Raphael de Carvalho, presidente da MetLife Brasil, é um grande entusiasta do seguro de vida. Em qualquer parte do mundo. “O produto é um meio de proteger o individuo e as famílias de muitos imprevistos, como uma doença grave ou uma morte inesperada que desampare a família ou mesmo o negócio”, diz. Quando o foco é o Brasil, ai o entusiamo brilha. “Há muito a ser conquistado no Brasil. A penetração do seguro de vida ainda é pequena. Ter bons produtos aliado a projetos de educação financeira é o caminho para expandir esse segmento”, afirma.
Leia os principais trechos da entrevista concedida ao blog Sonho Seguro.
Como vê as perspectivas para o seguro de vida coletivo no Brasil?
As perspectivas são boas. Nosso negócio tem uma correlação direta com o nível de emprego. A expectativa é de que a economia cresça cerca de 3%, abrindo terreno para a recuperação de parte dos empregos perdidos durante a crise. Retomada do emprego traz a reboque novas contratações de seguro.
E do seguro individual?
Nos últimos quatro anos, o crescimento desse produto tem sido bastante relevante, especialmente no seguro de vida propriamente dito, cujos benefícios para usufruto em vida já começam a ser percebidos pelos brasileiros. O que se espera é que o crescimento se mantenha no mesmo ritmo. Afinal, temos demanda pra isso. A penetração desse tipo de seguro na economia ainda é muito pequena, se comparada com a de países onde a indústria de seguro é mais madura. A provável chegada do Universal Life deve impactar positivamente também. Nos países em que ele está disponível, o produto é muito bem recebido, e acreditamos que veremos o mesmo comportamento entre os brasileiros. No seguro prestamista também há expectativa de retomada do crescimento, já que o credito tende a crescer com a expansão da economia.
Esse cenário vale também para previdência privada?
A tendência é de que a previdência cresça mais, por ser um assunto que tem tido muita visibilidade e pelo consequente aumento da conscientização do brasileiro sobre os benefícios desse investimento. Tanto na previdência aberta individual quanto na corporativa, os números dos últimos anos foram positivos, com crescimento de duplo dígito, e devem seguir assim.
Por que fundos de previdência querem aplicar no exterior se a taxa de juros no Brasil ainda está entre as maiores do mundo?
Por buscarem diversidade, acesso a um mix melhor de investimentos atrelados a renda variável e renda fixa. Nessa busca também se leva em consideração o investimento em mercados menos voláteis.
O segmento vida no Brasil vem apresentando crescimento, mesmo diante da crise que elevou o índice de desempregados e reduziu o poder de compra da população. Como explicar esse fenômeno do mercado?
Uma mistura de fatores. O primeiro é a baixa penetração. Mesmo na crise há espaço para crescer. Outro fator diz respeito à massa salarial. No seguro coletivo, os capitais segurados costumam ser múltiplos dos salários. Logo, se há aumento salarial, o seguro cresce junto. Finalmente o entendimento maior por parte do segurado acerca das indenizações de que ele pode gozar ainda em vida, como nas coberturas para o tratamento de doenças graves e de diárias de internação hospitalar, que também tiveram participação no crescimento nesse último ano.
Como o Brasil se posiciona diante dos outros países em que o grupo atua?
O Brasil é um dos focos de investimento da empresa no médio e longo prazos. Esse investimento tem sido feito principalmente na expansão e relacionamento com canais de distribuição – entendam-se força de vendas e relacionamento com parceiros – e em ferramentas e processos capazes de melhorar a eficiência operacional do negócio. Os resultados dessa estratégia têm se refletido no crescimento em vendas, base de clientes e alcance geográfico, o que faz da regional um benchmark para outros países onde o grupo está presente.
Quais as expectativas da matriz com o Brasil em 2018?
O corpo diretivo do grupo está confiante no avanço de nossas operações no Brasil e disposto a continuar investindo pesado no País. Para este ano, espera-se crescimento na receita e na rentabilidade, com o maior desafio ligado à queda da taxa de juros.
Como as inovações, considerando a revolução digital que o mundo vive, tem afetado o seguro de vida e as empresas que nele operam?
A revolução digital está transformando radicalmente todas as indústrias, e a de seguros não fica atrás. Não só modelos de negócios estão mudando, mas também novas oportunidades para um crescimento lucrativo estão sendo criadas. Na MetLife, por exemplo, um fundo de US$ 100 milhões acaba de ser anunciado para o investimento em empresas que estão desenvolvendo e vendendo tecnologias de interesse para nossos clientes. Digital não é simplesmente um novo canal de distribuição: digital é uma maneira totalmente nova de fazer negócios, que mexe com todas as estratégias e áreas funcionais. A aplicação inteligente de tecnologias digitais é, portanto, fundamental para as seguradoras sobreviverem e prosperarem, oferecendo uma prestação de serviço moderna e ágil. Nesse contexto, o investimento forte em big data também se torna prioritário, a fim de que soluções cada vez mais adequadas à realidade de cada cliente possam ser ofertadas.
Como vê o desafio das seguradoras de vida no mundo em buscar ativos para investir no longo prazo, com rentabilidade diferenciada, num cenário de taxas de juros declinantes?
A resposta está na variedade de investimentos e na possibilidade de investimento em diferentes mercados, para que se possa contornar melhor a volatilidade de alguns deles.
Já o plano dental tem uma outra realidade, não? Quais as expectativas com esse segmento?
A venda dos planos dentais também está em curva ascendente, tanto em receita quanto em número de beneficiários, e a expectativa é que o segmento cresça acima de dois dígitos – há espaço para tanto. Assim como nos planos de saúde, a contratação dos planos odontológicos é feita principalmente por empresas, com o produto sendo oferecido como benefício. A oferta maior de vagas favorece, portanto, as vendas. Os esforços das seguradoras vão continuar voltados para o aumento do número de beneficiários, e quem já conta com um número expressivo deles na carteira, vai trabalhar mais com a questão da margem e tíquete médio.



















Ótima reportagem! Estão de parabéns.