Thinkseg registra aumento de consultas e vendas mesmo com lockdown por Covid-19

Orçamento mais apertado e pouco uso do carro, consumidor busca alternativas ao seguro tradicional

Nascer digital trouxe um ganho e tanto para algumas companhias. Uma delas é a insurtech Thinkseg. Segundo o CEO Andre Gregori, as operações 100% digitais estão registrando aumento de demanda no Brasil e no mundo. Ele cita dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), que apontam que algumas lojas virtuais chegaram a registrar um aumento de mais de 180% em transações em categorias  como alimentos, bebidas, beleza, saúde e eletrônicos. “Seguindo esta tendência, a Thinkseg, como operação digital com proposta inovadora, também registra o aumento de consultas e vendas 100% online de seus serviços. Um dos destaques é o seguro auto Pay Per Use (PPU)”, conta ele nesta entrevista exclusiva ao blog Sonho Seguro.

A Thinkseg entrou nesta crise de forma diferenciados por já nascer digital?

Exatamente isso. O time de 60 profissionais da Thinkseg está trabalhando 100% em home office. Toda essa adaptação, com equipamentos, aplicativos e internet na casa de cada um deles foi executada em um final de semana. Temos facilidade, pois nascemos digitais. Vídeo conferência, home office, comunicação via aplicativo slack, tudo integrado, por exemplo, já faziam parte da cultura da empresa.

Quais os efeitos sentidos nestes 35 dias de isolamento que pararam a economia?

As vendas na segunda metade de março do PPU superaram em 150% a quinzena anterior. E, agora, observa-se que segunda metade de abril – ainda sem acabar – já supera em 170% as vendas dos primeiros quinze dias deste mês. O ritmo de incremento tem ocorrido com constância semanal. Isso porque, aos poucos, as famílias estão percebendo que levará tempo para a antiga rotina ser retomada e,  mesmo depois que retornem às atividades, vêem no modelo PPU uma forma de manter seu patrimônio protegido, porém sem pagar mais por isso. De concreto, hoje, temos as escolas cumprindo o planejamento com aulas online e os pais estão trabalhando em home office. E o carro está ali parado na garagem, praticamente, sem rodar.

O orçamento reduzido das famílias tem ajudado na busca de novas alternativas de seguros…

Sim. Quando a família pesquisa cortes nas despesas do orçamento familiar, descobre o seguro auto Pay Per Use, agora, com assinatura básica mensal de R$ 25,00 para carros populares. Funciona nos moldes da assinatura da Netflix ou Spotfy, com diferentes faixas de planos. No PPU, a assinatura e os kms rodados do período são cobrados mensalmente. Por isso que se a pessoa rodar poucos kms vai pagar muito menos. Vale a pena para aqueles que vão sair pouco de casa com o carro.

Com qual cenário trabalha para definir suas estratégias para a companhia?

As pessoas vão ganhar menos nos próximos meses e também vão evitar a circulação em locais movimentados até que se descubra alguma vacina ou medicamento eficaz contra o Covid-19. Até lá, vamos priorizar produtos com tíquetes baixos que caibam no bolso do consumidor. Todos sempre com contratação 100% online, adquiridos  de modo rápido, em questão de minutos.

O que já fez para clientes, parceiros e funcionários?

Com a pandemia, foram tomadas três medidas no grupo Thinkseg: 

1)redução significativa da mensalidade do seguro auto Pay Per Use e também do valor cobrado nos quilômetros rodados;

2)negociação de redução de percentual dos salários dos funcionários;

3)aumento de parcerias para colocação de mais produtos Pay Per Use em outros ramos de seguro por meio da plataforma de marketplace Bidu

4) Criação do Canal Bidu ao Vivo para o produto de Vida, onde uma consultora especializada tira dúvidas do Seguro de Vida todos os dias, ao vivo, através das plataformas digitais de comunicação e redes sociais, como Youtube e Facebook.  

Aderiu à algum movimento como doações, não demita ou recontrate?

Os acionistas da Thinkseg têm feitos doações para as pessoas mais necessitadas, mas pede para que isso não seja mencionado. 

Os bancos temem uma forte inadimplência nos empréstimos pessoais e corporativos pela queda de renda. Isso afetará as seguradoras também, não acha?

Com certeza no que diz respeito ao tamanho do mercado. Já estamos vendo notícias que o setor diminuiu cerca de 35% pelo menos. O que se vê é um movimento de “proteção de portfolio” e outras medidas que visam à eficiência operacional, principalmente, a digitalização em prol da manutenção dos colaboradores, assim como fizemos. Na Thinkseg, entre março e abril, a assinatura mensal na faixa básica do Pay Per Use, voltada aos carros populares, caiu de R$ 85,00 para R$ 25,00 para os clientes novos e os antigos. Também houve redução do valor do quilômetro rodado, apurado por inteligência artificial. Considerando o menor valor de assinatura e o desconto no quilômetro, registramos redução de preço em até 70%, conforme a categoria do Pay Per Use, para ficar adequado a esse momento difícil da economia.

E os outros seguros?

É importante ressaltar que nem todas as modalidades de seguros são afetadas em momentos de crise. A demanda por cyberseguros continua alta. O seguro de garantia judicial está sendo bastante demandado. Também vemos aumento de interesse pelo seguro de vida por conta da cobertura de “doenças graves”, como por exemplo, embolia pulmonar que pode ser consequência do Covid-19. O fato é quando a economia não cresce, há menos consumo. Então, as seguradoras buscam alternativas, com produtos adequados ao momento do cliente.

Concorrentes revelam que as vendas caíram 70% no ramo auto tradicional. E na Thinkseg?

Na Thinkseg, o seguro auto Pay Per Use, por ser diferenciado e adequado ao isolamento social (as pessoas rodam pouco com o carro), as consultas e as vendas estão aumentando a cada quinzena. Houve 150% vendas a mais na segunda metade de março, quando comparada aos primeiros 15 dias do mês. Já em abril, observamos que a segunda quinzena (ainda sem acabar) superou em 170% a primeira metade deste mês.  Esses números mostram que as pessoas, em casa, estão pesquisando produtos adequados, considerando preço e rodagem,  ao estilo de vida delas nos momento.

O que espera deste ano?

Os números do Banco Central já indicam economia sem crescimento no País e até recessão. As pessoas terão dificuldade de crédito. Continuaremos com foco em produtos com baixo tíquete, no modo “Pay Per Use”(Pague pelo Uso) em outros segmentos que ainda não podem ser divulgados.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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