Mais de 1,2 mil corretores, segundo a produção evento, estão reunidos neste final de semana para debater três temas: mudanças, transição e disrupção, que tiram todos da zona de conforto. “Jamais aceitaremos o desrespeito ao profissional do corretor de seguros”, afirmou Alexandre Camilo, presidente do Sindicato dos Corretores de São Paulo (Sincor-SP), em seu discurso de abertura do evento que acontece entre 23 e 25 de junho, em um hotel em Mogi das Cruzes, interior de São Paulo.
O empreendedorismo tem sido a principal bandeira do Sincor-SP, que acredita que empreender é a mola propulsora da sustentabilidade do profissional de vendas nesses tempos em que as tecnologias de inteligência artificial ganha a cada dia mais espaço no mercado segurador por meio de algorrítimos que determinam preços e produtos, além dos robôs programados para atender clientes em suas demandas.
“Somos 100 mil corretores, sendo que cada um emprega em média quatro pessoas. Somos uma potência e temos de nos unir e ganhar força para proteger os indivíduos, as famílias, as empresas”, destacou. Camillo também lançou a campanha “Fale bem. Fale Seguro”. “Conclamo todos para colocar nossas energias numa mudança profunda pessoal, de adaptação a esse momento tão desafiante que a revolução digital nos impõem. Lembre que fomos todos nós que acabaram com a rede de locadoras Blockbuster ao optar por assistir filmes no Netflix. Nós que acabamos com os taxistas ao optarmos pelo usar o aplicativo Uber. Nós que estamos mudando os bancos fisicamente ao usarmos o internet banking. E essa mesma disrupcão acontece em nosso mercado. E precisamos nos organizar. Acreditem em nós. Vamos juntos conquistar o nosso espaço neste setor”, conclamou Camillo.
Camillo também anunciou que o Sincor-SP obteve autorização doTribunal de São Paulo para criar a Câmara de Mediação e Conciliação do Sincor-SP e também que o tradicional evento anual, o Conec, terá um novo endereço, após mais de uma década ter como palco o Palácio das Convenções Anhembi, em São Paulo. “Será no Centro de Exposição Transamerica. A troca se deu porque crescemos. A expectativa é de que as inscrições ultrapassem 10 mil participantes. No ano passado o Conec 2016 reuniu cerca de 6,4 mil, com grande fila de espera que não podemos atender pela limitação do espaço”, disse.
Além dos profissionais que dominam a venda de seguros no Brasil, estavam presentes lideranças, como Joaquim Mendanha, titular da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Armando Vergílio, presidente da Federação Nacional dos Corretores (Fenacor), Robert Bittar, presidente da Escola Nacional de Seguros, e Alexandre Camilo, entre outros.
“Temos de sair do quadrado. Pensar diferente. Não podemos desprezar os avanços tecnológicos. Temos de investir para seguirmos em frente e manter nossa poderosa força de vendas no Brasil”, afirmou Armando Vergílio, presidente da Fenacor.
O ex-deputado federal citou a crise pela qual passa o Brasil. “Esta é a mais grave crise política, institucional e econômica na história do país e temos a responsabilidade de ajudar as pessoas a passarem por esse cenário com mais resiliência. O corretor de seguros é gente cuidando de gente. Cuidando das conquistas, da saúde e da vida dos brasileiros”, comentou.
Vergílio ressaltou a necessidade de combater empresas que queiram vender proteção que não seja seguro, um produto regulado pela Susep. “Temos de separa o joio do trigo. Não podemos permitir que empresas comecem a atuar dentro da ilegalidade”, disse Vergilio. “Temos convicção das necessidades dos avanços tecnológicos. As insurtechs vão chegar, mas não vão acabar com os corretores de seguros. Se algo vier a acabar com os corretores de seguros, acaba como o setor, pois somos responsável por mais de 85% das vendas de seguros”, afirmou ele em seu discurso.

Atrair investimentos para o setor e popularizar o seguro. Esse é o objetivo da Superintendência de Seguros Privados (Susep), afirmou o titular Joaquim Mendanha. “Tenho andando muito em mercados internacionais e todos os investidores olham para o mercado brasileiro com bons olhos”, disse ele em seu discurso no evento realizado pelo Sincor-SP, em Mogi das Cruzes.
Para atrair investimentos ele garante que a Susep tem avançado em vários pontos que precisam ser lapidados. “Temos trabalhado bastante para manter diálogo com entidades representativas do setor, com a necessária interlocução entre todos. Acredito que nossa maior colaboração se constitui em ações que permitam desenvolvimento de novos produtos, que é o que mais guarda relação com o mote deste evento, que é empreendedorismo”, ressaltou.
Entre as ações já em andamento pela Susep estão a regulamentação do Universal Life, que em breve deve ser lançado e que em sua opinião será um novo marco na história do seguro de vida no Brasil. Mendanha também citou outras ações da Susep, como a nova regulamentação do D&O publicada em maio último, cartilhas educativas, portal de educação financeira e, finalmente, o seguro auto popular, que está na pauta de discussão.
“Mais do que agenda aberta, quero convocar a Fenacor para participar do grupo de trabalho para discutir o papel das cooperativas . A Susep já enviou ao Ministério Público mais de 140 processos e temos mais para mandar. Mas só isso não basta. A Susep está fazendo a parte dela, mas temos de ter um apoio maior da Fenacor no grupo de trabalho para termos um debate transparente para evoluirmos neste assunto”, afirmou.
No tema inovação, o xerife do setor afirmou que está analisando os prós e contras que os novos modelos trazem para tornar a regulamentação mais prudente possível para proteger o consumidor. “Inovação é o futuro, mas temos de tomar atitudes corretas. Não podemos permitir que empresas que não cumprem com a legislação em vigor se estabeleçam, pois ferem o direito dos consumidores”, finalizou.


















