CNseg: audiência pública na ALMG defendeu obrigatoriedade de cobertura securitária para municípios

Evento destaca mercado que movimenta mais de R$ 760 bilhões no Brasil

O mercado de seguros desempenha papel estratégico como indutor de desenvolvimento socioeconômico, gerador de empregos e promotor de estabilidade financeira. Esse foi o foco de debates entre especialistas e parlamentares na audiência pública realizada nesta quarta-feira (8) pela Comissão de Desenvolvimento Econômico da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

O encontro, solicitado pelo deputado estadual Rafael Martins (PSD), buscou demonstrar caminhos para disseminar a “cultura do seguro” no Brasil e ampliar o acesso ao setor, inclusive na esfera pública. O setor de seguros movimentou cerca de R$ 700 bilhões no Brasil no último ano, o equivalente a 6% do PIB nacional, com Minas Gerais respondendo por 9,2% desse montante. Do total arrecadado no País, cerca de 70% retornaram à sociedade como indenizações na forma de sinistros pagos. O setor também sustenta mais de 400 mil empregos (diretos e indiretos) e detém R$ 2 trilhões em reservas, sendo mais de 90% aplicados em títulos públicos. 

Atualmente, o país conta com 22 milhões de veículos e 13 milhões de residências seguradas. Apesar do volume expressivo, o diretor de relações institucionais da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Hailton Madureira, destacou que é um grande desafio a inclusão do setor na proteção e no desenvolvimento socioeconômico do país, principalmente para proteger as pessoas em diversas localidades diante das mudanças climáticas.

“Quando foi perguntado: ‘Como é que a gente pode desenvolver seguro para tornar as cidades mais protegidas?’, eu dou o exemplo do seguro rural no governo federal. Os agricultores contratam o seguro rural e o governo federal dá um subsídio, ele paga um pedaço do seguro rural. É um formato. Agora, uma outra forma de incluir essa proteção seria um seguro habitacional de alagamento, que é um jeito de proteger as cidades, com os setores privado e público trabalhando juntos”, disse.

Segundo ele, os municípios poderiam contratar seguro, por exemplo, para escolas. “Pois, quando tem uma enchente, elas estão protegidas? Às vezes, o município, se o governo do estado não apoiar, vê-se sem capacidade de colocar a escola para funcionar no dia seguinte por falta de recurso. Então, acho que os municípios podem, junto com o sindicato dos corretores daqui, ajudar a viabilizar vários tipos de proteção, incluindo o seguro para pontes, escolas, hospitais, entre outros bens públicos com proteção securitária”, afirmou.

O presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros e Capitalização de Minas Gerais (Sincor-MG), Gustavo Pereira Bentes, alertou que a participação do setor no PIB nacional está abaixo da média de 10% registrada em países desenvolvidos. Relembrando as recentes tragédias causadas por chuvas na Zona da Mata mineira, Bentes propôs a criação de uma legislação que torne obrigatório o seguro de cidades e equipamentos públicos, amparado por dotação orçamentária específica. “O seguro precisa chegar antes que a tragédia aconteça. Sabemos que elas vão ocorrer, só não sabemos quando, nem onde”, afirmou.

A urgência de cobertura no setor público foi reforçada por Andréia dos Reis Padovani, presidente do Sindicato das Empresas de Seguros Privados, de Resseguros e de Capitalização (SindSeg-MG/GO/MT/DF). Ela destacou que, nos temporais de 2024 no Rio Grande do Sul, dos R$ 100 bilhões apurados em prejuízos, apenas 6,8% estavam amparados por companhias seguradoras. “O resto caiu nas costas da sociedade porque precisou ser bancado com recursos públicos”, criticou, lembrando o impacto prolongado e a “cauda longa” de catástrofes como as das cidades mineiras de Mariana e Brumadinho.

Prevenção e legislação

O deputado Rafael Martins informou que tramita na ALMG uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de sua autoria, que prevê a destinação obrigatória de 5% das emendas parlamentares para a prevenção de desastres, verba que poderia viabilizar a contratação de seguros protetivos pelo poder público.

Além da proteção contra sinistros físicos, o debate sublinhou a importância do mercado privado de forma complementar às obrigações do Estado. João Paulo Moreira de Mello, presidente do Clube de Seguros de Pessoas de Minas Gerais (CSP-MG), explicou que a essence do setor baseia-se no mutualismo e que o mercado atua de forma essencial na saúde suplementar e na previdência privada, uma vez que os sistemas oficiais (SUS e Previdência Social) não conseguem absorver integralmente e de maneira isolada todas as demandas sociais.

O cenário de regulação de modalidades similares também esteve em pauta na ALMG no início da semana, quando a Comissão do Trabalho discutiu o aprimoramento de projeto de lei federal para regulamentar a atividade de planos de proteção veicular e dar garantias contratuais e previdenciárias para os consultores patrimoniais mutualistas.

Durante o evento, foi lançado o vídeo institucional do Projeto “Cidades Protegidas”, idealizado pelo Sincor-MG, que destaca o projeto-piloto na cidade de Diamantina — escolhida por seu patrimônio histórico de valor inestimável. A iniciativa pretende percorrer os municípios mineiros para sensibilizar cidadãos, empreendedores e gestores públicos sobre a importância da proteção securitária preventiva.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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