O consórcio formado pela Petrobras, a anglo-holandesa Shell, a francesa Total, e as estatais chinesas CNPC e CNOOC foi o único a fazer uma oferta e venceu o leilão do maior campo de petróleo já descoberto no Brasil no dia 21 de outubro. Uma das preocupações da sociedade é que não há ainda um plano de contigenciamento para ativar caso haja um acidente durante a exploração, como aquele que o mundo acompanhou no Golfo, envolvendo a British Petroleum.
Quais os riscos e qual seria o plano de contingência mais adequado para o campo de Libra, um dos mais promissores do mundo, com capacidade de oito a 12 bilhões de barris retirados do fundo mar? Para responder a essa questão, o blog Sonho Seguro foi procurar Felipe Smith, diretor executivo técnico da área corporate da Tokio Marine, uma das seguradoras mais especializadas na área de petróleo do mundo.
O que significa contingência de risco no caso da Libra? Como o mercado de seguros pode ajudar a criar esse programa? O que é levado em conta em outros países que estão se dedicando a exploração do pré-sal?
A ocorrência de mega-vazamentos no Golfo do México e aqui no Brasil, no campo de Frade, provocaram a necessidade de mudanças nos sistemas de segurança utilizados na indústria de Petróleo. Tais mudanças também atingiram o Brasil e certamente serão aplicáveis no campo de Libra.
Os órgãos envolvidos na fiscalização, segurança e regulamentação das operações de extração, como a Agência Nacional do Petróleo, o Ibama e a Marinha, estão envolvidos na implantação do Plano Nacional de Contingência para conter vazamentos de petróleo em alto mar. Um plano de contingência significa estar preparado para o pior cenário possível (danos materiais, vazamentos, atos de terrorismo etc…) com diretrizes e procedimentos bem definidos em casos de situações de emergência, para sanar os eventuais prejuízos e possibilitar a retomada das operações no menor tempo possível.
No âmbito operacional, as empresas operadoras tem adotado procedimentos de segurança mais rigorosos, como por exemplo o uso de redundância de equipamentos de proteção; utilização de 2 sistemas de prevenção de fluxo descontrolado (BOP), ao invés de apenas 1; redundância nos sistemas de posicionamento dinâmico, entre outros.
Vale salientar que a segurança e o detalhamento do plano de contingência de um campo do porte de Libra explicam-se pelos interesses geopolíticos envolvidos. Por exemplo, as empresas chinesas que participam do consórcio vencedor da licitação indicam claramente a preocupação do governo daquele País em ter garantias de fornecimento de energia para atender ao seu crescimento econômico.
As principais seguradoras e resseguradoras do mundo têm aderido aos protocolos mundiais de sustentabilidade e poderão exigir dos Segurados, no caso, as empresas de petróleo, a adoção das boas práticas de Segurança e proteção ambiental.
Além disso, poderão participar da elaboração de Planos de Continuidade dos Negócios (BCP, na sigla em inglês). Pelo resultado do leilão de Libra, no qual o consórcio ganhador é formado por pesos pesados no consumo de energia, como China, Inglaterra e França, que procuram acesso a fontes mais estáveis e seguras de fornecimento de energia, certamente haverá adesão aos protocolos e padrões de segurança e contingência nas operações dos poços do pré-sal.

















