Fast Shop, Casas Bahia e Magazine Luiza já testam novas regras de garantia estendida

neival freitasSem qualquer surpresa quanto ao que vinha sendo discutido com o mercado segurador, a Resolução 296 do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), foi publicada no Diário Oficial da União. “A resolução está em linha com o que vínhamos debatendo com o grupo de trabalho formado por servidores da Superintendência de Seguros Privados (Susep), e da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e do Ministério da Fazenda”, informou Neival Freitas, diretor da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg). A nova regra poderá balizar a venda de outros produtos de seguros pelo varejo.

Segundo Freitas, a norma traz mais transparência na relação de todos os envolvidos: corretor, varejista, seguradora e consumidor. Esse segmento, que explodiu em vendas nos últimos cinco anos, lidera as queixas do mercado segurador. Entre as principais reclamações registradas nos órgãos de defesa do consumidor podemos citar o desconhecimento da compra do produto, o que revela a venda casada, e a dificuldade em obter o dinheiro de volta quando se descobria a inclusão do seguro no total da compra de um eletrodoméstico ou bens da linha marrom.

As seguradoras e as redes de varejo tem um prazo de 365 dias para adaptarem os contratos aos novos regulamentos. “Já vínhamos fazendo testes pilotos para testar sistemas e aperfeiçoar o atendimento ao consumidor em algumas lojas das redes varejistas. Com base nisso, acreditamos que as seguradoras estarão com os ajustes necessários mesmo antes do prazo determinado na Resolução”, afirmou o diretor da FenSeg ao blog Sonho Seguro. Casas Bahia, Magazine Luiza e Fast Shop estão entre as lojas com vendas dentro dos novos padrões em teste piloto em parceria com corretores e seguradoras Zurich e Garantech, parceiras da Casas Bahia, Assurant na Fast Shop e LuizaSeg, seguradora do Magazine Luiza em parceira com a Cardif.

O seguro de garantia estendida permite consertos e até trocas de produtos com defeito, num prazo maior do que o oferecido pelo fabricante. Entre as principais mudanças podemos citar a proibição das apólices coletivas, obrigando todos os contratos se transformarem em um seguro individual, e a proibição da venda casada, condicionando descontos ou mesmo a venda do produto da loja a compra do seguro.

varejoSerá preciso deixar claro o que o produto cobre. Há basicamente três tipos de seguros: com cobertura igual a dada pelo fabricante; cobertura com mais benefícios ao oferecido pelo fabricante; e cobertura com menor itens de proteção para tornar o preço mais acessível. Para tornar claro a compra do seguro, o valor tem de ser discriminado a parte. Um item importante, ressaltado por Freitas, é o segurado ter o direito de desistir do seguro no prazo de sete dias corridos, contados a partir da assinatura da proposta, no caso de contratação por apólice individual.

Outra novidade é a devolução do dinheiro. Se o consumidor desistir do seguro após o início do período de risco, a seguradora devolverá o valor proporcionalmente à razão entre o período de risco que falta e a cobertura que já foi feita. Em caso de sinistro, a seguradora tem até 30 dias para reparar, repor ou indenizar o segurado com o pagamento em dinheiro.

Mercado – O segmento de Garantia Estendida registrou vendas de R$ 1,9 bilhão entre janeiro e agosto de 2013, acima dos R$ 1,6 bilhão do mesmo período de 2012, crescimento nominal de 15,4%, segundo análise do consultor Luiz Roberto Castiglione. O estudo revela que a margem do produto passou a representar 22,7% dos prêmios ganhos contra 18,8% do ano passado. As reduções da sinistralidade retida e das despesas de comercialização justificam o aumento da margem. “Vale lembrar que essa modalidade está sendo alvo de questionamentos da SUSEP na parte que toca a distribuição. Nova Legislação poderá impactar no desempenho desse produto”, ressaltou. A líder de mercado é a Itaú Seguros com 48,7% das vendas totais (em 2012 era de 54,5%). Já São Paulo representou 72,7% das vendas totais (em 2012 era de 77,5%).

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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