa parte das perdas reclamadas acontecem nos estágios de comissionamento.
- A possível ausência ou afastamento de empresas especializadas, profissionais capacitados ou com experiência em determinada etapa do processo deve ser considerada. Fornecedores de componentes ou prestadores de serviços para determinado ramo de atividade podem estar paralisados ou afetados financeiramente pelo extenso período de paralisação.
- A estrutura de atendimento a emergências deve ser reavaliada. Repasse a composição da brigada de incêndio, assim como o cronograma de treinamento da equipe.
- Os procedimentos de manutenção, inspeção e testes do sistema de proteção contra incêndio devem ser retomados (se foram afetados).
- Riscos naturais também devem passar por uma nova análise em regiões que se encontram expostas a desastres naturais (alagamento, tormentas, etc).
- Riscos cibernéticos devem ser avaliados. Medidas que possam ter sido necessárias durante a paralisação podem não ser mais aplicáveis, tais como o acesso remoto a sistemas de produção ou outras funcionalidades que fujam de seu ambiente principal.
- Avaliar novos riscos que possam ser trazidos à tona, tanto por conta do cenário, quanto por possíveis alterações que devem ser implementadas para garantir a continuidade do negócio.
- Durante cada etapa e após o reinício com sucesso das operações, a efetividade das medidas implementadas deve ser medida e ajustada de acordo. O plano deve ser monitorado até que as atividades retornem a níveis desejáveis pela organização.
Finalmente, é essencial que a empresa agregue as lições aprendidas durante este período, melhorando, revisando, e até mesmo criando um plano específico para este cenário de pandemia que, apesar de praticamente impensável há algum tempo, pode trazer mudanças profundas e duradouras no futuro horizonte das organizações.
(*) Pascal Pfeiffer é head de Risk Engineering para América Latina da AXA XL


















