Vou colocar aqui um pouco do ”zum zum zum” das conversas em encontros de final de ano do setor. A medida que novas notícias forem surgindo, vou acrescentando neste espaço. Aceito colaborações sobre tendências e fatos que possam interessar ao mercado segurador. Em off ou em on.
– Nesta semana, executivos da BB Seguros se reúnem com os acionistas da Mapfre, na sede do grupo em Madri, Espanha. Na pauta, apresentar o fechamento de 2015 e buscar a aprovação para o orçamento de 2016. 2015 foi um ano bom para o grupo, com crescimento das vendas e da rentabilidade, considerando os resultados em reais. Convertidos em euros, se perde um pouco. Já 2016 é encarado com um ano realmente desafiador. Segundo fontes, a grande vantagem do grupo é que neste ano a seguradora ficou fora da guerra de preço, focando a rentabilidade. O que a deixa em vantagem diante de grupos que reduziram os preços e vão colher os resultados negativos desta prática em 2016. “Apesar de ser um ano com forte competição, alguns players estarão ocupados em equilibrar contas, enquanto nós poderemos seguir na nossa estratégia de praticar preços técnicos com a oferta de produtos e serviços diferenciados, que cada dia mais conquistam e fidelizam clientes qualificados”, disse um dos executivos que faz parte da comitiva que embarcou hoje para Madri.
– O carismático Zeca Rudge acaba de abrir um escritório na rua Hungria, refinado bairro na capital paulista, e vai dividir com a filha, a famosa blogueira de moda Lala Rudge. Ele acaba de voltar de Boston, onde fez cursos em Harvard sobre “conselheiro profissional”. Realmente ele é considerado um ícone em liderança. Comandou as equipes mais prósperas, desde a época de Nacional Seguros, passando por Unibanco, AIG, Unibanco AIG, Itaú. Contagiou duas gerações de executivos com senso de inovação e equipe, e que agora estão espalhados e comandando diversas empresas do setor.
– Seguradoras e resseguradoras já montaram uma grande equipe para administrar os pedidos de indenização do caso Samarco, responsável pelo maior dano ambiental do Brasil causado pelo vazamento da barragem de lama da mineradora em Minas Gerais. Todos já sabem que a liderança em seguros é da ACE, mas o contrato envolve outras seguradoras e várias resseguradoras. Trata-se de um grupo com quase 50 pessoas, entre subscritores, reguladores, inspetores e advogados, dedicados a agilizar o pagamento das indenizações que contam com cobertura de seguro. Esquema parecido só tinha sido montado no caso CSN, que envolvia elevados valores financeiros e diversas seguradoras e ressegurados e se arrastou de 2008 até 2013. Ainda prevalece a tradicional disputa. Os resseguradores pagam a maior parte da conta e por isso querem tomar a frente das negociações. Já as seguradoras afirmam que elas são responsáveis pelo contrato e devem estar a frente da negociação, pois qualquer problema é a imagem da companhia de seguros que será afetada.
– Vários executivos estão de olho no desenrolar das negociações do BTG Pactual. Algumas companhias tinham investimentos com o grupo, mas nada que seja significativo dentro da carteira de investimentos. O que mais interessa é a possível negociação do Banco Pan, controlado pelo BTG Pactual. Aparentemente não há interesse nas seguradoras e resseguradoras do grupo. E sim nos contratos. Olham com bons os contratos de seguros de empresas nas quais o grupo tem participação acionária. Afinal, o BTG tinha influência no seguros das empresas que controlava. Tanto do programa de grandes riscos como também de benefícios para os funcionários, como saúde, vida e previdência. Segundo fontes que pediram anonimato, clientes com seguro garantia já pediram para substituir o BTG na apólice.
– Todos querem ser parceiros do Bradesco em riscos patrimoniais. A disputa é grande e aumenta a cada dia. Apesar da aposta recair sobre a suíça Zurich, que tinha ofertado mais de US$ 5,6 bi para comprar as operações mundiais da RSA e declinou da oferta, o apetite da Swiss Re e da americana AIG também está guloso. Sem contar nas japonesas Tokio e Mitsui, com grande apreço pelo país, e da alemã HDI, que perde a rede do HSBC com a venda do banco para o Bradesco, e acaba de montar a HDI Gerling, especializada em grandes riscos. Um caso para acompanhar diariamente.


















