Convergir para o centro da meta é uma missão de todos e não de pessoas isoladas como o ministro da Fazenda ou o presidente do Banco Central. Depende de todos, defende o ex-ministro da Fazenda, Pedro Malan, durante sua exposição sobre o cenário econômico para uma plateia de aproximadamente 200 convidados da seguradora Tokio Marine, em evento dedicado ao debate de seguros para riscos empresariais.
A presidente Dilma Rousseff se dá conta que não tem alternativa e terá de fazer algo na área fiscal. “Já vemos sinais de reconhecimento de que a credibilidade foi abalada nessa área e é preciso recuperar. E quanto mais cedo isso acontecer, melhor. Isso abre espaço para discutirmos outros temas que não a macroeconomia nos próximos anos”, diz. Ele ressalta que as grandes batalhas de um país são tratadas no front doméstico. “Primeiro precisamos mostrar para nós mesmo que somos capazes de organizar o Pais. Depois, mostrar regionalmente que o Brasil é um parceiro respeitável e tem papel de liderança. Depois disso passamos a ter mais voz, com credibilidade, para influenciar a opinião e os negócios no mundo. Assim como a Tokio Marine apresentou aqui hoje para vocês o desejo dos acionistas, o plano de negócios para crescer”, comentou.
De acordo com o ex-ministro, o país tem problemas macros que vão ser equacionados a um determinado custo, com aumento de desemprego, impactos com os preços de commodities que não terão extraordinários desempenhos. “Mas não temos um problema derivado do contexto internacional”, afirma. A escolha é saber como crescerá. De forma organizada ou desorganizada. A primeira condição para enfrentar um problema é reconhecer que ele existe, disse, finalizando sua explanação em macroeconomia e iniciando abordagens setoriais.
Pré-sal, energia, saneamento. Esses são alguns dos problemas que o Brasil precisa rever para destravar os investimentos. São ajustes que têm de ser feito, com o consumidor sentindo no bolso, assim como de todo o governo e empresas. Boa parte, segundo ele, vai depender do ministro da Fazenda Joaquim Levy ter apoio na reforma fiscal que precisa ser feita. Tem um enorme potencial de investimento em infraestrutura, que precisam sanear as dúvidas que inibem o apetite dos empresários e investidores em aportarem recursos em projetos essenciais para o País. A grande questão é o tempo, diz, ressaltando os custos da transição e das mudanças.
“Eu tenho três filhos. Penso no Brasil que eles vão viver. É preciso pensar no Brasil adiante, a luz da experiência passada. Estou convencido de que vislumbrar os riscos, desafios, incertezas e oportunidades que o futuro nos trás depende do nosso entendimento. O passado não pode ser reescrito, mas pode ser reinterpretado para situar as questões do presente e do que pode ser feito para o futuro”, explica. “O tamanho da minha esperança é que o Brasil tenha liberdade individual, justiça social e eficiência. Sem a busca da competitividade internacional é difícil se chegar a uma sociedade mais igualitária”, afirma.


















