Christine Lagarde, diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, escreve um post sobre riscos cibernéticos, traduzido e publicado pelo Valor Econômico no “Blog do FMI”. Ela avalia que os riscos cibernéticos representam hoje uma grande ameaça para o sistema financeiro. Um estudo do corpo técnico do FMI baseado em modelos estima que as perdas médias das instituições financeiras causadas por ataques cibernéticos poderiam chegar a centenas de bilhões de dólares por ano, erodindo os lucros bancários e pondo em risco a estabilidade financeira.
À primeira vista, eles sugerem que, em média, as possíveis perdas anuais resultantes de ataques cibernéticos seriam expressivas, próximas de 9% da receita líquida global dos bancos, ou algo em torno de US$ 100 bilhões. Em um cenário mais grave — em que a frequência dos ciberataques seria o dobro da registrada até hoje e o contágio mais amplo — as perdas poderiam ser duas vezes e meia a três vezes e meia maiores, da ordem de US$ 270 bilhões a US$ 350 bilhões.
A magnitude dessas perdas estimadas é muito superior ao tamanho atual do mercado de seguros para riscos cibernéticos. Apesar de seu crescimento recente, o mercado de ciberseguros ainda é pequeno, com cerca de US$ 3 bilhões em prêmios em 2017, e a maioria das instituições financeiras ainda não dispõe desse tipo de seguro. A cobertura é limitada e as seguradoras enfrentam dificuldades na avaliação do risco, devido à incerteza sobre a exposição, a falta de dados e os possíveis efeitos de contágio.



















