Aumento de demanda por seguro de vida impulsiona atendimentos na Samplemed

Comparando os quatro primeiros meses de 2020 com 2019, o aumento foi de 49%. Esses dados revelam o avanço da preocupação quanto a saúde, a proteção e apoio financeiro a família

A Samplemed vem investindo há tempo em soluções tecnológicas para o segmento de seguro de pessoas, um dos setores que apresentou crescimento desde o início da pandemia e também visto como um dos mais promissores dentro do mercado segurador no pós pandemia, uma vez que as pessoas passaram a se preocupar mais com seguro de vida e seguro saúde. “Para nós, este momento foi a prova que a inteligência artificial, machine learning e atendimento virtual podem facilitar e agilizar a vida na sociedade e, especificamente, à subscrição de risco. Está provado que o país tem uma infraestrutura que suporta tecnologia em peso. Estruturalmente, temos condições de avançar cada vez mais agora e pós pandemia”, comentaram Jairo Waitman, médico e CEO da Samplemed, e Silas Kasahaya, vice-presidente.

Veja abaixo os principais trechos da entrevista concedida ao blog Sonho Seguro.

Como a pandemia mudou o dia a dia da empresa?

A pandemia nos submeteu a algumas precauções no dia a dia. Toda a equipe que trabalhava no escritório passou a trabalhar de casa assim que tivemos conhecimento das circunstancias geradas pelo vírus. A Samplemed foi uma das primeiras empresas a adotar esse método de trabalho para todos os funcionários. A estruturação em curto tempo do home office para todos do escritório foi um desafio, mas a equipe foi exímia em auxiliar no que fosse preciso. A tecnologia está presente no DNA da empresa e isso nos preparou para esse momento – a SynergyIT, empresa de tecnologia do Grupo Samplemed, prontamente organizou toda a estrutura para que nossos funcionários pudessem trabalhar como se estivessem alocados no escritório. Somos em quase 80 funcionários e acompanhamos de perto a adaptação e evolução da equipe nesse período. A pandemia trouxe o aprendizado de que podemos trabalhar remotamente. O distanciamento pessoal é uma perda. Mas, adaptamos nosso serviço ao meio digital. De maneira geral, acreditamos que o COVID-19 mudou a dinâmica da Samplemed. Mas, entendemos que é possível projetar o negócio para dois momentos diferentes: a visão de como enfrentamos a pandemia e a visão de amanhã, dos ensinamentos que retiramos desse período singular. 

Temos visto muitas apostas de que as vendas de seguro de vida vão aumentar, com maior consciência das pessoas sobre a necessidade de ter uma proteção para si ou para entes queridos. Qual a expectativa de vocês?

O mercado de seguros tem se desenvolvido e mostrado maturidade e agilidade para conter essa fase. Novos produtos e coberturas devem ser considerados para atender a demanda. A pandemia surpreendeu a estratégia de diferentes segmentos. Nos últimos meses, os seguros individuais têm se destacado de maneira positiva. Trabalhamos com subscrição de risco e entendemos a importância da subscrição mais individualizada. Cada indivíduo tem o estilo de vida e características diferente a serem consideradas. É possível notar uma movimentação de mercado para esse produto. Mas, é difícil afirmar sobre o cenário econômico neste momento.

O grupo registrou aumento nos pedidos de entrevistas no primeiro quadrimestre?

Comparando os quatro primeiros meses de 2020 com 2019, nosso aumento foi de 49%. Esses dados revelam o avanço da preocupação quanto a saúde, a proteção e apoio financeiro a família, visto os riscos que o COVID-19 tem apresentado para a sociedade. 

Quais podem ser as sequelas de quem teve Covid-19 e ficou na UTI com medicação pesada?

A COVID-19 inicialmente tratada como doença respiratória é uma doença sistêmica, podendo comprometer o sistema cardiovascular, ocasionar insuficiência renal, alterações neurológicas como a perda do paladar e olfato, encefalite e a alterações na coagulação sanguínea com tendência a trombose e embolia. Por ser uma doença nova ainda não temos dados estatísticos suficientes mas, dependendo do grau de dano causado, o paciente pode desenvolver sequelas definitivas tais como fibrose pulmonar, insuficiência cardíaca principalmente em indivíduos com doenças preexistentes tais como hipertensão arterial. Pode ainda desenvolver AVC isquêmico, redução crônica da função renal. As sequelas psicológicas tais como estresse pós traumático, ansiedade e depressão também são comuns após internação em Unidade de Terapia Intensiva. Algumas medicações também podem causar efeitos deletérios. Por exemplo, a noradrenalina em altas doses e por tempo prolongado, podem provocar graves lesões renais, cutâneas e mesmo cardíacas devido à vasoconstrição excessiva de drogas vasoativas. Outra bastante comentada é a  Cloroquina que em doses altas pode ocasionar disfunções cardíacas.

A cloroquina pode trazer sequelas neurológicas. Acha que isso será considerado pelas seguradoras para recusar o risco ou agravar o preço?

O uso de Cloroquina ainda é controverso por não ter sua eficácia comprovada e pelos efeitos colaterais que provoca. Sintomas agudos de toxicidade cardiovascular podem ocorrer em decorrência do uso em doses elevadas. Neuropatias também podem ocorrer mas são mais raras. As sequelas mais comuns, sendo dose e tempo dependentes, são os depósitos corneanos e a retinopatia, podendo resultar em sérios danos visuais. As seguradoras devem avaliar as sequelas decorrentes dos efeitos colaterais dos medicamentos utilizados para calcular o risco de acordo com a cobertura contratada. Importante ressaltar que existe a expectativa do desenvolvimento da vacina ainda esse ano. E, possivelmente, as vacinas ingleses vão começar os testes pelo Brasil. Além disso, está em pauta o incentivo a pesquisas de outros medicamentos que auxiliarão a restringir o crescimento do vírus. 

O que muda no processo no pós pandemia? É possível que o processo seja totalmente virtual?

Estamos vivendo uma mudança de posicionamento aos modelos de trabalho e de hábitos dos consumidores. Muitas das pessoas que não tinham o hábito ou o conhecimento sobre aparelhos digitais e tecnologia, precisaram se adaptar e aprender. Aqueles que já possuíam o conhecimento, estão mais imersos. Essa é uma oportunidade de utilizar desse novo hábito e introduzir soluções tecnológicas ao consumidor. Para seguros de vida e saúde, a tele-subscrição é uma realidade consolidada na Samplemed. Quando o contato é feito por telefone, previamente é realizado um agendamento para que seja organizado o melhor horário para o proponente, para que seja um processo cômodo e ágil. Além disso, somos pioneiros em oferecer a Vídeo-Subscrição – processo de subscrição de risco em que a entrevista ocorre em vídeo, entre profissional da saúde e proponente. Essa solução promove um processo seguro com rigorosa gestão de risco de fraude. Também possibilitamos a subscrição automática, modalidade que pode ser executada através de Chatbot, SMSbot, Voicebot ou online. Processos de subscrição de risco independentes de interação humana. A subscrição automática é uma grande aliada para seguradoras que buscam inovação no serviço e agilidade no retorno. Além disso, oferecemos exames médicos e laboratoriais, parecer médico e treinamento de subscrição.

Sua empresa está preparada para um aumento da demanda em subscrição?

Em linha com o DNA tecnológico e de inovação da Samplemed, a área de Ciência de Dados auxilia no desenvolvimento de soluções baseadas em modelos estatísticos. Utilizamos diversas ferramentas conjuntamente, desde bancos de dados relacionais e não relacionais, passando por linguagens de programação de propósito geral e de análise de dados, bem como softwares de controle de versão, cada uma porém com funções específicas e bem delimitadas. Estamos plenamente prontos para atender o mercado e a demanda que vem crescendo exponencialmente. Acompanhamos webinars, eventos e pautas do mercado, afim de continuarmos investindo em inteligência e no que há de mais moderno no segmento. 

O grupo pensava na internacionalização antes da pandemia. Este projeto segue na agenda ou o fechamento das fronteiras o colocou em modo de espera?

Não pausamos nossas operações e pretendemos levar a Samplemed para diferentes regiões. As ferramentas digitais abriram um mercado a ser explorado. Temos clientes na Europa e estamos avançando nas negociações com seguradoras de outros continentes. Nossos produtos já são distribuídos em inglês, francês, espanhol e em italiano. “A empresa tem se destacado no cenário internacional, com perspectivas de iniciar uma operação global. Para isto, montamos uma operação europeia com o objetivo de atender os clientes dentro das mais estritas leis de proteção de dados”.

Quais as suas prioridades em 2020, levando-se em conta a queda abrupta do PIB prevista pelos economistas?

A Samplemed busca desenvolver novas ferramentas alinhadas ao que há de mais tecnológico no mercado, considerando todas as plataformas – tele, vídeo e mobile – para seguros de vida e saúde.  Nossas soluções não estão restrita somente aos modelos matemáticos, mas tende a viabilizar cada vez mais trabalhos relacionados ao entendimento do mercado, tecnologias de subscrição, acompanhamento dos indicadores essenciais à nossa operação com base em pesquisas públicas de amostragem complexa. Utilizamos a ciência de dados como suporte ao nosso profundo conhecimento de seguros e subscrição médica. Nosso conhecimento de negócio, aliado à nossa experiência médica, é o ponto de partida para a utilização de métodos estatísticos e de melhoria de processos para estarmos mais despertos e preparados para o pós cenário atual.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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