O mercado segurador brasileiro se destaca no cenário Brasil ao apresentar projeções de crescimento nominal de 12,5% em 2015, o que resulta em crescimento real considerando-se a inflação (IPCA) de 7,6%. Até setembro, as vendas totalizaram R$ 265 bilhões, sendo R$ 52 bilhões em seguros de bens, R$ 91,5 bilhões em seguro de pessoas, R$ 15,7 bilhões em capitalização e R$ 106 bilhões em saúde suplementar.
Para 2016, as projeções da CNseg, a confederação das seguradoras, apontam para crescimento nominal de 10,33%, o que também significa um crescimento real diante da projeção do IPCA de 6,8%. “A crise nos pega, mas mesmo assim temos uma posição bastante otimista”, comentou Jayme Garfinkel, presidente interino da CNSeg, que a partir de 8 de fevereiro terá Marcio Coriolano como presidente.
Assim como as vendas sinalizam uma tendência de alta, o pagamento de indenizações também está no radar das companhias, uma vez que as estatísticas mostram elevação do uso do seguro em momentos de economia em baixa. Tanto por uma maior tentativa de fraude como pelos acidentes gerados em empresas, seja pelo corte de custos em manutenção, troca de funcionários ou mesmo pelo erro humano diante do estresse mais acentuado diante das pressões típicas de uma recessão, como queda do poder aquisitivo e perda de emprego, entre outros.
Segundo Garfinkel, o mercado está bem maduro para lidar com a volatilidade no indicador de sinistralidade (custos e despesas sobre o faturamento) prevista para 2016. “As companhias têm mecanismos de monitorar e alterar as estratégias, seja por elevação do índice de roubo e furto em uma região ou mesmo calibrar os preços diante do comportamento da inflação ou da taxa de juros, itens relevantes para a formação do preço final do seguro”, comentou. Até setembro, o setor devolveu aos clientes em indenizações e resgates cerca de R$ 82 bilhões em seguros, previdência e capitalização e outros R$ 89 bilhões em pagamento de despesas de saúde suplementar.
O tom de otimismo do setor vem do potencial ainda a ser conquistado. “Todo dia os jornais fazem uma propaganda para o setor ao revelarem os problemas como a tragédia em Mariana, por exemplo. Esse tipo de notícia conscientiza as pessoas de que há riscos e elas passam a buscar proteção”, afirmou. O desafio do setor está em aproveitar o momento mais sensível e criar coberturas que atendam as demandas dos consumidores. Algumas companhias já disponibilizaram produtos para tempos de crise, como o Itaú que oferece seguro somente para roubo em automóvel, e a BB Mapfre, que lançou recentemente um seguro de carro semestral para aliviar o orçamento de forma pontual.
Garfinkel apresentou aos jornalistas um infográfico de dar inveja aos seguradores estrangeiros, que sofrem com a consolidação de seus mercados já maduros. No Brasil, as estatísticas mostram 188 milhões de pessoas sem previdência complementar, 70 milhões de pessoas sem plano dental, 45 milhões sem plano de saúde, 51,9 milhões de veículos com mais de 5 anos de uso sem seguro. Isso sem falar das bicicletas, das pequenas e médias empresas, do seguro de responsabilidade civil que registrou grande pico de demanda após a tragédia do rompimento das barreiras da mineradora Samarco, considerado hoje o maior acidente sob a regulação do mercado segurador.
Em automóvel, com crescimento de 4,3% até setembro, para R$ 23,2 bilhões, o setor começa o ano com duas boas notícias. A primeira é que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmou que está tudo pronto para a criação do Pátio Legal, já em operação no Rio de Janeiro, também em São Paulo. Segundo Paulo Marraccini, presidente da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) e membro do conselho da Allianz, o setor conta com 17 milhões de veículos segurados no Brasil em 2015, 38% de crescimento em relação ao ano anterior, o que representa cerca de 30% da frota circulante.
Outra boa notícia para a FenSeg é que o seguro popular, que aguarda regulamentação sobre o uso de peças certificadas em consertos, entra em consulta pública no dia 18, juntamente com o Universal Life”, contou Roberto Westenberger, titular da Susep. A expectativa é de os novos seguros, após um mês de sugestões do setor, passem a ser comercializado em 2016.
FENAPREVI – Além do andamendo dado ao Universal Life, a Fenaprevi aguarda ainda o Prev Saúde, ainda em discussão junto ao governo, informou Roberto Westenberg, titular da Susep. Neste ano, a previdência aberta nadou de braçada, batendo recorde de captação. Mas em 2016 o otimismo está mais modesto. Osvaldo do Nascimento e seu sucessor na presidência da Federação Nacional de Previdência Privada (FenaPrevi), Edson Franco, da Zurich, apostam que o segmento de previdência seguirá crescendo em 2016. “A crise faz as pessoas postergarem gastos, o que beneficia a poupança de longo prazo”, diz Franco, acrescentando que “é preciso ter calma neste momento e ter a certeza de que essa crise vai passar, pois não há uma crise das instituições e sim uma crise política”.
Ambos acreditam que pode haver queda no indicador de captação, mas as reservas seguirão com tendência de alta. Quanto ao mix de investimento, eles acreditam que a volatilidade esperada nos mercados financeiros levará as pessoas, em massa, para ativos de renda fixa. “Mas no Brasil tudo pode acontecer. Como as empresas brasileiras estão baratas em relação ao dólar, podemos ter algumas surpresas pelo caminho”, finaliza Nascimento.
Em relação a perda do selo de bom pagador do Brasil, “o maior prejudicado com o downgrade é o governo brasileiro”, responde ao ser questionado sobre os impactos do rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela Standard&Poors e Fitch. “O Brasil ficou mais caro e mais ineficiente, mas não é algo que ele não vá recuperar ao longo do tempo, com a adoção de uma politica fiscal superavitária”, explica Nascimento.
FENASAÚDE – Em saúde, o mercado vem se ajustando com o redesenho de contratos com as empresas. “Tem um mundo de oportunidades para desenvolvermos junto as empresas, que demandam redução de custos”, destacou Marcio Coriolano, presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), que será substituído pela diretora executiva da CNseg, Solange Beatriz. “Temos muitos desafios pela frente e seguiremos com a estratégia que temos adotado de alertar, conscientizar e colaborar com técnicos do governo, da Saúde ao Ministério da Fazenda”, explicou Solange, se referindo a melhoria do gerenciamento de risco de problemas que podem ser evitados, desde uma epidemia como a zika até de esclarecimento sobre os produtos que o setor já disponibiliza para mitigar riscos, como o seguro ambiental e de responsabilidade civil para administradores. Garfinkel disse que ter uma agenda positiva com o governo é uma das prioridades da CNseg e que para mudar o Brasil é preciso o esforço individual de todos, empresas e indivíduos.
FANECAP – Capitalização não conseguirá reverter a queda de 2,1% registrada no período janeiro a setembro, com arrecadação de R$ 15,7 bilhões. “Pelo que temos visto até novembro, o segmento deverá encerrar o ano estável”, comentou Marcos Barros, presidente da Federação Nacional das Empresas de Capitalização (FenaCap). As reservas cresceram 5,6% até outubro. “Embora não tenha arrecadação positiva, as reservas crescem. Isso mostra que as pessoas não estão sacando os recursos”. Parte da queda, segundo o executivo, se deu pela greve dos bancos. Já em 2016, Barros acredita que o ambiente requer projeções conservadores, com crescimento previsto em 4%. “A crise afeta, pois reduz renda e emprego, mas ela traz o beneficio de induzir as pessoas a pouparem mais”, aposta.


















