UBS eleva em 50% estimativa de perdas do mercado segurador mundial

Incerteza quanto a obrigatoriedade de pagamentos de lucros cessantes pela pandemia, o que não está coberto na apólice empresarial, assusta a todos

Fonte: Artemis

Os analistas do banco de investimentos UBS elevaram em 50% a estimativa para a eventual perda da indústria de seguros e resseguros pela pandemia do Covid-19, para US$ 60 bilhões. O valor ainda está abaixo do limite máximo de outras estimativas, como dos analistas especializados em mercado de capitais e resseguros da Dowling & Partners. Segundo eles, a perda para a indústria em seguros gerais (ou Property and casuality – P&C) por reclamações relacionadas à pandemia podem variar de US$ 40 bilhões a US$ 80 bilhões.

Inicialmente, o UBS havia projetado perda para toda a indústria entre US$ 22 e US$ 42 bilhões. Agora, no entanto, os analistas entendem que as reclamações por interrupção de negócios serão mais um dos problemas para serem enfrentados fora dos Estados Unidos, o que os levou a aumentar as estimativas de perdas de US$ 5 bilhões a US$ 15 bilhões para US$ 7 bilhões e US$ 22 bilhões. Além disso, os analistas prognosticaram entre US$ 8 bilhões e US$ 16 bilhões em perdas de seguros de crédito, em grande parte recaindo nas empresas de resseguros.

O UBS havia se centrado na perda por lucro cessante fora dos EUA como fator chave para o aumento de sua estimativa. Isso porque há um entendimento de que existem regiões na Europa e em outros países onde a cobertura não está bem redigida e as exclusões são consideradas insuficientes, o que poderia gerar mais reclamações às seguradoras e, em última instância, ao capital de resseguro.

Os valores parecem razoáveis pelos seguradores. Para que o custo da indústria aumente muito mais do que esses números terá que acontecer algum tipo de esforço legal nos Estados Unidos para forçar o pagamento de interrupção de negócios em apólices de riscos de incêndio, que nao prevê este tipo de cobertura. Se isso acontecer, o número da perda da indústria chegaria à marca de US$ 100 bilhões, sugerem algumas fontes. Mas isso continua sendo uma possibilidade extrema no momento.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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