Como será a “Indústria de Seguros 4.0”, segundo o CEO da IIS

Como será a indústria de seguro no futuro? Esta foi uma das questões abordadas por Michael J. Morrissey, presidente e CEO do International Insurance Society (IIS). “Insurance 4.0 vai muito além de novos produtos, novos riscos e nova forma de fazer o seguro chegar aos clientes. Significa uma concepção totalmente nova sobre o que o seguro pode ser e fazer pela sociedade”, afirma. 

Segundo ele, existem três tipos separados, mas conectados, de interrupções acontecendo simultaneamente: transformação tecnológica, perturbação econômica e ruptura social. Ele descreveu a revolução do mundo e como ela traz desafios para o mercado de seguros do futuro. Ele destacou o envelhecimento em várias partes do mundo, com consequências na economia, como o financiamento de aposentadoria e de assistência médica. Já outros países, principalmente no Hemisfério Sul, têm grande desequilíbrio, com pessoas mais jovens e sem oferta de emprego na na quantidade necessária. 

Além desses fatores, ele citou também as mudanças nos hábitos de consumo. As pessoas querem poder usar as coisas sem necessariamente possui-las, os conceitos de trabalho mudaram, e a igualdade de renda e igualdade de gênero são questões importantes. “Tudo isso exige uma rápida mudança da indústria de seguros”, sentenciou.

Ele recomenda que a indústria deve atrair mais a atenção dos governos, abrindo um canal de comunicação mais amigável com políticos diante do poder que tem como investidor de longo prazo. Globalmente, o setor possui mais de US$ 35 trilhões em ativos investidos. “Como investidoras institucionais, de longo prazo, ao lado de fundos de pensão, são vitais para o financiamento da infraestrutura. Recursos para financiar projetos de crescimento para o mundo emergente e financiamento de reconstrução para o mundo desenvolvido. Certamente isso chama a atenção dos estrategistas políticos e, portanto, esse atributo pode contribuir para melhorar a estatura do setor”, afirma.

Ter regulamentações mais aderentes é vital para enfrentar as mudanças do setor. Alguns especialistas afirmam que todas as seguradoras serão empresas de tecnologia. Mas todos os atuais players serão? Segundo ele, não. “Alguns não têm a mentalidade para se adaptar à inovação. Conheço muitas seguradoras que empregam apenas versões ligeiramente modernizadas dos mesmos processos que já existem há mais de 100 anos e que ainda sobrevivem. Elas continuarão tentando manter o jogo como sempre foi até serem realmente forçadas a mudar. Acredito que o movimento Insurance 4.0 apresentará uma consolidação acelerada da indústria global, impulsionada pelos líderes que avançam “em” e “na” tecnologia.”

Certamente, afirma ele, a melhor utilização dos dados pelas seguradoras levará a preços mais acessíveis e redução de fraudes, otimizando os ciclos de subscrição. Por sua vez, isso fará com que o setor se torne mais ativo em gerenciamento de risco do que em pagamento de indenizações. “Fico chocado ao descobrir que muitas pessoas ainda pensam que nossa indústria existe apenas para pagar indenização a pessoas depois que coisas ruins acontecem. De fato, o papel do setor na mitigação e até na prevenção de perdas antes que elas ocorram é a principal razão para o rápido aumento de parcerias pelos governos para ajudá-los a antecipar e reduzir, e não apenas pagar as perdas”, afirma.

Para Morrissey, o maior valor da indústria para seus clientes será a capacidade de prever melhor os riscos e mitigar perdas como com eventos climáticos extremos, ataques cibernéticos, riscos ambientais e terrorismo. “Veremos, certamente, uma consolidação em torno de seguradoras especialistas e não mais em grandes seguradoras”, prevê. A verdadeira mudança está em centrar o modelo de negócios no atendimento das necessidades do cliente. “Quando isso realmente acontecer, chegaremos no esplendor do Insurance 4.0! Um novo nível de organização e controle sobre toda a cadeia de valor de um produto personalizados a um cliente consciente dos riscos.”

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

1 COMENTÁRIO

  1. Prezado Sr(a) Ouvidor(a), bom dia!
    Estou escrevendo um artigo sobre Industria 4.0 Segura cujo enfoque de parte do texto é apresentar um comparativo entre a 3ª e 4ª revolução industrial quanto a riscos.
    Neste enfoque quero fazer análises qualitativas e econômicas dos negócios em ambos os casos e também quanto aos critérios para precificação de seguro de instalações, máquinas e equipamentos industriais contra sinistro.
    Para isto, verifico a possibilidade de V.Sa. responder a pesquisa abaixo. 

    1 – No critério da precificação do seguro leva-se em consideração o risco de perda financeira que a instalação, máquinas e equipamentos apresenta no momento da avaliação?Resposta:Comentário:
    2 – Instalações, máquinas e equipamentos industriais mais antigos, ou seja, aqueles mais desgastados, com maiores incidências de quebras, menos automatizados, tecnologicamente e normativamente desatualizados tem preços de seguros mais elevados em relação aos tecnologicamente e normativamente atualizados?Resposta:Comentário:
    3 – Uma indústria que investe em tecnologias para aumento da segurança de seu pessoal, instalação e equipamentos tem menores preços de contratação de seguro contra sinistro?Resposta:Comentário:
    4 – O valor do seguro na renovação pode sofrer aumento, estabilização, diminuição ou bonificação de acordo com a mudança tecnológica da indústria?
    Resposta:Comentário:
    5 – Quais são os principais documentos solicitados e analisados pelo corretor para elaboração da apólice, precificar, manter e alterar o seguro?  Resposta:Comentário: 
    respeitosamente,Paulo Gabriel Cayres(16) 98142 4461

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Ouça nosso podcast

ARTIGOS RELACIONADOS