Quais os riscos de comprar na black friday?

Três perguntas do blog Sonho Seguro para Marco Mendes, especialista em seguro para riscos cibernéticos da Aon Brasil, sobre a segurança cibernética em comprar na Black Friday.

Quais os riscos de comprar na black friday?

A Black Friday é uma data comercial muito esperada pelo consumidor e pelo varejo brasileiro. Para o consumidor, pois é sua chance de fazer determinadas aquisições numa condição comercial supostamente não encontrada em outra época do ano; já o varejista espera aumentar expressivamente o volume de saídas de seu estoque, ganhando em escalas, mas a verdade é que vendendo qualquer tipo de produto ou serviço Black Friday é uma oportunidade de alavancar as vendas.

Assim como nos EUA, a época é conhecida por conta das promoções e descontos oferecidos durante um curto período de tempo. Nessa época nota-se um aumento expressivo no número de acesso a sites e portais de compra, bem como na quantidade horas que as pessoas acabam ficando conectadas fazendo pesquisas e efetivamente compras em ecommerces.

Esse enorme fluxo de atividades na internet é um prato cheio para os cibercriminosos. O volume de informações disponibilizadas, a maior permanência na web, a necessidade da realização de cadastros online e de fornecer dados bancários em ambientes digitais, a falta de preparo de alguns sites e até mesmo o aspecto psicológico dos consumidores aumentam as oportunidades para os crimes cibernéticos.

Em eventos como a Black Friday, as informações dos consumidores ficam mais facilmente expostas e suscetíveis a crimes cibernéticos. Toda atenção é bem-vinda. Os consumidores devem dar preferências para lojas virtuais que tenham certificações de segurança, redobrar atenção com logins e senhas, evitar acessar equipamentos e redes públicas, além de tomar os cuidados ao abrir ou responder e-mails promocionais. Com a rápida evolução da tecnologia nos últimos anos é necessário ainda: prestar atenção em aplicativos fantasmas que supostamente facilitariam a comunicação entre empresa e consumidor, anúncios promocionais falsos em meio às ferramentas de navegação, plataformas de meios de pagamento frágeis e redes Esses são alguns exemplos de precauções aconselháveis para os consumidores pagarem, e receberem, apenas aquilo que adquiriram na Black Friday 2018. Numa data como essa, a paciência e a precaução são os maiores aliados dos consumidores, já o preparo e a segurança são os maiores aliados dos vendedores.

Como se proteger de eventuais hackers?

Quando se trata de Black Friday é importante que as empresas se unam e se comuniquem, revelem umas às outras as vulnerabilidades encontradas e os desafios superados, comunicação e interação mercadológica é fundamental para o desenvolvimento da resiliência corporativa. O mesmo vale para os consumidores, usar o poder das redes sociais com o propósito de alertar outros consumidores em prol do consumo seguro e consciente!

O risco cibernético deve ser considerado, desde sempre, por todas as áreas e níveis hierárquicos dos colaboradores das empresas, independentemente de seu porte ou área de atuação. O risco deve ser tratado com frequência e prioridade, se pensar em algo especificamente para um período especifico, como a Black Friday, pode não ser tão eficiente e seguro.

O tratamento do risco é multidisciplinar e envolve diversas atuações enfáticas em cima do assunto. No lado de riscos e seguros, o tratamento também é múltiplo e deve-se usar mais de uma apólice para se fazer um tratamento eficaz do risco. As mais importantes apólices são as de Cyber – Riscos Cibernéticos e Crime – Fraude Corporativa.

Essas apólices podem prever diversas situações como:

· Custo de Defesa relacionada à reclamação de terceiros no que tange o vazamento de seus dados – e custos relacionados a resposta ao incidente de violação de privacidade de informações pessoais ou corporativas sob responsabilidade do segurado;
· Restituição da imagem pessoal e corporativa para mitigar os danos à reputação;
· Custos de notificação e monitoramento de uma violação de dados necessária para evitar a disseminação dos dados sensíveis e maior perda pelo uso indevido dos dados vazados;
· Extorsão resultante de uma ameaça de segurança;
· Lucros cessantes que o segurado sofreu em uma interrupção de rede por conta de falha na segurança da rede;
· Perdas financeiras da companhia contratante decorrente de fraudes eletrônicas e os custos de Investigação e apuração dessas fraudes.

O cenário ideal seria um consultor, ou especialista, em riscos cibernéticos fizesse um análise específica da empresa para que assim fosse possível sugerir a melhor cobertura para os negócios daquela companhia.

E se mesmo tomando os cuidados necessários, tiver os dados roubados, há como pedir indenização para o portal que fez a oferta?

A Aon tem um estudo chamado Índice Aon de Maturidade em Riscos. Ele examina práticas e estruturas específicas relacionadas às dez características das empresas. Conforme sua atividade e necessidade, a presença desses fatores, em menor ou maior escala, pode representar um modelo interessante para gestão de riscos. O mesmo pode ser aplicado na questão de riscos cibernéticos.

As características são:

· Compreensão e compromisso do conselho com a gestão de riscos como fator crítico para a tomada de decisões e geração de valor.
· Um executivo de nível sênior que dirija e facilite processos-chave e o desenvolvimento da gestão de riscos.
· Transparência na comunicação de riscos.
· Uma cultura de riscos que estimule engajamento e responsabilização em todos os níveis da organização.
· Identificação de riscos existentes e emergentes através do uso de dados e informações internas e externas.
· Participação de interessados-chave no desenvolvimento da estratégia e determinação da política de gestão de riscos.
· Coleta formal e incorporação de informações sobre riscos operacionais e financeiros na tomada de decisões.
· Integração de percepções de gestão de riscos nos processos de capital humano para estimular desempenho empresarial sustentável.
· Uso de métodos de quantificação sofisticados para entender os riscos e demonstrar o valor adicionado através de gestão de riscos.
· Trabalhar com o foco de evitar e mitigar riscos para gerar valor

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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