Bloomberg: Seguradoras europeias estão de olho em startups de tecnologia

Fonte: Bloomberg

Quem ouve Andrew Rear falar sobre seguradoras se surpreende ao saber que ele trabalha para uma com 36 anos de existência. Aos 46 anos, o responsável pela divisão Digital Partners, da Munich Re, afirma que o setor é “um dos últimos bastiões do século 9” e um “desastre” em termos de produtos quase “impossíveis de se entender”. O trabalho de Rear é mudar isso.

No mês passado, ele assinou o primeiro acordo mesclando seguro e tecnologia da Digital Partners, ao comprar uma participação na Slice Labs, uma startup com um ano de idade que oferece seguros. A rival Allianz, sediada do outro lado de Munique, investiu quatro meses antes na Simplesurance, outra novata que oferece proteção para produtos comprados pela internet. Os acordos destacam a corrida de tradicionais seguradoras europeias na direção de tecnologias que estão mudando o universo de serviços financeiros em Wall Street.

“A combinação entre seguros e tecnologia chegou para ficar e trará mudanças fundamentais para a indústria de seguros”, disse Rear, que comandava as operações de resseguro de vida da Munich Re na África, na região Ásia Pacífico, no Reino Unido e na Irlanda antes de assumir o novo posto em maio. “O ganho para nós é construir novas abordagens de modelo de negócios para a Munich Re ao oferecer capacidade a essas novas firmas.”

A tecnologia em finanças vem atraindo investidores há algum tempo, mas boa parte dos recursos ia para tecnologias capazes de mudar serviços bancários e de investimento, como no caso do blockchain (o software por trás da moeda digital bitcoin), da análise de big data e análises feitas por robôs. Com startups de seguros e tecnologia entregando produtos que funcionam bem e a chegada das grandes seguradoras, há novidades nesta área.

“O segmento de seguros não estava no radar dos empreendedores no passado porque é muito complexo e opaco”, disse François Robinet, diretor-gerente da Axa Strategic Ventures, a divisão de venture capital da seguradora francesa Axa. “Agora eles descobriram muitos problemas e ineficiências que podem solucionar, o que significa muitas oportunidades de inovação.”

Recursos em nível recorde

O total de recursos captados por startups focadas em seguros bateu recorde no ano passado, em US$ 2,7 bilhões. O número de investimentos envolvendo companhias desse tipo deve passar de 75 neste ano, vindo de 6 em 2015 e apenas um em 2012, de acordo com a empresa de pesquisas CB.

Munich Re e Allianz montaram unidades nos últimos anos para realizar parcerias e investimentos em empresas iniciantes, em meio a esforços para conquistar novos clientes e desenvolver novas maneiras de distribuir seus serviços. A Axa abriu sua unidade de venture capital no ano passado, com compromissos de 230 milhões de euros.

Allianz e Munich Re não informaram o quanto investiram em cada negócio, mas as quantias geralmente são pequenas. A carteira de venture capital da Axa tem 22 empresas, nas quais a seguradora gastou cerca de 25 milhões de euros, segundo Robinet. Entre esses investimentos estão participações na corretora online de seguros Policygenius e em startups que atuam com blockchain, serviços bancários e financiamento coletivo. Todas estão em estágio inicial, no qual os investimentos raramente superam 2 milhões de euros, ele informou.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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