SulAmérica continua investindo, apesar da crise

2016 foi um ano conturbado para toda a economia, mas a SulAmérica comemora os resultados obtidos até setembro. Gabriel Portella, CEO da seguradora, citou muitos motivos para comemorar o desempenho obtido no ano, apesar de tantas notícias ruins, sendo a mais recente e impactante a morte das 71 pessoas que estavam a bordo do avião que levava o time Chapecoense de São Paulo para Medellin. “Estamos consternados e prestando todo nosso apoio a nossa sucursal de Chapecó e todos os moradores da cidade”, comentou.

Mesmo querendo evitar, a palavra crise surge em todas as perguntas dos jornalistas durante o almoço de final de ano com os executivos da SulAmérica. Apesar dos percalços que o segmento de saúde enfrenta, como a perda de mais de 1,5 milhão de clientes até outubro em razão do elevado índice de desemprego, esse tem sido um ramo positivo para o grupo. O crescimento da área de saúde, maior nicho dentro do mix da companhia, chegou a 20% até setembro. “Podemos dizer que esse resultado foi excepcional diante do momento que o Brasil vive”, enfatizou Portella.

Ampliar a sinergia dos produtos, incluir a co-participação em 80% dos clientes em contratos acima de 1 mil vidas, investir em processos para ter uma gestão equilibrada e foco no controle de custos, principalmente com a compra direta de material e equipamentos foram itens citados para justificar o bom desempenho em saúde, enumerou Maurício Lopes, vice-presidente de saúde.

“Na SulAmérica, apesar do movimento recessivo da economia, conseguirmos fazer que a carteira de odontológico batesse quase 850 mil vidas até setembro, alta de 20% em prêmios e em beneficiários”, informou. A carteira de saúde também apresentou crescimento de 13% em prêmio e de 4% em beneficiários”, disse. O segmento de odonto, segundo ele, segue com boas perspectivas em 2017, pois o mercado pode avançar com o ambiente de melhoria previsto para a economia a partir do segundo semestre. “Se a economia melhorar, mais seremos positivamente surpreendidos no final do ano que vem. Quanto mais emprego, melhor para todos”.

Lopes cita também a parceria com a Healthways. “A parceria já traz frutos para todos na cadeia de saúde, principalmente para o consumidor”, enfatiza o executivo. O grupo já investiu R$ 70 milhões no programa da Saúde Ativa em 2015 e outros R$ 90 milhões em 2016. Boa parte dos recursos foi usada para fazer as pessoas mudarem hábitos, inclusive alimentares, que respeitem as condições de saúde atuais. “São 66 mil pessoas monitoras no Saúde Ativa e os resultados são visivelmente surpreendentes para empresas e segurados, comentou.

mauricio lopes sulaA consolidação do mercado de saúde, que vem acontecendo e deve ser intensificada em 2017, é acompanhada de perto pela SulAmérica. A medida que a barra regulatória sobe, com exigências de reservas financeiras e normas como o rol de procedimentos obrigatórios pela Agência Nacional de Saúde (ANS), coloca ainda mais pressão no mercado. Há cerca de 70 companhias no alvo da ANS.

Há muitas empresas com volume de vidas abaixo de 20 mil vidas, o que torna o movimento de fusões e aquisições mais evidente. “Se a economia piorar, essa tendência andará mais rápido. Se melhorar, dará mais longevidade aos players do mercado. Estamos atentos a esse movimento, mas temos ganhado muitos clientes que optam por empresas mais consolidadas no setor”, afirmou.

Em automóvel, segunda maior carteira da SulAmérica, as perspectivas de mercado também são positivas. São 1,7 milhão de veículos segurados, com índice de retenção de 70% num cenário de extrema competição. A venda de produtos mais econômicos, como o Auto Compacto, que chega a custar até 15% menos do que o produto tradicional, tem 40% das verdas para novos segurados”, informou Arthur Farme, vice presidente de controle e relações com investidores da SulAmérica.

Em previdência o otimismo também é evidente. “Toda a discussão em torno da reforma da Previdência traz mais consciência à população, que passa a buscar mais informações sobre planos privados, possibilitando que as empresas ofertem produtos diferenciados”, disse Marcelo Mello, vice-presidente de investimentos, vida e previdência.

2017 traz vários desafios para todo o mercado segurador, sendo dois bem relevantes. As projeções dos principais economistas projetam queda de quatro pontos percentuais entre o inicio e fim de 2017, num momento em que a Superintendência de Seguros Privados (Susep) faz exigências de capital ao determinar para dezembro o prazo finalização do risco de mercado dentro do pacote de gestão de capital por risco. Isso fará com que as seguradoras calibrem em que áreas querem ser mais agressivas e o quanto de capital estão dispostas a aportar para equilibrar o risco. “Para umas linhas de negócios será um momento mais difícil, para outras não. Pode ser que a decisão seja investir menos, mas não deixar de investir”, afirmou Portella.

Segundo o presidente, com todo o apocalipse previsto para 2016 a seguradora continuou contratando e investindo em serviços produtos, sem tirar o olho das novidades digitais trazidas pelas fintechs em todo o mundo. “É um processo complexo equilibrar os cenários, mas investir é fundamental, sem esbanjar. O empate é a vitória e bola na linha é gol. A estratégia é respeitar o cenário como ele é, mas não vamos ficar parados esperando os impactos deste processo político que o Brasil enfrenta. Os empresários seguem com desafios. Alguns são maiores para uns segmentos e há benefícios para outros”, pondera Portella.

O conselho de administração da SulAmérica autorizou em reunião realizada em novembro a emissão de R$ 350 milhões a R$ 500 milhões em debêntures não conversíveis em ações. Os recursos obtidos com a emissão serão integralmente usados para reforço e adequação dos níveis de liquidez disponíveis da companhia, bem como para fins corporativos diversos.

No quesito inovação, ele afirma que o grupo tem feito muita coisa dentro de casa. “Quanto a ter um ambiente de startup dentro ou fora ainda não temos uma decisão. Estamos estudando várias propostas para otimizar nosso plano de investimento”, afirmou. No mundo das insurtechs, startups dedicadas a seguros, a escolha tem sido dividida entre fora e dentro das companhias. Alguns especialistas acreditam que a cultura organizacional tradicional pode contaminar o desenvolvimento dos projetos. Outros já acreditam que a experiência é enriquecida com a convivência entre dois mundos diferentes.

O grupo segue desenvolvendo diversos aplicativos e parcerias. Em novembro, a SulAmérica firmou parceria inédita com o Waze para que a seguradora forneça novos serviços aos usuários do aplicativo, por meio de pop ups e banners. A iniciativa tem o objetivo de tornar a plataforma ainda mais proveitosa, passando a ser um canal de informações diferenciadas ao motorista, além das funções usuais de cálculo de rota de acordo com o trânsito.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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