Tensões geopolíticas tornam-se um riscos sistêmico, aponta Gallagher

A escalada das tensões geopolíticas globais deixou de ser um evento regional isolado para se tornar um risco sistêmico com impacto direto no mercado de seguros e resseguros. De acordo com análises da Gallagher Brasil, baseadas nos relatórios globais Structured Credit & Political Risk (SCPR) e “Caught in the Crossfire”, o setor vive uma mudança de postura: o risco geopolítico agora é parte integrante da agenda estratégica de CEOs e influi diretamente na precificação de riscos corporativos complexos.

De acordo com Luiz Araripe, Country Manager da Gallagher no Brasil, o mercado global passou a tratar conflitos e instabilidades internacionais como fatores permanentes, e não mais como exceções. “O que observamos não é uma reação abrupta, mas uma mudança clara de postura e maior disciplina na aceitação de riscos. O risco geopolítico influencia diretamente as premissas de subscrição e os cenários de estresse utilizados por seguradoras e resseguradoras. Na prática, a precificação reflete uma maior cautela, sobretudo em riscos corporativos com exposição internacional e dependência de cadeias globais de suprimento”, afirma Araripe.

Para no que se refere ao mercado brasileiro, os efeitos são predominantemente indiretos, mas ainda assim extremamente relevantes para a gestão local. Rodrigo Protasio, CEO da Gallagher Retail no Brasil e especialista em Grandes Riscos, destaca que a volatilidade financeira e a pressão sobre os preços das commodities geram um efeito cascata. “Conflitos prolongados pressionam o preço do petróleo e ampliam os custos de energia, alimentando a inflação global. Isso impacta o setor de seguros ao elevar custos de sinistros e valores segurados. Nas renovações de grandes contratos, o processo tornou-se muito mais técnico e detalhado. Há uma exigência maior por informações e discussões profundas sobre exposição indireta antes da definição de limites e franquias. O mercado não está necessariamente retraindo capacidade, mas está muito mais criterioso”, explica.

O relatório SCPR Market Report da Gallagher revela ainda um crescimento consistente na demanda por soluções de Risco Político, Frustração de Contrato e Não Pagamento. Atualmente, a capacidade do mercado global para esses riscos alcançou cerca de US$ 3,5 bilhões por risco, o que indica um mercado ainda funcional e capitalizado, apesar da alta procura.

No cenário doméstico, Protasio alerta para a necessidade de revisão de programas vigentes. “Toda essa volatilidade do preço do petróleo pode impactar custos de frete, preços de mercadorias e estoque (produtos acabados), além de que pode haver uma pressão sobre os custos de matéria-prima, devido a todo o impacto da guerra sobre as cadeias de suprimentos globais.

Isso tudo pode levar ao subseguro, onde o valor da apólice não acompanha o custo real de reposição de ativos. É fundamental que as empresas antecipem cenários para proteger sua continuidade operacional em um ambiente global cada vez mais volátil”, conclui o executivo.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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