Sistema de previdência privada do Brasil se destaca em conferência sobre América Latina

IMG_2808O sistema de previdência aberta brasileiro foi um dos exemplos mais citados no primeiro painel “Aposentadoria e Anuidades”, do segundo e último dia da 2013 Conferência Latino-Americana Limra Loma, realizado em Foz do Iguaçu, quando o assunto é produtos de previdência modernos e potencial de crescimento das vendas de planos de previdência complementar para uma classe média que já representa 50% da população do Brasil

Joseph Montminy, vice-presidente da LIMRA, abordou o funcionamento do mercado americano, enquanto Eduardo L. Cassese, consultor e aposentado pela MetLife, traçou um panorama dos sistemas previdenciários da America Latina. Ambos elogiaram o sistema de previdência do Brasil, que mescla o sistema oficial com sistema privado. Considerando-se os fundos privados e estatais, abertos e fechados, o Brasil contabiliza apenas US$ 600 bilhões. Sendo US$ 200 bilhões dos fundos de previdência aberta e o restante dos fundos fechados. Um volume muito pequeno considerado as trilhões de dólares do mercado Americano, no qual a previdência tem um peso equivalente a um PIB anual dos Estados Unidos, que ultrapassa US$ 17 trilhões.

IMG_2810Cassese ressaltou o produto PGBL, muito similar ao um dos planos mais vendidos nos Estados Unidos, o 401K. Segundo ele, o benefício do diferimento fiscal é algo importante e que pode convencer muitas pessoas a ingressarem no sistema de previdência voluntária. “O Brasil tem também um grande número de trabalhadores informais que podem ingressar no mercado, o que potencializa o volume de negócios que pode ser fechado pelas empresas de previdência e seguros nos próximos anos”, afirmou o consultor.

No entanto, sugere ele, é preciso levar o produto para outros canais de distribuição, uma vez que atualmente a grande massa das contribuições arrecadas pelas empresas é captada nas agências bancárias. “12 milhões de pessoas contribuindo para a previdência privada é um bom número, mas é possível elevar em muito esse mercado considerando-se que a classe média brasileira cresceu e ainda promete crescer muito”, afirmou.

A sugestão de Cassese é treinar equipes de vendas para variados canais alternativos de distribuição. “Obviamente que é preciso mudar o processo de vendas e adaptar os produtos para a realidade de cada canal de comercialização e público alvo que ele visa atingir”.

Montminy trouxe ao público presente, cerca de 500 executivos de seguros, as principais tendências de previdência nos Estados Unidos. Falou sobre os planos de anuidade, que tiveram quase duas décadas de vendas em alta, ciclo interrompido com a crise financeira de 2008.

As anuidades são dividas basicamente em três nichos, que juntam acumulam ativos de US$ 20 trilhões. Anuidade variável é o maior segmento, com captação mensal de US$ 147 bilhões. O produto aplica em diversos ativos, como bolsas, títulos do governo, fundos mútuos entre outra infinidade de ofertas do mercado financeiro. O anuidade fixa, com garantia mínima de taxas de juros. E o “payout”, que fornece renda, semelhante ao modelo chileno, e que tem um pequeno market share do total do segmento.

No auge das vendas de anuidades, os clientes pediram aos consultores que queriam mais garantias para apostarem parte de suas poupanças privadas no produto. Com vendas em alta e muito competitivo, as empresas cederam e ofertaram muitas vantagens. Com a crise de 2008, o mercado percebeu que abusou das garantias e passaram a adequar as ofertas ao novo cenário mundial, com volatilidade dos mercados financeiros e taxas de juros nos patamares mais baixos já registrados na história do país.

No Brasil, a anuidade é um produto que praticamente não existe, pois aguarda uma regulamentação que estimule a venda, seja com incentivos fiscais, seja com possibilidade de aplicar as reservas de forma mais realista com o atual cenário financeiro. Segundo concluíram os palestrantes, há um grande mercado para explorar nos EUA, assim como nos países da América Latina, pois boa parte da população está fora da métrica de ter uma poupança que garanta uma renda na aposentadoria próxima de 75% da renda na ativa. Mas para isso temos de treinar equipes de vendas para chegar ao maior número possível de indivíduos. “Temos de investir em educação financeira e também em reformas regulatórias”, alertaram os palestrantes.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

1 COMENTÁRIO

  1. This is what I did for my dissertation and this is exactly what I recommend my students to do. I believe in reading an article once & taking notes once…thanks for spelling it out exactly step by step.

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