CONSEGURO: Desafios e tendências do mercado segurador são debatidos no primeiro dia do evento

12000966_1469093256453654_3378627717364567289_oFonte: CNseg

A 7ª Conferência Brasileira de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (Conseguro), reuniu hoje, em seu primeiro dia, no complexo World Trade Center, em São Paulo, mais de 800 pessoas, entre dirigentes do setor, especialistas nacionais e internacionais, autoridades e representantes do Governo. Durante a abertura do evento, o presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Marco Antonio Rossi, enfatizou que mesmo em um cenário econômico desafiador há oportunidades de crescimento. “O Brasil vive, reconhecidamente, um momento complexo, quando o mercado segurador se propõe a transmitir a mensagem na crença do país e na certeza da continuidade do desenvolvimento do setor. No primeiro semestre de 2015, o setor de seguros como um todo cresceu nada menos que 13,8% em comparação ao mesmo período de 2014. A título de retorno à sociedade, como indenizações, benefícios de previdência privada e resgates de capitalização, em 2014, as empresas do setor pagaram a seus clientes um montante na ordem de R$ 207 bilhões”, observou, destacando ainda que há necessidade de um movimento de realismo positivo de toda a sociedade.

A cerimônia de abertura da Conferência também contou com as presenças do secretário de Políticas de Previdência Complementar, Jaime Mariz de Faria Junior, do superintende da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Roberto Westenberger, do presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), José Carlos Abrahão, do presidente da Federação Nacional dos Corretores de Seguros Privados (Fenacor), Armando Vergílio, e dos presidentes das quatro federações que integram a Confederação (FenSeg, FenaPrevi, FenaSaúde e FenaCap).

Suporte econômico ao desenvolvimento do país

Durante o evento foram abordados temas sobre os desafios e oportunidades da indústria do seguro relacionados ao envelhecimento global, às tendências mundiais em regulação, aos riscos emergentes e à influência da tecnologia em escala global. Na ocasião, o superintendente da SUSEP ressaltou a importância da indústria do seguro como um agente do governo. “O governo quer um mercado segurador que seja, ainda mais, um suporte econômico ao desenvolvimento do país e que evolua nas mudanças e na quebra de paradigmas para termos um Brasil protagonista do mercado segurador internacional”, avaliou. Em linha com Westenberger, Marco Antonio Rossi sinalizou a importância do trabalho conjunto que a CNseg tem realizado com a SUSEP no sentido de fazer o seguro chegar a todas as camadas da sociedade brasileira, principalmente às classes C e D.

Outro tema que ganhou destaque durante o encontro foi a influência da longevidade e seu impacto em todos os setores da economia, e, diretamente na indústria do seguro, tanto nos aspectos de regulação como na criação e tipificação de produtos. Em paralelo, o secretário de Políticas de Previdência Complementar, Jaime Mariz de Faria Junior, falou sobre a necessidade de uma revolução previdenciária no país e citou que a solvência deste setor ultrapassa a casa dos 90%. “O Brasil está caminhando para um modelo previdenciário onde os sistemas públicos, complementar e privado se integram”, ressaltou, complementando que o brasileiro não possui cultura financeira.

Já a agenda internacional da Conferência contou com palestrantes que trouxeram uma visão holística para o setor, entre eles Chefe de Pesquisa em Demografia e Pensões Globais do Crèdit Suisse, em Londres, Amlan Roy. No painel “Como a demografia afeta o crescimento econômico”, ele analisa o mercado de seguros sob a ótica do crescimento demográfico. O palestrante reforçou que a análise demográfica não se resume à idade, considerando também os aspectos sociais e as características dos indivíduos.

Segundo ele, o ponto mais crítico no Brasil hoje é produtividade do trabalho. Roy alertou para o grande número de jovens desempregados, o que abala profundamente a economia, tendo em vista que se trata do grupo com perfil mais economicamente ativo. Em paralelo a essa questão, outro ponto defendido por Amlan Roy é a necessidade de aumentar o padrão de qualidade da saúde pública e privada nos países da América Latina. “A taxa de natalidade no Brasil está diminuindo, mas é preciso ressaltar que Argentina e Chile têm hoje mais idosos que o Brasil. O país precisa investir urgentemente em saúde para não desequilibrar a balança e, assim, diminuir os impactos econômicos futuros”, alertou.

Seguindo a linha de pesquisa de Amlan Roy e falando sobre envelhecimento global e aposentadoria em países emergentes, o presidente da Global Aging Institute, Richard Jackson, iniciou sua palestra dizendo que “o mundo se encontra no umbral de uma transformação demográfica impressionante chamada envelhecimento global”. Ele ressaltou que existem duas forças por trás da transformação demográfica: a taxa de natalidade em declínio e o aumento da expectativa de vida. Sobre o Brasil, Jackson apontou que a previsão para 2050 é que o país tenha 40 idosos para cada cidadão economicamente ativo. “Conforme a população envelhece, o país terá que reduzir a generosidade dos benefícios das pensões públicas. Ou seja, o Brasil precisará expandir o alcance dos sistemas contributivos de aposentadoria, estender a idade máxima laboral e preencher a brecha resultante na renda de aposentadoria dada com a expansão da provisão de pensões de capitalização”, explicou.

Encerrando a programação do primeiro dia do evento, o painel “Desafios e oportunidades associados ao Cadastro Ambiental Rural (CAR)” reuniu representantes do Ministério do Meio Ambiente, da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEPE), da Febraban e do mercado segurador. Francisco Gaetani, secretário executivo do Ministério, fez observações referentes às políticas ambientais sobre o uso do solo e disse acreditar que o CAR terá impacto positivo nos negócios do setor. “Precisamos reduzir as incertezas e os custos que envolvem os pilares do agronegócio no Brasil”, analisou, enfatizando que o país vive um momento de uma nova governança ambiental, mais próximo às tendências globais. Já Murilo Portugal, presidente da Febraban, falou sobre a importância do CAR para auxiliar a meta brasileira de redução de emissões até 2020. “Para o setor financeiro, criar bases robustas de informações é fundamental para que os serviços agropecuários possam ser valorados adequadamente”, observou, citando ainda que três milhões de pequenas e médias propriedades ainda precisam ser cadastradas no Brasil.

Em paralelo, Carla Beck, da FAEPE, trouxe para o evento uma visão sobre os impactos do CAR no produtor rural. “Estamos falando de um sistema nacional de formação obrigatória para todos os produtores rurais e que vai integrar todos os cadastros já existentes”, explicou reiterando ainda que, em um primeiro momento, o intuito do CAR é a regularização ambiental e não fundiária. Finalizando a mesa, Glaucio Toyama, diretor de Agronegócios do Grupo Segurador BB Mapfre, apresentou dados sobre os mais de cinco milhões de estabelecimentos rurais existentes no Brasil e que possuem alta relevância no PIB do país. “Hoje, 68 seguradoras operam com produtos relacionados ao seguro rural e apenas 10 oferecem serviços para o seguro agrícola. Certamente o CAR nos subsidiará com uma grande base de dados para que possamos trazer produtos mais adequados aos nossos clientes finais”, concluiu, alertando que apenas 15% deste segmento no Brasil é segurado.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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