Privacidade? Esqueça! Todos bisbilhotam tudo e todos. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, é acusado de invadir e-mails da presidente Dilma Rousseff e de grampear o celular da Primeira Ministra da Alemanha, Angela Merkel, o que mostra a revolução que a tecnologia trouxe para a vida pessoal e corporativa. A revolução promovida pela tecnologia foi tema da palestra “Distribuição/Canais Digitais”, do jornalista Ethevaldo Siqueira.
Se nem personalidades das nações mais poderosas do mundo estão livres de ter sua privacidade invadida, imagina o consumidor. Este é o ambiente que as empresas precisam entender para ofertar produtos e serviços sob medida. “É um mundo completamente novo, que todos precisam entender e compartilhar”, disse o especialista em mídias digitais para cerca de 500 executivos do mercado segurador.
O grande desafio é saber captar as informações que interessam e interpretá-las diante do grande volume de dados disponíveis na rede. Em 1992, a internet tinha 1 milhão de usuários; em 2012, chegou a 2 bilhões; e a previsão para 2023 é 7 bilhões. “O impacto da internet em nossas vidas será avassalador”, garante o jornalista de 82 anos, conhecedor e adepto das mais modernas tecnologias do mundo virtual.
O Big Data, soma de todos os dados digitalizados, é importante do ponto de vista de negócios para trabalhar dados de várias origens. Em 2012, o volume de dados armazenados nas nuvens superou 3,1 zettabytes – ou o equivalente ao conteúdo de 420 quatrilhões de livros. Desse total, menos de 1% dos dados é analisado e menos de 20% são protegidos.
E os números permanecem grandiosos quando o assunto são as mídias sociais. “Há mais de 2,5 bilhões de usuários nas três principais redes: Facebook, Twitter e Linkedin. E cerca de 35% de todas as fotos feitas no mundo são postadas no Facebook”, contabilizou Ethevaldo Siqueira.
Os brasileiros têm hoje o maior número de amigos nas redes sociais, com uma média de 560 pessoas, seguidos pelos japoneses, com 377 amigos, em média. A cada segundo são expedidas 100 mil mensagens pelo Twitter. Metade da receita do Facebook provém de dispositivos móveis. A cada segundo são postadas 48 horas de vídeo no Youtube.
Para participar desse mundo virtual, os brasileiros compram smartphones. O Brasil tem hoje 259 milhões de celulares. A estimativa é chegar ao final de 2013 com 280 milhões de aparelhos em serviço e, em 2025, com 400 milhões. No mundo, são 6,4 bilhões de celulares em uso. “Há mais celulares em serviços no mundo do que usuários de escova de dente”, informou Siqueira, citando um estudo da ONU.
Telefonia celular: Brasil é o quarto mercado do mundo
(dados de junho de 2013)
1º) China 1,101 milhão
2º) Índia 930 milhões
3º) EUA 344 milhões
4º) Brasil 259 milhões
5º) Indonésia 252 milhões
6º) Rússia 228 milhões
7º) Japão 135 milhões
Internet: a rede que conecta o planeta
(Número de usuários)
2005 – 1 bilhão
2010 – 2 bilhões
2014 – 3 bilhões
2019 – 5 bilhões
2023 – 7 bilhões
Rafael Rosas, superintendente de Marketing da Mongeral AEGON:
“Não há verdade absoluta, para canais digitais somos todos aprendizes. É incontestável que precisaremos fazer um investimento pesado em mídia, assim como os países da Europa e os Estados Unidos, para atingir níveis elevados de venda de seguro por canais remotos. No Brasil, antes de investirmos na venda precisamos criar um ambiente digital para difundir a cultura de seguros. Primeiro, a pessoa precisa ter conhecimento da importância do seguro, para depois ser sensibilizar pela oferta de produtos.”
Marco Antônio Antunes da Silva, vice-presidente de Operações da SulAmérica
“Não são as empresas que são digitais, o consumidor também é digital. O Brasil usa mais o celular, 59 minutos em ligações, do que a média mundial, que é de 49 minutos. E o uso da internet é de 89 minutos, em tablets ou smartphones. Isso mostra como é importante estar onde o consumidor estiver. É vital ter produtos e preços mais direcionados a esse consumidor, a cada dia mais criterioso. E precisamos considerar essa revolução tecnologia na subscrição de riscos. Na carteira de automóveis, por exemplo, 13% das batidas acontecem quando o motorista falava ao celular. Em saúde, o melhor médico é o Dr. Google, que tem respostas para tudo. E é preciso também investir na segurança das informações. A grande estratégia da seguradora é estabelecer os limites e os canais que quer oferecer ao cliente.”
Gilberto Lourenço da Aparecida, diretor Comercial da Brasilcap
“O mundo digital tem de ser entendido pelo off-line. As vendas eletrônicas já movimentam R$ 21 bilhões e tem 8 milhões de novos entrantes. Nos bancos, 39% das transações são executadas pela Internet. Já temos um contingente de usuários muito significativo no portal da companhia. No entanto, esse canal é usado para entender o cliente, tendo como foco o negócio futuro. O desafio é entender o comportamento para alavancar negócios. Na Brasilcap, é inexpressivo o volume de vendas pelos canais digitais, mas ele é uma ferramenta de fidelizar o cliente. O usuário quer simplicidade e o desafio do setor está em transformar a complexidade dos contratos em oportunidade de vendas na Web.
Eugênio Velasques, diretor da Bradesco Seguros
“Temos um desafio inexorável, que é explorar esse mundo apresentado por Ethevaldo. Muitas vezes ignoramos que o mercado financeiro cresceu com a tecnologia e não nos lembramos de alguns detalhes importantes. É um caminho sem volta, seja pela Resolução 294 da Susep, que criou a venda remota de seguros, seja pelo barateamento da operação, ou pela defesa da sustentabilidade ao evitar que milhões de árvores sejam eliminadas com a substituição de apólices e contratos em papel para a web. Temos clientes que querem comodidade e preço. Ele precisa ter meios para acessar o canal de compra e ter produtos viáveis. Se isso vai ser usado é uma decisão do cliente. O consumidor é quem vai definir como quer ser abordado, onde e como.”
Antonio Penteado Mendonça, consultor, advogado e jornalista
“Vamos precisar cada vez mais dessas ferramentas, embora ainda não saibamos ao certo como ela será usada. Cada companhia vai ter um desenho. Mas é certo que todas vão usar. Isso vai se transformar em diferencial de custo e de preço.”


















