8ª Conseguro: As tecnologias disruptivas e seus impactos no mercado de seguros

Fonte: CNseg

O impacto das tecnologias disruptivas, o surgimento das insurtechs e fintechs e a forma como o setor de seguros vivencia as transformações digitais foram os temas da palestra “Rompendo paradigmas no mercado de seguros”, no 11º Insurance Service Meeting, que acontece paralelamente à 8ª CONSEGURO, no Rio. Com moderação do jornalista e editor-chefe do programa Mundo S/A, da Globo News, João Mostacada, o encontrou teve a participação do diretor da Bradesco Seguros, Curt Zimmermann, e do superintendente de TI da Porto Seguro, Marcos Sirelli.

Mostacada falou sobre o avanço das machines learnings e da inteligência artificial, duas tecnologias ligadas à automação de processos e que transformam a relação entre empresas e consumidores. Diversos setores já estão sendo impactados por esses processos – incluindo a indústria de seguros.

“Essas tecnologias trazem o medo da substituição humana por máquinas. Vivemos um momento até muito parecido com o que as pessoas vivenciaram durante a Revolução Industrial. A diferença é que, agora, o processo automotivo está avançando com muito mais velocidade. As máquinas estão aprendendo a pensar e já podemos ver isso no nosso dia a dia. As atendentes virtuais de telemarketing são um exemplo”, disse Mostacada, acrescentando que as empresas de tecnologias estão apostando alto nesses processos: até 2020, a expectativa é que sejam investidos globalmente cerca de US$ 37 bilhões em pesquisas relacionadas à inteligência artificial.

O jornalista destacou ainda a startup americana Lemonade, seguradora digital lançada em setembro do ano passado e que tem a inteligência artificial como linha mestra. Ao arrecadar US$ 13 milhões junto a investidores, a empresa baseou-se em aplicativos para fechar seguros residenciais a US$ 5 e US$ 35 por mês, para locatários e proprietários – essa nova forma de comercializar seguros substitui corretores e a burocracia por chatbots e machines learnigs, tudo feito sem documentação e de forma instantânea.

Marcos Sirelli disse que “obviamente, o modelo de negócio proposto pela Lemonade é uma ameaça à estrutura convencional do mercado de seguros”. Entretanto, acredita que o estabelecimento desse formato de venda no Brasil não será algo simples. “O mercado de seguros tem suas especificidades, assim como os consumidores brasileiros”.

Segundo ele, novas tecnologias podem ajudar o setor de seguros no que diz respeito à prevenção de riscos. “Imaginem um dispositivo de controle que desliga automaticamente a rede de energia de uma residência ao detectar fatores de riscos? Não é difícil imaginar também uma tecnologia de prevenção de colisão, capaz de mudar a natureza do risco e como o seguro de automóvel é precificado. São dispositivos que nos ajudam a criar novos tipos de serviços e produtos, com novos fluxos de receita e aumento da geração de valor para os clientes”.

O executivo ressaltou ainda que embora a tecnologia seja o carro-chefe na jornada de transformação que a indústria de seguros vai experimentar nos próximos anos, o mercado continuará lidando com questões humanas, que não são facilmente substituídas pela impessoalidade das máquinas. “Seria como dizer que não existe mistério entre as individualidades das pessoas. O rompimento de paradigmas deve acontecer levando em conta os valores éticos e a essência que o mercado de seguros proporciona à sociedade”.

Na opinião de Curt Zimmermann, as mudanças de comportamento da sociedade estão influenciando a indústria de seguros. “Antigamente, os ciclos de desenvolvimento eram mais longos, existiam limitadores, como o custo alto da infraestrutura. Nos dias atuais, as transformações tecnológicas caminham com velocidade”. O diretor citou as inovações que vão proporcionar disrupções na indústria nos próximos anos: além da inteligência artificial e das machines learnings, ele lembrou da tecnologia DLT (Distributed Ledger Technology), mais conhecida como blockchain, que tem potencial para transformar toda a infraestrutura dos serviços financeiros globais.

“O departamento de inovação da empresa tem trabalhado e subsidiado muitas iniciativas que trazem uma tônica diferente para o mercado, a questão colaborativa”, informou Curt, destacando as insurtechs, que surgiram com o propósito de revolucionar o setor de seguros, apresentando novas oportunidades para as empresas se relacionarem com clientes.

Sirelli concordou que as insurtechs estão movimentando o mercado, mas disse temer pela aproximação das grandes seguradoras no processo de criação dessas startups. “Se as seguradoras levarem os riscos, as preocupações e os conhecimentos que são resultados de anos de operação no negócio, será que as ideias e as inovações propostas serão as mesmas? Creio que há um risco iminente de ‘matar’ as novas ideias”.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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