Os principais seguros das empresas aéreas são renovados no período entre novembro e fevereiro. As negociações estão intensas e envolvem o mundo todo, uma vez que os custos de indenizações com a queda de uma aeronave são enormes e por isso suportados por um pool de seguradoras e resseguradoras espalhadas nos quatro continentes.
O blog Sonho Seguro foi entrevistar um dos corretores mais atuantes neste segmento. Veja o que Kedma Fonseca, diretora de resseguros da Aon Brasil, contou sobre o tema:
Como está o cenário mundial para renovação das apólices de aeronaves?
Em 2016 estamos vivenciando uma continuidade do soft market, principalmente para as empresas que não precisam comprar limites muito altos, pois podem beneficiar-se do excesso de capacidade que o mercado oferece. Para aquelas que necessitam utilizar quase toda a capacidade disponível do mercado, e especialmente as empresas que não têm uma sinistralidade muito boa, as renovações têm sido mais desafiadoras. Foi observada uma redução de 8% no prêmio de Cacos e Responsabilidade Civil em 2016 até agora. Um pequeno aumento em relação a 2015, que registrou 7% de redução. O excesso de capacidade é o grande responsável por essas reduções, pois a competição é grande e, às vezes, bastante agressiva.
Ao contrário de anos anteriores, neste não tivemos muitos acidentes. Isso ajudou a reduzir as taxas?
A sinistralidade está de fato inferior à média registrada nos últimos anos, porém os prêmios diminuíram tanto que mesmo agora, no início de novembro, os sinistros registrados no período são superiores à expectativa de prêmios para o ano. Isso significa que a baixa sinistralidade não tem sido o motivador da redução nas taxas. O que tem feito as taxas caírem é o excesso de capacidade e a competição daí advinda.
Por outro lado, temos uma crise mundial instalada e uma grande preocupação com a qualidade das manutenções. Isso tem sido um ponto observado na subscrição de risco?
Com o crescimento da indústria e uma busca por maior eficiência de combustível, a frota mundial tornou-se mais moderna. As técnicas de construção melhoradas resultaram em muito poucas falhas de Casco, sendo a causa provável dos acidentes mais atribuída a erro humano do que falhas na produção. Como resultado, quando acontece um acidente, o foco tem sido menos nos fabricantes de aeronaves e mais em outras partes envolvidas, como fabricantes de motores e oficinas de manutenção. Do ponto de vista da subscrição, essas empresas (oficinas de manutenção) que tem um resultado ruim estão tendo mais dificuldade em renovar seus seguros, mas isso não está afetando os níveis de preços para as Companhias Aéreas.
Os contratos fechados no Brasil têm a mesma taxa dos contratos globais?
Alguns critérios relacionados ao local de operação das aeronaves podem influenciar os níveis de taxação, como áreas do mundo com pouca infraestrutura de aviação, ou empresas que operam nos Estados Unidos (pelo seu caráter litigioso). Mas, as principais companhias aéreas brasileiras são cotadas com base em seus próprios méritos, e não em razão de uma classificação generalista.
Qual a diferença das taxas para o risco de voos nacionais e voos internacionais?
Do ponto de vista da Responsabilidade Civil, um vôo internacional tem uma chance muito maior de transportar pessoas de alto patrimônio líquido e passageiros internacionais, e consequentemente, em caso de acidente, haverá uma tentativa de levar o processo para ser julgado nos EUA, cujo histórico de indenizações é muito mais elevado. Quando os seguradores vão cotar um risco eles levam isso em consideração, sendo um dos critérios de subscrição o percentual de vôos internacionais da companhia.
Como anda a preocupação com o risco terrorismo?
O perfil da aviação significa que o terrorismo sempre será motivo de preocupação tanto para as companhias aéreas quanto para a indústria de seguros. A indústria da aviação, no entanto, vem conseguindo adaptar-se ao risco e, consequentemente, tem havido muito poucos incidentes graves atribuídos ao terrorismo desde 11 de setembro. A cobertura para riscos de Guerra e Terrorismo está, portanto, em grande parte estável ou mesmo em queda de preço.
E o risco de ataques de hackers, é algo que preocupa?
Um ataque cibernético a aeronaves é, sem dúvida, uma preocupação tanto para as companhias aéreas quanto para as seguradoras. Embora tenha havido ataques cibernéticos relacionados à venda de bilhetes e sistemas de bagagem, felizmente até agora não houve nenhuma ocorrência envolvendo uma aeronave ou Torre de Controle. Se isso acontecesse, o mercado de seguros reagiria rapidamente, mas por enquanto não há nenhum sinal de mudança relacionado a esse tipo de risco.
Qual o principal temor das empresas aéreas?
Sem dúvida, uma companhia aérea seria mais qualificada para responder a esta pergunta, mas o nosso entendimento é de que as principais preocupações seriam:
– Uma queda no tráfego de passageiros e/ou carga devido a condições econômicas ou outras, tais como pandemia, etc.
– Aeronaves no solo
– Má publicidade
– Custos Imprevistos


















