Crescer em tempos de crise exige criatividade e investimento no treinamento da equipe. É isso que tem feito a corretora JLT. Todos os anos o tradicional grupo inglês organiza uma conferência para reunir os líderes das filias de todo o mundo. Nesta semana, mais de 120 executivos de diversas nacionalidades e líderes das diversas operações globais se reuniram em Hampshire, cidade que fica a menos de 100 quilômetros da sede em Londres.

Apesar da descontração e diversidade do grupo, que presta consultoria nas áreas de resseguros, seguros corporativos e benefícios em 42 países, o encontro anual com o CEO Global, Dominic Burke, neste ano foi embalado por uma realidade dura do mundo de negócios. “O mundo está desafiador. E por isso nós temos de estar em constante processo de mudança para manter o crescimento e o elevado nível de atendimento aos nossos clientes”, disse.
Como é de praxe, a primeira parte do evento é conduzida por um convidado, sempre um líder da indústria. Neste ano foi Bruce Carnegie-Brown, ex-executivo do Santander, ex-membro do board da JLT e hoje chairman do Lloyd’s of London, que falou sobre sua visão do mercado em relação aos desafios da JLT para manter o ritmo de crescimento e sobre as perspectivas para o mercado segurador mundial.
Brown relembrou 2017, um difícil ano do Lloyd’s, com perdas superiores a US$ 2 bilhões relacionadas às catástrofes naturais, como os terremotos do México e os furacões no Caribe e em Porto Rico. “Apenas 25% das perdas causadas pelos estragos nas ilhas devastadas do Caribe tinham cobertura de seguro. Os outros 75% vão depender de esforços governamentais ou serão perdas não possíveis de serem compensadas, o que é muito triste e ruim para uma região que depende do turismo”.

Bruce ressaltou aos presentes como é importante aprender com um ano de perdas. “2017 mostrou ao mundo que os riscos são imprevisíveis e ainda há baixa penetração de seguros até nos Estados Unidos, que é o maior mercado de seguros do mundo”, comentou. A rapidez com que o mercado londrino pagou as indenizações foi enfatizada por ele, por ser esse um dos momentos que uma corretora mais preza no relacionamento com seu cliente.
Segundo estudos apresentados durante a palestra, a economia de um local atingido por catástrofe se recupera rapidamente e até mostra crescimento médio de dois pontos percentuais quando o consumo per capita de seguro é elevado. “Temos muito trabalho para conscientizar as empresas sobre a severidade dos riscos e criar portfolios de produtos que atendam as necessidades de cada perfil de risco. Os resultados confirmam que devemos ter um foco implacável em disciplina de subscrição. O desafio para todos nós é reduzir o custo de condução de negócios, porque isso está tendo impacto em margens de subscrição já estreitas”.
Rodrigo Protasio, CEO da JLT Re no Brasil, uma das corretoras que mais cresce no segmento corporativo no país, saiu do encontro ainda mais animado do que entrou. “A visão do Bruce em relação ao mercado e os desafios que a inteligência artificial, riscos cibernéticos e ativos intangíveis estão trazendo para indústria nos deu a dimensão do empenho que todos temos de ter para agregar valor nas propostas aos clientes. Temos de nos reinventar. Investir na venda consultiva, entender o risco, sentar com seguradoras e resseguradoras para desenhar um programa sob medida. Não só para manter nossos clientes, mas também para conquistar aqueles que pensam que estão protegidos, mas na verdade não estão”, frisou.
O excesso de liquidez do mercado e a transformação trazida pela revolução tecnológica também pautaram o encontro. “O excesso de capital ajuda a manter os preços estáveis, com margem para descontos aos clientes com bom histórico de prevenção. Já as fintechs e insurtechs nos sinalizam quanta eficiência e inovação é possível agregar ao nosso negócio”, enfatiza Protasio.
Ao contrário do Lloyd’s, a JLT teve um ano com resultado comemorado pela equipe. As ações do grupo, negociadas na bolsa de Londres, subiram 45% no ano passado. “As operações na América do Norte têm crescido muito e a JLT agora se organiza para unir as especialidades do grupo em estruturas globais em uma plataforma unificada, que vai proporcionar ganhos aos nossos clientes, tanto em experiência como em qualidade de serviços”, garante o executivo brasileiro. “Temos a ambição de sempre negociar as melhores condições e termos para nossos segurados, bem como ser considerado por eles o melhor risk adviser”.
Quanto a Brexit, sigla para a saída da Grã Bretanha da União Europeia, Protasio afirma não ser um risco ao negócio da corretora inglesa. “Pelo contrário. Tem sido um “upside”. Somos uma empresa global e grande parte das nossas receitas são em dólar. Temos operações importantes na Austrália, América Latina, Estados Unidos e Ásia onde somos líderes, para atender nossos clientes que queiram buscar outro país sede. Por isso, o Brexit pode ser até uma oportunidade para nós”.

Em relação ao Brasil, o grupo sabe que o país depende da retomada da confiança política e assim conquistar a confiança dos investidores e atrair capital externo para os investimentos em infraestrutura. “Veja o sucesso das últimas rodadas de concessões do governo com as linhas de transmissão, aeroportos e petróleo. Mas os investimentos só virão após a eleição. Enquanto isso, nos preparamos ainda mais para o momento certo. Somos líderes nas especialidades de petróleo, energia, engenharia e construção. Somos muito competitivos em infra-estrutura e seguro de crédito estruturado para projetos de parcerias público privadas, segmentos que lideramos na Inglaterra e na Europa”, diz
Protasio informa que o grupo cresceu mais de 25% de forma orgânica no ano passado no Brasil e estima crescer 20% neste ano. “Administramos no Brasil mais de R$ 2,3 bilhões em prêmios entre benefícios e riscos corporativos. Estamos contratando gente e devemos terminar o ano com 450 colaboradores. Acredito fortemente que, ao desenvolver o acesso ao mercado global, seremos capazes de nos beneficiar das oportunidades disponíveis no mercado especializado em seguros e resseguros nos próximos anos”, conclui o executivo, esbanjando confiança no futuro do Brasil e da JLT.


















