Mercado segurador acumula lucro de R$ 11,3 bi de jan a nov de 2015

castiglioneO mercado segurador registrou lucro líquido não consolidado de R$ 17,4 bilhões de janeiro a novembro de 2015, 10,5% acima dos R$ 15,7 bilhões do mesmo período de 2014. Excluindo o Resultado de Coligadas e Controladas o Lucro Operacional já descontado os tributos, o lucro obtido fica em R$ 11,3 bilhões nos onze primeiros meses de 2015, 18,6% acima dos R$ 9,5 bilhões de 2014, de acordo com o estudo do consultor Luiz Roberto Castiglione, que tem como base os dados estatísticos publicados pela Superintendência de Seguros Privados (Susep).

A taxa média de retorno do Patrimônio Líquido foi equivalente a uma aplicação financeira com remuneração anual de 25,58% contra 21,95% de 2014. O índice combinado, que mede a eficiência operacional das operações de seguros gerais, foi 89,63%. A Margem de Seguros foi equivalente 24% dos prêmios ganhos contra 22,5% de 2014. Já a Margem de Previdência Tradicional + VGBL + PGBL representou 6,8% das Rendas e Contribuições contra 8,9% do ano passado. O conjunto obteve uma margem global equivalente 30,7% dos Prêmios e Contribuições Ganhas contra 30,5% de 2014 (bem próximas).

O faturamento de Seguros, Previdência e Capitalização somou R$ 190,9 bilhões contra R$ 174,4 bilhões do ano passado, um crescimento nominal de 9,51% e real (-) 0,87%. Excluindo o produto financeiro VGBL / PGBL temos um volume de vendas da ordem de R$ 109,0 bilhões contra R$ 105,6 bilhões de 2014, um crescimento nominal de 3,25% e real de (-) 6,54 %. O segmento de seguros apresentou um crescimento nominal de 4,77% e real de (-) 5,17%. Já o de previdência tradicional uma redução nominal de 2,7% e capitalização com uma queda nominal de 2,0%. Ficam claros os efeitos da recessão da Economia. O VGBL/PGBL está contribuindo para que a manutenção das vendas globais, contudo já se encontra inferior a inflação média do período.

Segundo o consultor, esses desempenhos decorrem dos seguintes pontos:

a) O volume de produção considerando o VGBL somou R$ 160,9 bilhões contra R$ 144,4 bilhões de 2014 um crescimento de 11,4%. Excluindo esse produto o total de vendas em seguros passa a ser de R$ 86,1 bilhões contra R$ 82,1 bilhões do ano passado, um incremento de 4,8% (inferior à inflação média do período – 12 meses – IPCA = 10,48%). Veremos mais adiante que os principais segmentos estão com dificuldades de crescimento em função da grave crise econômica – fiscal que o País atravessa. No que tange ao VGBL temos um crescimento atípico devido às transferências de aplicações financeiras menos rentáveis (poupança) para o VGBL;

b) No segmento de seguros vale destacar que mercado apurou uma sinistralidade de 47,3 % dos prêmios ganhos em 2015 contra 49,1% do ano passado. Como se observa as taxas já se encontra bem próximas se comparamos com os históricos anteriores. Cabe lembrar que com a queda na atividade econômica a precificação se tornará mais acurada além, obviamente, do repasse da inflação. Provavelmente teremos agravamentos localizados;

c) As despesas de comercialização apresentaram ligeira elevação, fruto, provavelmente, do acirramento da concorrência por vendas. Já as Outras R/D. Operacionais apresentam comportamentos bem parecidos com 2014. Com isso a Margem de Seguros representou 24,0% dos prêmios ganhos em 2015 contra 22,5% do ano passado;

d) Já o segmento de Previdência e VGBL apresentou um maior impacto de provisões técnicas em função do crescimento do VGBL. Com isso sua margem ao final representou 6,8% das Rendas e Contribuições contra 8,9% de 2014. Com a perda do poder aquisitivo e as transferências de aplicações menos rentáveis a tendência é de crescimento menos acentuado;

e) Com Custos Administrativos ligeiramente acima do ano passado o Mercado gerou uma Combined Ratio de 89,63% dos prêmios e contribuições ganhas contra 88,74% do no anterior. Com o crescimento da taxa básica de juros o Resultado Financeiro apresentou um crescimento de 30,9% fazendo com que a Rentabilidade Operacional passasse de 23,2% dos prêmios e contribuições ganhas para 24,9% em 2015.
De certo já estamos num ambiente de concorrência acirrada onde um rígido controle na precificação, regulação e custos serão determinantes.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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