Vulnerável a desastres, Nepal sofre com baixa penetração de seguros

nepal*Sophie Abraham

O Nepal é um dos países mais propensos a catástrofes no mundo. Os terremotos de magnitude 7,8 e 7,3 que atingiram recentemente a região marcaram o pior desastre natural em mais de 80 anos e deixaram evidente a vulnerabilidade do país. Embora as perdas econômicas ainda estejam em fase de avaliação, a destruição que o mundo testemunhou enfatiza um problema que o país precisa discutir com urgência: a insuficiência crônica de seguros está essencialmente ligada aos riscos que a situação se apresenta.

Segundo recente relatório feito pela Universidade nepalesa de Pokhara, estima-se que a taxa de penetração de seguro de vida e dos considerados de ‘não-vida’ no país em 2009/2010 era baixa, cerca de 2,77% e 1,84%, respectivamente.

Tais níveis insuficientes de seguros em áreas conhecidas pelo alto grau de exposição a riscos de catástrofes não são mais sustentáveis. É cada vez mais crescente ver a indústria de seguros, especialmente do setor financeiro, trabalhar em conjunto com representantes políticos e com a comunidade científica para encontrarem uma solução prática.

Estima-se que somente o primeiro terremoto possa ter causado US$ 3,5 bilhões em perdas econômicas até o momento. Apenas uma fração desse valor será coberto pelas seguradoras, como no caso da GIC Re, a maior seguradora do Nepal, que está arcando com parte do ônus das perdas seguradas.

A questão que agora se prolonga para o governo do Nepal é se esse terremoto desencadeará uma mudança de cultura e comportamento muito necessária na forma como o país considera questões sobre gestão de riscos. De acordo com o Relatório de 2015 de Avaliação Global sobre a Redução do Risco de Desastres (WCDRR), o Nepal ocupa um lugar de destaque entre os países cujo governo não tem reservas financeiras ou acesso a financiamento de contingência que permita a absorção de prejuízos, de recuperação e reconstrução após desastres. Se colocarmos de outra forma, o Nepal não tem capacidade financeira para absorver perdas que tenham impacto de 1 a 100 anos, que necessitem de valores estimados entre US$ 928 e US$ 3,3 milhões.

Com a ideia de arcar com valores tão surpreendentes, evitando colocar ainda mais pressão sobre a capacidade do sistema humanitário em fornecer ajuda de emergência, um pool de representantes do Sul da Ásia, seguindo a linha da organização ‘African Risk Capacity’, se uniu para buscar uma solução

prática para ajudar os Estados membros a se preparar e responder melhor aos terremotos e outras

catástrofes naturais na região.

A reunião do WCDRR culminou com a adoção do Programa Sendai para Redução do Risco de Desastres, que foi assinado por 187 estados membros da ONU e será a espinha dorsal da política internacional de resistência às catástrofes durante os próximos 15 anos.

Espera-se que com a atenção da comunidade internacional e as medidas que estão sendo tomadas para aumentar a consciência do risco e equipar melhor os países, organizações e cidadãos para lidar com a exposição ao risco de catástrofe, o próximo desastre não venha a causar tanta destruição na vida de pessoas e meios de subsistência.

*Sophie Abraham é analista para Prática de Política, Ciência e Capital da Willis Group

Sophie Abraão é Analista para Prática de Política, Ciência e Capital da Willis Group, em Londres. Ela trabalha em estreita colaboração com o Escritório das Nações Unidas para a Redução de Riscos de Desastres (UNISDR) e os setores financeiros e privados desenvolvendo e incorporando elementos de negócios para a concepção do “Quadro de Ação de Hyogo”, um quadro global para a redução do risco de desastres adotado por Estados-Membros das Nações Unidas. Seu objetivo primordial é construir a resiliência das nações e comunidades para catástrofes, conseguindo redução substancial de perdas de desastre.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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