Alper quer triplicar volume de prêmios com expansão de rede de corretores parceiros

Corretora pretende chegar a todas as capitais brasileiras até março de 2027 e ampliar presença para cerca de 110 localidades até o fim do ano. Plano tem apoio financeiro do fundo Warburg Pincus e prioriza corretores especializados

A disputa pelos corretores de seguros ganha uma nova dimensão no mercado brasileiro. Além das seguradoras, que vêm ampliando investimentos em tecnologia, atendimento e relacionamento para conquistar a preferência desses profissionais, grandes corretoras e assessorias também estão fortalecendo suas redes de distribuição. É nesse cenário que a Alper Seguros anunciou nesta quarta-feira, 28 de outubro, um programa de expansão nacional que pretende triplicar o volume de prêmios gerados por sua rede de parceiros, atualmente superior a R$ 1 bilhão.

O projeto foi apresentado pelo CEO da Alper, Marcos Couto, durante coletiva de imprensa. A companhia, que possui 29 escritórios distribuídos pelas cinco regiões brasileiras, pretende estar presente em todas as capitais até o primeiro trimestre de 2027 e alcançar cerca de 110 localidades até dezembro do próximo ano. A estratégia contempla cidades com mais de 250 mil habitantes e será executada principalmente por meio de parcerias com corretoras independentes.

A iniciativa representa uma nova etapa da Alper Network, estrutura de distribuição desenvolvida nos últimos três anos e que já responde por mais de R$ 1 bilhão em prêmios de seguros. A primeira fase foi concentrada nas principais capitais e centros econômicos. Agora, a companhia pretende avançar para mercados regionais, aproveitando a carteira de clientes e o conhecimento local de corretores especializados.

“Minimamente, a gente acha que pode triplicar esse volume”, afirmou Couto, ao comentar a expectativa de crescimento dos negócios gerados pela rede.

O diferencial do modelo está na complementaridade de produtos. A Alper procura corretoras que concentrem entre 70% e 80% de sua produção em um ou dois ramos de seguros, como transportes, benefícios, garantia, frotas ou riscos patrimoniais. Ao ingressar na rede, esses profissionais passam a contar com a estrutura técnica e comercial da companhia para oferecer outras modalidades de cobertura aos clientes que já atendem.

A proposta é ampliar a receita dos parceiros sem substituir sua atuação nos segmentos em que já possuem especialização. Um corretor com carteira consolidada em transportes, por exemplo, poderá comercializar seguros de saúde, responsabilidade civil ou riscos empresariais com apoio das equipes da Alper.

A companhia possui mais de 1.300 colaboradores e estruturas especializadas em diferentes segmentos. Segundo Couto, essa capacidade permite oferecer aos parceiros uma operação multiproduto sem que precisem contratar equipes próprias para cada modalidade.

Modelo de cocorretagem preserva relacionamento com o cliente

A expansão será realizada por meio do Alper Partner, programa que integra a Alper Network. A companhia lançará um portal para receber inscrições de corretoras interessadas em participar da rede. Os candidatos passarão por um processo de avaliação, que levará em conta principalmente sua especialização e presença nos mercados locais.

Não haverá necessariamente exclusividade territorial. Uma mesma cidade poderá contar com vários parceiros, desde que atuem em segmentos diferentes ou complementares.

No modelo de cocorretagem, o corretor parceiro permanece identificado na apólice e recebe sua parcela de comissão diretamente da seguradora, sem trânsito financeiro pela Alper. A estrutura busca preservar a autonomia comercial do profissional e permitir que ele amplie sua oferta de produtos.

O crescimento da rede também poderá abrir caminho para futuras aquisições. Couto citou o caso da Transbroker, corretora especializada em transportes que iniciou seu relacionamento com a Alper como parceira, ampliou a atuação em outros segmentos e posteriormente foi adquirida pela companhia.

A aquisição, porém, não é condição para participar do programa. A prioridade inicial é ampliar a presença comercial por meio de parcerias estratégicas, sem necessidade de comprar operações em cada nova localidade.

Warburg Pincus garante recursos para expansão

O plano de crescimento conta com o suporte financeiro dos acionistas da Alper, especialmente o fundo americano de private equity Warburg Pincus, que assumiu o controle da corretora em 2023, em uma operação de R$ 850 milhões. A companhia deixou a bolsa de valores em 2024 e atualmente tem como acionistas o Warburg Pincus, o fundo brasileiro Axxon Group e os executivos Marcos Couto e André de Barros Martins.

Segundo Couto, a empresa dispõe de mais de R$ 400 milhões destinados a investimentos, recursos anunciados anteriormente e que vêm sendo utilizados para sustentar aquisições e projetos de expansão.

O executivo explicou que a nova fase da Alper Network não exige investimentos da mesma magnitude das operações de compra de corretoras, uma vez que utiliza uma estrutura de gestão e atendimento já existente. Os desembolsos estarão concentrados principalmente na ampliação das equipes e na capacidade de suporte aos novos parceiros. “Esse aqui é um projeto de expansão orgânica. Todo o capital é garantido pelos nossos investidores atuais”, afirmou.

A estrutura da Alper Network já conta com vice-presidência, diretorias e gerências dedicadas ao relacionamento e desenvolvimento dos parceiros. O dimensionamento das equipes acompanhará a entrada de novas corretoras na rede.

O modelo combina crescimento orgânico com a possibilidade de consolidação futura. Ao estabelecer relacionamentos comerciais antes de uma eventual aquisição, a Alper passa a conhecer a carteira, a capacidade de produção e o potencial de diversificação dos parceiros.

Inteligência artificial terá nova etapa de investimentos

Paralelamente à expansão comercial, a Alper prepara uma nova fase de seu projeto de inteligência artificial, que deverá ser anunciada em breve. A companhia contratou há cerca de três meses João Fornari para liderar a agenda de tecnologia e dados, com foco na aplicação de IA aos processos de negócios.

Atualmente, os colaboradores já contam com acesso ao Gemini, ferramenta de inteligência artificial utilizada em atividades que vão de pesquisas à execução de tarefas operacionais e comerciais.

A estratégia busca ganhos de eficiência, produtividade e segurança da informação, sem eliminar o papel do corretor na distribuição de seguros. Para a companhia, a transformação tecnológica exigirá também que os parceiros mantenham uma infraestrutura digital adequada às novas demandas do setor.

O avanço da Alper evidencia uma mudança na competição pela distribuição de seguros no Brasil. O corretor independente, tradicionalmente disputado pelas seguradoras, passa a ser também o centro das estratégias de crescimento das grandes plataformas de corretagem.

Para essas empresas, ampliar a rede significa aumentar o acesso a clientes, diversificar receitas e ganhar escala sem depender exclusivamente de aquisições. Para os corretores, a proposta é transformar relacionamentos comerciais já existentes em oportunidades de negócios em outros ramos de seguros.

Com a meta de triplicar os prêmios gerados pelos parceiros, a Alper pretende converter sua presença nacional em crescimento de produção, consolidando a Alper Network como um dos canais de expansão da companhia.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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