A Transformação do Consumidor: respeitar, ouvir, atender e agradar

eduardo_gianetti_conseguroAtender ao consumidor na plenitude de suas necessidades é o caminho para o mercado segurador transformar em oportunidades os desafios que têm pela frente para chegar a 2025 com uma participação ainda mais representativa no dia a dia da sociedade brasileira. Por ser a saúde um dos principais desejos da população e também um dos produtos que têm gerado mais atritos entre consumidores e empresas, o segmento foi alvo dos dois palestrantes do painel “Transformação do Consumidor”, o primeiro debate do último dia da 6a Conseguro, que acontece em Brasília.

O economista e sociólogo Eduardo Gianetti enfatizou que é preciso vencer os desafios da regulamentação da saúde suplementar, que tirou o apetite das empresas em vender planos individuais. “Fico abismado com tantas dificuldades para se criar produtos de saúde individuais e familiares. Tem alguma coisa profundamente errada na forma como se fecharam as possibilidades desse mercado que é tão demandado pela população”, disse em sua palestra. “A regulamentação inviabiliza o interesse de todos e deixa milhões de famílias excluídas dos planos de saúde”, afirmou.

Para Gianetti, o mercado deve encontrar soluções para atender às necessidades da população. “É preciso criar um ambiente no qual cada empresa possa ofertar produtos para que o consumidor escolha o que mais atende às suas necessidades”.

Ele sugeriu que o mercado pense no longo prazo e reflita sobre as tendências permanentes que mudam a sociedade. E resumiu o tema em duas grandes megatendências: transição demográfica e mudança na composição de renda da sociedade brasileira, fatores que, segundo ele, criaram o ‘dividendo demográfico’. “Se queremos ser um país de alta produção e gerar renda para um contingente que vai para o topo da pirâmide, temos de investir em produtividade, pois de nada adianta trabalhar muito sem ter resultados eficientes”, alertou.

Para Gianetti, para se viver num cenário em que o consumidor tenha mais poderes, as empresas devem criar produtos melhores, com preços acessíveis e qualidade no pré e no pós-venda. Outra saída é investir na inovação, atraindo o consumidor com produtos revolucionários. “Mas a lei da concorrência faz com que o lucro diferenciado, obtido pela inovação, se esgote com os concorrentes superando o que era inovador”.

juliana_peres-conseguroA secretária Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça, Juliana Pereira da Silva, concorda com Gianetti. “Respeitar o consumidor é interessante para o país e agrega valor às companhias”, sintetizou.

Segundo ela, uma pesquisa mostrou que, no banco de dados que reúne 9 milhões de queixas, em cada grupo de dez pessoas que procuram o Procon nove tentaram resolver o problema com a empresa e não conseguiram”, afirma, acrescentando que o problema seria solucionado e custaria menos para a sociedade se fossem criados produtos responsáveis e se houvesse um atendimento de qualidade no pré e no pós-venda.

“Comprar um produto que não entrega o que promete tem um custo elevado. Há o custo do cidadão, que é obrigado a procurar um órgão regulador, e para a imagem da empresa, que fica arranhada com problemas como venda casada ou propaganda enganosa”, citou.

Para Juliana, as empresas, especialmente as do segmento de saúde, devem buscar confiança e transparência na relação com o consumidor que está cada dia mais poderoso. “Com o avanço das redes sociais, o consumidor reage na hora a qualquer desrespeito. A empresa que quiser sobreviver no futuro terá de criar uma relação de respeito, eliminando os subterfúgios para vender e praticando o bom senso. Essa deve ser a agenda do consumidor”, finalizou.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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