Muitos se perguntam por que as seguradoras demoram tanto para aderir ao mundo digital, com propostas enviadas ao mobile e que podem ser compradas sob medida com poucos cliques. O blog Sonho Seguro foi buscar algumas respostas com especialistas que estavam presentes na 27a. edição do CIAB Febraban, realizado entre os dias 6 e 8 de junho.
Ricardo Saponara, especialista em prevenção a fraudes em seguradoras do SAS Brasil, ressalta que para entender corretamente o aspecto de risco nas seguradoras, precisa-se distinguir os riscos inerentes ao capital de solvência dos riscos relacionados aos processos da seguradora. “O mercado de seguros, no que diz respeito à regulamentação de solvência, tem uma postura conservadora quando comparada com outros países, inclusive os mais desenvolvidos”. Isso porque a legislação exige muito mais capital e tem menos flexibilidades nas alternativas de investimentos dos ativos garantidores.
As seguradoras, por outro lado, num momento onde os investimentos em títulos públicos são uma das melhores opções, e tendo as mesmas como possibilidade de aplicações de até 100% nestes ativos, estão confortáveis com este cenário, apresentando pouco risco e alta rentabilidade. “Identifica-se, inclusive, grupos seguradores estrangeiros, que remetem capital ao Brasil com a justificativa de alocação de capital para fins de solvência, que buscam no fundo uma melhor rentabilidade de seus ativos, pois em sua matriz europeia, asiática ou americana, as taxas de juros apresentam rentabilidade muito baixa e até mesmo negativa”, revela. Assim, não há uma vontade proeminente de grupos internacionais trabalharem na utilização de tecnologias que visam uma alocação mais eficiente do capital.
Por outro lado, diz ele, o tema risco não se baseia exclusivamente na solvência e necessidade de capital, mas passa também pelo lado operacional, de redução de perdas e fraudes, no risco de exposição de sua marca e na melhor aceitação de riscos com sua correta precificação. Nesses aspectos, Saponara acredita que as seguradoras estão avançando a passos largos e as demandas pela utilização de tecnologias para atender esses temas vêm crescendo de forma exponencial.
Com a Base de Perdas Operacionais (BDPO) identificando os erros processuais que geram perdas financeiras que podem ser evitadas através da utilização de tecnologias de monitoramento, ele acredita ser possível afirmar que isso é motivado pela própria exigência regulatória quanto à gestão do risco operacional.
O tema de prevenção a fraudes também vem tomando corpo, ressalta, principalmente em épocas de crise, onde o aumento de vendas se torna um desafio e os investimentos em projetos, que viam a manutenção da lucratividade através da redução de desperdícios, aumenta.
Já na estratégia de aceitação de novos clientes, a tendência em cada vez melhor segmentar os clientes pelos seus comportamentos também vem atraindo investimentos significativos. “Na era da informação em que vivemos, os temas de Analytics e Internet das Coisas (IoT) estão cada vez mais presentes nas mesas de reunião de diretoria das seguradoras”, comenta.
Para ele, o mercado de seguros irá experimentar um mudança cultural, dirigida pelos próprios consumidores, que começarão a exigir um prêmio mais justo dado seu perfil comportamental, aceitando ser monitorado constantemente. A captura desses dados (IoT) sem a correta análise (Analytics) se tornará somente um grande repositório de dados, adverte.
As seguradoras já identificaram isso e começaram a se mover para se adaptar. Como todo processo de evolução, os primeiros surfam a melhor onda, e no mercado de seguros isso é ainda mais cruel, criando um cenário de anti-seleção, onde o prêmio mais correto vai atrair o bom risco e expulsar o mau risco, deixando para as empresas que demorarem a se adaptar um cenário inverso, pois cotando com um prêmio médio, irá atrair o mau risco e expulsar o bom risco, sentencia o especialista.


















