Na conversa entre o presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista, sócio do grupo J&F, há um trecho sobre o seguro garantia judicial. Joesley afirma como pretende atrapalhar as investigações que correm contra si. Fala em um procurador infiltrado e em “segurar” um juiz, sem citar nomes. No Valor, a transcrição completa na qual Joesley cita o seguro garantia diz o seguinte: “Daqui a pouco com PIC tou é preso. Foi onde corri lá no procurador, dei um seguro garantia de R$ 1,5 bilhão e pronto, resolveu o meu problema. Você imagina se eu não consigo fazer um negócio desse? Então eu acho, presidente, que é muito desproporcional. Tem que criar alguma coisa, presidente. Alguma agenda”.
A apólice citada hoje em nota da agência Estado, na qual afirma que as seguradoras negaram apólice para a J&F Investimentos, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, no ano passado, não é a mesma que Joesley cita. A Agência se refere a uma apólice que a holding tentou adquirir um seguro de garantia judicial, que protege as empresas de processos judiciais, para fazer frente ao R$ 1,5 bilhão acordado com o Ministério Público no âmbito da Operação Greenfield. Sem respaldo no seguro, a holding entregou em penhor 30% da participação que tem na Eldorado Celulose.
E a apólice que Joesley se refere é para liberar seu patrimônio que estava bloqueado. A coincidência da notícia é que ambas são apólices de seguro judicial e o valor é o mesmo, de R$ 1,5 bilhão cada uma.


















