Síndrome de “mimimi” não têm cobertura de seguro de eventos

3O pop star Justin Bieber fez e aconteceu no curto período que passou no Brasil no início de novembro. Segundo a mídia, pichou muros, fez sinais obcenos para fotógrafos, deixou o hotel Copacabana por não poder entrar no recinto com garotas de programa entre outros comportamentos considerados “normais” para uma personalidade pública de 19 anos.

Não foram só as fãs e os seguranças que ficaram estressados com o jeitão do garoto. Executivos do mercado segurador também. Principalmente quando uma fã atirou uma garrafa em Justin durante o show em São Paulo. Machucou? Não. Pode continuar o show? Sim, comentavam os funcionários da produtora nos pontos de comunicação. Mas para a surpresa de todos, o astro ficou .. magoado? triste? De saco cheio? … e deixou o palco sem finalizar o show. Não se sabe o que aconteceu. A justificativa foi rotulada de “síndrome de mimimi” nos bastidores do evento.

A tensão dos executivos de seguros, até então bem tranquilos de não ter registro de tumultos pelo atraso de mais de uma hora para o artista entrar no palco, foi com a questão: será que os fãs vão pedir reembolso do ingresso? Afinal, pagaram por um show completo.

Bruno Amorim“Quando 60% do show é realizado, a praxe mundial no setor de entretenimento é que não se considera a hipótese de devolução de ingressos”, explicou Bruno Amorim (foto), diretor de comercial da corretora e consultora de riscos Aon, responsável por desenhar o programa de seguros para a promotora do evento de Justin. No caso do show de Justin, mais de 90% do show já tinha sido realizado, faltando apenas a última música e a mais esperada: Baby. As seguradoras que emitiram as apólices para os shows do Justin Bieber foram a Berkley (Responsabilidade Civil) e a Chubb (Acidentes Pessoais).

Porém, as mídias sociais logo trouxeram tranquilidade para a promotora do evento. Facebook, twitter e instagram foram invadidos por frases de amor, de repúdio e de pedido de desculpas a Justin pelo acontecido. I.C, uma adolescente de 12 anos, publicou em sua página no facebook: “Quem foi a fdp que tacou um objeto no meu baby !?????? Eu vou matar !!!!! Essa mina acabou com o show dele !!!! A musica mais esperada nao foi cantada !!!! Eu mato quem fez isso !!!”.

Assim sendo, ficou claro que não haveria pedidos de indenizações, que caso acontecesse, seriam arcados pela promotora do evento, uma vez que “mimimi” não estaria coberto pelo seguro conhecido como “no show”. Esse tipo de cobertura visa indenizar a promotora do evento em caso do artista não poder realizar o show por doença comprovada por médicos, acidente ou algo que o impeça de chegar ao local, como eventos da natureza, como uma forte chuva que deixa as vias interditadas, ou fechamento de aeroportos.

No caso da turnê de Michael Jackson, não realizada pela morte do pop star, as seguradoras teriam um grande desembolso para indenizar os fãs que já haviam comprado ingresso. Bilheteria esgotada, por sinal. No entanto, virou um objeto de desejo dos fãs manter o ingresso. Ou seja, uma expectativa de prejuízo transformada em lucro em função do amor do público pelo astro.

O atraso de 1h20 para entrar no palco também poderia ter causado tumulto. Se isso tivesse ocorrido, a seguradora tinha o compromisso de indenizar prejuízos causados. Tanto materiais como pessoais. “Neste caso o contrato é bem claro: paga-se. Mesmo que a culpa do tumulto tenha sido por um “gosto”do artista.

Ou seja, “mimimi” não está coberto na apólice de no show. Só “piriri”. Mas na apólice de responsabilidade civil, “mimimi” está coberto. Por isso, artistas que costumam ter ataques de “estrelismo”, pagam um preço mais alto pelo seguro. Como Elton John e Madonna, por exemplo. Já os que tem em seu estilo o respeito ao público, como Paul McCartney, U2, Bon Jovi, com entrada no palco no horário marcado, costumam ser disputados pelas seguradoras e, consequentemente, tem um custo menor para o contrato de seguro.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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