Coronavírus: dicas para multinacionais

Brasil tem 9 casos suspeitos de coronavírus. O governo, no entanto, não vê necessidade de adotar qualquer medida especial para prevenir a infecção durante o Carnaval e não restringirá o trânsito de chineses. A Air China, que oferece dois voos semanais do Brasil para a China, cancelou os voos de janeiro e fevereiro. O surto de coronavírus matou ao menos 170 pessoas desde dezembro, todas na China. Com epicentro na cidade de Wuhan, a onda de casos confirmados de infecção já atingiu outros 15 países.

Mesmo sem medidas específicas no Brasil, grandes companhias decidiram se precaver, informa o Valor. A Vale suspendeu, por tempo indeterminado, viagens para a China ou do país asiático para qualquer unidade da empresa. As operações nos portos chineses seguem normalmente. Na Weg a orientação é postergar todas as viagens para depois de 8 de fevereiro, data que as autoridades chinesas estipularam para as empresas voltarem a trabalhar. Na Marcopolo, a situação é similar. BMW restringiu as viagens de executivos para a China, seguindo a recomendação da OMS e do governo alemão.

Alimentos e banco. A BRF suspendeu as viagens de executivos para países da Ásia afetados pelo coronavírus, disse Lorival Luz, CEO da companhia. O Itaú Unibanco não tem escritório na China, mas recomendou aos funcionários com viagem marcada que as adiassem.

Turismo. Arnaldo Franken, sócio do Grupo AD Turismo e Viagens, disse que muitos clientes com viagens programas para março, abril e maio estão pedindo cancelamentos.

Feiras. O Grupo BTR Varese, que realiza semestralmente missões de empresários para a China, também avalia suspender uma missão prevista para abril, que levaria 90 pessoas. A Maringá Turismo, do grupo Arbaitman, informou que só ontem três empresas adiaram comitivas para Indonésia, Cingapura e Hong Kong.

Segundo relatório da Marsh, embora a maioria dos casos relatados até agora tenha sido na China, outros também foram relatados no Japão, Cingapura, Coreia do Sul, Tailândia, Vietnã e EUA. “As organizações multinacionais devem agir agora para proteger sua equipe e operações”, reforça a corretora aos seus clientes gestores de risco.

Riscos de Longo Alcance

Os coronavírus podem causar uma variedade de doenças, desde o resfriado comum até doenças severas, como Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS) e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS). Os sintomas comumente apresentados no surto atual incluem febre, tosse e dificuldade para respirar, segundo a OMS; casos leves se assemelham à gripe.

O destaque de Wuhan como destino turístico, cidade portuária e centro de transporte, e um centro regional de educação e fabricação levantaram preocupações de que o surto possa continuar se espalhando, especialmente durante o período de férias do Ano Novo Lunar. As autoridades chinesas restringiram as viagens em Wuhan e em outros lugares e cancelaram algumas grandes reuniões de feriados. Aeroportos em diversas grandes cidades dos EUA e de outros lugares iniciaram a triagem de entrada de viajantes de Wuhan e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) agora recomendam evitar viagens não essenciais para a região; o Departamento de Estado, por sua vez, recomenda que os viajantes na China “exerçam maior cautela“.

Organizações com populações significativas de funcionários na China correm um risco particular, enquanto restrições de viagem, interrupções na cadeia de suprimentos e absenteísmo de funcionários dentro de fornecedores e outros parceiros no país poderiam reduzir a produtividade e eficiência para empresas sediadas em outros lugares.

Os temores sobre o vírus também poderiam reprimir viagens e turismo e afetar negativamente a economia global. As organizações multinacionais devem revisar, testar e atualizar planos críticos relacionados à continuidade de negócios, gerenciamento de crise e comunicações de crise. Ao examinar os planos existentes, considere os efeitos potenciais que uma piora do surto poderia ter sobre funcionários, receita, fornecedores, reputações e muito mais e trabalhe com stakeholders interessados para se preparar de acordo.

Atenção especial:

  • Políticas de Viagens. Se a viagem para Wuhan for necessária, o CDC recomenda evitar o contato com pessoas doentes; evite contato com animais, com mercados de animais, carne e outros produtos animais; e lave as mãos frequentemente. Os viajantes que retornam apresentando sintomas devem procurar imediatamente atendimento e evitar contato com outros.
  • Bem-estar dos funcionários. Monitore as atualizações de funcionários de saúde pública e governos e mantenha os funcionários informados e educados sobre o surto e quaisquer medidas que estão sendo tomadas para salvaguardar sua saúde. Incentive os funcionários a permanecerem em casa quando doentes e fazerem home office se o surto piorar.  
  • Cadeias de suprimentos. Identifique os impactos operacionais e de receita de possíveis interrupções a fornecedores e distribuidores-chave. Considere também a viabilidade de fornecimento de bens, ingredientes e componentes de fornecedores alternativos.
  • Cobertura do seguro. Revise as apólices de seguro aplicáveis, prepare-se para possíveis sinistros e consulte o seu corretor se tiver perguntas. 

Os impactos de uma potencial piora no surto de coronavírus de Wuhan para o seu negócio podem ser severos, mas tomar essas medidas agora pode ajudá-lo a preparar melhor, planejar e proteger as pessoas e as operações.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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