BB Seguridade indica que prêmios encolherão em 2015

Fonte: Agência Estado

A BB Seguridade, holding que controla os negócios de seguros do Banco do Brasil, trabalha com um cenário de desaceleração suave de prêmios e arrecadações nos próximos trimestres, mas considera ser cedo para mexer em suas projeções de desempenho. O resultado financeiro deve continuar com relevância nos números das coligadas à medida que a taxa de juros continue em trajetória ascendente, mas não deve galgar uma posição muito superior ao patamar recorde de 31% alcançado ao final de março.

“De fato, o primeiro trimestre foi bastante positivo. Nosso retorno foi elevado e tudo indica que será um bom segundo trimestre, mas no meio do ano teremos sinais suficientes para alterar os guidances”, disse Werner Suffert, diretor financeiro e de RI da BB Seguridade, em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.

O lucro líquido da BB Seguridade cresceu 46,3% no primeiro trimestre em um ano, totalizando R$ 949 milhões. O número agradou a analistas do mercado, que já começaram a cogitar a possibilidade de uma revisão para cima. Isso porque a expectativa da holding é encerrar o ano com a última linha do balanço entre R$ 3,6 bilhões e R$ 3,9 bilhões, intervalo correspondente a um avanço de no mínimo 12% e no máximo 21%.

A possível revisão de suas projeções só vai se concretizar, de acordo com Suffert, caso a BB Seguridade identifique uma mudança relevante no desempenho das linhas projetadas. “Não faz sentido mudar a faixa de lucro, por exemplo, para R$ 3,8 bilhões a R$ 4 bilhões. Mais importante do que o número é a sustentabilidade do resultado”, explicou ele.

Sobre o baixo desempenho da BB Mapfre SH1, que responde pelos prêmios de vida, habitacional e rural, o executivo disse que o primeiro trimestre deste ano foi impactado pela ausência do programa pré-custeio da safra, realizado no mesmo período de 2014 e que antecipou contratações no seguro agrícola para o início do ano. Esse fluxo, segundo ele, deve ocorrer no segundo semestre, contribuindo para alcançar a meta de crescimento de 15% a 21% neste ano.

Em previdência privada, a BB Seguridade, conforme seu diretor financeiro, está bem tranquilo. As reservas de planos PGBL e VGBL cresceram 40,8% no primeiro trimestre ante um ano contra intervalo projetado de aumento de 27% a 36% em 2015. O período, porém, foi beneficiado por uma menor atividade em igual intervalo do exercício de 2014, quando o segmento ainda se recuperava dos reflexos que teve com a inversão da curva de juros que geraram saques no setor.

O crescimento de previdência privada tende a normalizar daqui para frente, de acordo com Suffert, uma vez que em abril do ano passado o setor já tinha retomado o patamar tradicional de arrecadações. Isso deve refletir no desempenho dos prêmios e contribuições ao longo dos próximos trimestres.

De janeiro a março, as receitas totais das coligadas de seguros, previdência e capitalização superaram a marca de R$ 13,5 bilhões no trimestre, registrando crescimento de 35% sobre o primeiro trimestre de 2014. “Esperamos um desaceleração suave mais em função da performance em 2014. O desempenho macroeconômico do País tem impacto, mas não é relevante, não muda projeções. Estamos em atenção com isso e disponibilizamos novos produtos para compensar”, afirmou Suffert.

A BB Seguridade encerrou março com R$ 7,765 bilhões em ativos totais, montante 14,6% maior que o registrado no mesmo intervalo do ano passado, de R$ 6,776 bilhões. O patrimônio líquido da companhia somou R$ 7,8 bilhões ao final de março de 2015, aumento de 14,6%. O retorno anualizado sobre o patrimônio líquido médio foi a 63,7%, expansão de 16,6 pontos porcentuais.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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