ATUALIZADA AS 19:20 DO DIA 19 DE NOVEMBRO DE 2016
A briga entre a Youse, seguradora digital da Caixa Seguros, e a Federação dos Corretores de Seguros ganha proporções semelhantes aos taxistas e o aplicativo Uber. Digo mais: pode acabar arranhando a imagem do setor, que investiu muito dinheiro, tempo e dedicação para alcançar o patamar que conquistou nos últimos dois anos. Ambos tem dado munição aos jornalistas para detonar um ao outro que todos serão prejudicados: eles e o setor.
De um lado o governo tem todo o interesse em agilizar a regulamentação para que a Youse conquiste logo a sua licença como seguradora da Superintendência de Seguros Privados (Susep). Isso porque a seguradora digital da Caixa pode acrescentar alguns milhões de reias ao IPO da Caixa Seguridade, que está na agenda do governo para 2017.
De outro, os corretores estarrecidos com a propaganda agressiva da Youse, que afirma quer o profissional de vendas totalmente dispensável. O que não é para muitos casos. Em outros, pode até ser, mas sempre haverá o pagamento de uma comissão para uma corretora, ainda hoje uma exigência no arcabouço regulatório do setor. E é esse valor pago na compra de todos os seguros que mantém instituições, juntamente com parte dos recursos do DPVAT. Instituições que investem em educação, treinamento e políticas necessárias para o crescimento sustentável do mercado segurador.
Enfim, a notícia de ontem é que o juiz Alberto Nogueira Junior, da 10ª Vara Federal do Rio de Janeiro, deferiu, nesta sexta-feira (18/11), liminar impetrada pela Fenacor e determinou que a Youse cesse imediatamente a comercialização de quaisquer modalidades de seguros.
Segundo release da Fenacor, a liminar também veda a divulgação de publicidade sobre os produtos da Youse, que fica ainda impedida de renovar as apólices contratadas até hoje. O juiz também estabeleceu que a empresa publique a íntegra da decisão em seu sítio na Internet, assim que receber a intimação.
Segundo a diretoria da Fenacor, essa é uma conquista histórica não apenas em defesa dos corretores de seguros, que estavam sendo desrespeitados pela Youse, mas também do mercado e, principalmente, dos consumidores brasileiros.
Isso porque a Youse vinha atuando irregular e ilegalmente, comercializando apólices de seguros mesmo sem ter a devida autorização legal do órgão regulador do mercado, a Susep.
Diante das atitudes da direção da Youse e de sua controladora, a Caixa Seguros, não restou alternativa à federação que não fosse buscar a tutela jurisdicional do estado para frear essa atuação ilegal e imoral, que desrespeitava a lei e o órgão regulador.
A semana promete o revide da Youse, que certamente irá gerar mais revides da Fenacor. Nesse fogo cruzado, espero que surja um bom gestor de crise para colocar esse imbroglio nos trilhos.


















