A economia prateada é a terceira maior do mundo. Seria o terceiro maior pais do globo, superado pelas economias dos EUA e da China. Já movimentam mais de R$ 1 trilhão no Brasil e mais de US$ 15 trilhões nos Estados Unidos. “Uma população é enorme”, diz Clea Klouri, sócia da Hype 60, durante o painel “Publico Senior, Oportunidades e Desafios para o mercado segurador”, no 4o, Encontro de Inteligência do Mercado, promovido pela CNseg, em São Paulo. “Eles têm dinheiro, querem consumir, são diversos e a longevidade vai muito além de saúde e previdência”, afirma.
A especialista mostrou diversos videos que mostram os desafios e as oportunidades para todos aqueles que se dedicam a ajudar os mais de 60. “F@da-se. É uma questão de sobrevivência. Não sou uma velhinha de bengala aos 68 anos. Vou ser uma senhora de bicicleta”, citou uma senhora de 74 anos em um dos videos mostrados pela especialista neste público 60+, que segundo pesquisas 55% deles são independentes financeiramente. Tanto ajudam os filhos como os pais, conhecidos como geração sanduíches. Dados de pesquisas sobre longevidade conduzidas pela universidade de Oxford mostram também que 71% das pessoas acima de 60 são digitais, 70% são assinantes do Netflix e 27% usam aplicativos de relacionamentos.
Outro vídeo interessante, que mostra o potencial de ideias que podem ajudar o idoso, mostra um case de sucesso para millennials mas que beneficiou o publico senior. Quem poderia imaginar que a febre do aplicativo Pokemon Go traria uma nova vida a um senhor de mais de 75 anos, com dificuldades para se locomover, mas que passou a caminhar com bengala 8 horas por dia para se divertir com a caça aos mostrengos. Isso mostra que não há limites para pensar em negócios para o público que forma a economia prateada.
Realmente temos uma realidade muito deturpada do envelhecimento, disse Joao Paulo Merlin, superintende de BI da Zurich. O brasileiro esta amadurecendo. Ele mostrou um gráfico que mostra a evolução da expectativa de vida nos últimos anos. Em 2060, 81,2 anos. em 1920 era 35 anos. Em breve isso deve aumentar. Estamos falando de uma expectativa de vida média. Já nasceu a pessoa que vai viver 200 anos. É uma informação um pouco forte”, afirma.
Já há expectativa do IBGE que mostra que o público millennials, até 35 anos, cai para 37% e os 50+ passam a representar 45% da população. “Isso mostra que o mercado segurador precisa se preparar. Vemos algumas companhias agindo de forma tímida. Hoje tudo tem foco nos milleniuns nas estratégicas de inovação e produtos. E isso atrapalha um pouco olharmos com mais estratégia para a economia prateada”, disse Merlin. “Não digo que é para deixar de focar nos jovens, mas sim equilibrar o direcionamento de investimentos em estudos entre as duas faixas. Temos de pensar que o nicho 60+ crescerá 40% nos próximos 10 anos e representará 20% da população brasileira”.
Antonieta Scariassari, controller da Alfa Seguradora, reforçou todos os dados apresentados e acrescentou dados inéditos de uma pesquisa da comissão de inteligência da CNseg, com dados do Brasil e vários países do mundo. “Todos eles deixam claro que é preciso reformas para atualizar as politicas e economias para as pessoas acima de 60 anos”.
No Japão, por exemplo, hoje se vende mais fraldas para idosos do que para crianças. Na Alemanha, Nos EUA, startup que oferecem monitoramento e diagnósticos de doenças. Na China, o Alibaba e-commerce especifico para este publico. Por dia 1,3mil desaparecem por conta de esquecimento. 83% no ramo de saude ja se utilizam de tecnologia de monitoramento de idosos.
As cidades têm projetos que aproximam jovens de idosos. Nos EUA, um app tem uma rede de apoio que conecta jovens com o público senior. Eles levam os idosos para passeio, ajudam com a tecnologia entre outros serviços que são remunerados por horas de trabalho. Os jovens também alugam quarto nas casas de idosos em troca de alguma ajuda nas limitações físicas ou mentais do dia a dia. A carência no cuidado por parte dos responsáveis é outro ponto convergente nos países pesquisados pela CNseg.
Priscila Aguiar, economista da Superintendência de Estudos e Projetos da CNseg e mediadora do painel, questionou os participantes sobre se o mercado brasileiro realmente ainda nao despertou para o publico senior. “O mercado resiste um pouco para despertar para isso. Mas deve evoluir, pois vem ai um perfil de população que precisa de muitos produtos, que podem ser ofertados pelo mercado segurador. É possível ganhar dinheiro com isso como mostram as estatísticas de vários estudos”, enfatizou Clea Klouri.


















