92% veem INSS como insuficiente, e 6 em cada 10 querem renda mensal na  aposentadoria, revela pesquisa da Icatu Seguros

A percepção de que somente a renda do INSS não será suficiente para manter o padrão de vida na aposentadoria já é praticamente consenso entre os brasileiros. Pesquisa nacional realizada pela Icatu Seguros, em parceria com a Conversion, agência especializada em dados, SEO e inteligência de comportamento digital, mostra que 92% dos entrevistados acreditam que a previdência pública será insuficiente para garantir estabilidade financeira no futuro. Apesar disso, a preocupação ainda não se converte em planejamento concreto. Segundo o levantamento, 62% dos entrevistados afirmam não possuir previdência privada.

“A previdência social é base essencial para a aposentadoria dos brasileiros. Mas, para manter o padrão de vida e garantir mais segurança no futuro, é importante que cada pessoa tenha também uma estratégia de planejamento individual. A aposentadoria precisa ser construída muito antes do último dia de trabalho”, afirma Henrique Diniz, diretor de Previdência da Icatu Seguros.

Brasileiro quer previsibilidade, mas ainda não sabe quanto precisa acumular

A pesquisa mostra que a maior parte dos entrevistados já percebe a necessidade de se preparar financeiramente, mas ainda tem dificuldade para dimensionar esse desafio. Entre os participantes, 58% afirmam ter uma noção aproximada de quanto precisariam receber por mês para manter o padrão de vida na aposentadoria; 28% dizem saber estimar esse valor com precisão; e 14% admitem não conseguir projetar a renda necessária.

Para Diniz, o dado indica que o principal obstáculo deixou de ser apenas a falta de consciência sobre a aposentadoria. “O brasileiro sabe que precisa se preparar, mas muitas vezes não consegue transformar essa preocupação em uma estratégia financeira estruturada. É nesse ponto que orientação, educação financeira e acesso a soluções adequadas fazem diferença”, afirma.

O estudo também revela que a aposentadoria ainda é fortemente associada à busca por estabilidade. Entre os entrevistados, 63% afirmam preferir receber uma renda mensal no futuro, em vez de sacar todo o patrimônio acumulado de uma só vez. Outros 24% dizem preferir retirar os recursos aos poucos, conforme a necessidade. Apenas 8% gostariam de receber todo o valor de uma vez.

Esse comportamento já começa a aparecer também nos dados da Icatu Seguros. A procura por conversão do valor acumulado em renda atingiu recorde histórico em 2025, com crescimento de 47% em relação a 2024. 

“Durante muito tempo, a previdência foi vista quase exclusivamente pela ótica da acumulação. Hoje, cresce a percepção de que o grande objetivo do planejamento financeiro é transformar patrimônio em renda previsível, capaz de sustentar a vida na aposentadoria”, diz Diniz.

Medo de faltar dinheiro domina as preocupações

A insegurança financeira aparece como o principal temor dos brasileiros em relação à aposentadoria. Segundo a pesquisa, 78% das preocupações mencionadas estão ligadas diretamente à possibilidade de insuficiência de recursos no futuro.

Entre os receios mais citados estão precisar de dinheiro para emergências, mencionado por 30% dos entrevistados; não ter renda suficiente para as despesas do dia a dia, apontado por 24%; e ver o dinheiro acabar antes do fim da vida, preocupação de 23%.

Geração X e mulheres acendem alerta

O levantamento mostra um ponto de atenção entre pessoas de 45 a 60 anos, faixa etária mais próxima da aposentadoria. Mesmo nesse grupo, apenas 18% afirmam já ter uma reserva significativa para o futuro. A maior parte declara ter acumulado pouco patrimônio ou ainda estar distante do necessário para se aposentar com tranquilidade.

A pesquisa também aponta diferenças relevantes entre homens e mulheres. Entre elas, 29% afirmam ainda não ter começado a se preparar financeiramente para a aposentadoria, percentual superior ao observado entre os homens, de 14%. Os resultados também indicam que as mulheres tendem a discutir aposentadoria principalmente dentro do núcleo familiar, enquanto eles ampliam mais essas conversas para assessores financeiros, gerentes de banco e especialistas.

Previdência privada ainda se concentra nas rendas mais altas

O estudo também evidencia a relação direta entre renda e acesso à previdência privada. Entre famílias com renda superior a R$ 28 mil mensais, 71% afirmam possuir previdência privada. Nas faixas de renda mais baixas, a presença do produto é significativamente menor.

Para Diniz, o dado reforça a necessidade de ampliar a discussão sobre planejamento financeiro para diferentes perfis de renda. “O desafio do país não é apenas ampliar o acesso a produtos financeiros, mas tornar o planejamento de longo prazo mais compreensível, acessível e conectado à realidade de cada pessoa”, conclui.

Metodologia

A pesquisa foi realizada em maio de 2026, com 500 pessoas conectadas à internet, de todos os estados do Brasil.

Abrangência: nacional

Perfil da amostra:

Gênero: 60% mulheres e 40% homens

Idade: respondentes a partir de 18 anos

Regiões: Sudeste, Nordeste, Sul, Centro-Oeste e Norte

Situação profissional: empregados, desempregados, autônomos, estudantes, aposentados, entre outros perfis

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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