Seguradoras cancelam apólices e aumentam preços de seguros para navios no Golfo Pérsico

Fonte: Financial Times

Seguradoras especializadas em riscos de guerra enviaram, neste sábado, avisos de cancelamento de apólices que cobrem navios que transitam por esse importante ponto de estrangulamento do petróleo, disseram corretores ao Financial Times. Os preços devem subir até 50% nos próximos dias.

A medida incomum de enviar esses avisos, antes da retomada das negociações na segunda-feira, ressalta a rapidez da escalada após o Irã lançar ataques retaliatórios contra bases americanas no Oriente Médio.

Os preços dos seguros para navios que transitam pelo Golfo Pérsico eram de cerca de 0,25% do custo de reposição de uma embarcação. Agora, eles podem subir até a metade, disse Dylan Mortimer, líder de seguros de casco marítimo para guerra no Reino Unido da corretora Marsh, ao Financial Times.

Para uma embarcação de US$ 100 milhões, isso significaria um aumento de US$ 250.000 para US$ 375.000 por viagem.

Os custos de seguro para navios que passam por portos israelenses, que representavam cerca de 0,1% do custo de uma embarcação antes dos recentes ataques, também podem aumentar em até 50%, disse Mortimer, enquanto as seguradoras se preparam para possíveis represálias do Irã.

A maior preocupação entre as seguradoras é se o Irã fechará o Estreito de Ormuz, afirmou Mortimer. As seguradoras também estão considerando a possibilidade de grupos armados apoiados pelo Irã tentarem abordar e apreender navios, acrescentou.

“Se Israel e os EUA continuarem a atacar o Irã… é mais provável que o Irã comece a tentar usar seu controle para manipular o transporte marítimo na região”, disse Mortimer.

Seguradoras de risco de guerra para cargas — que cobrem mercadorias transportadas em navios-tanque, como grãos e petróleo — também disseram que estavam se preparando para cancelar apólices na segunda-feira, informou outro corretor.

Após o cancelamento de apólices, esperava-se que as seguradoras renegociassem a cobertura a preços mais altos, disseram corretores, em vez de negar cobertura para os navios que navegassem na região.

Alguns donos de barcos também estão evitando o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo bruto mundial.

Neste sábado, pelo menos três navios evitaram o estreito, em vez de atravessá-lo, enquanto os donos de navios avaliavam o risco de serem atacados na estreita via navegável.

A EOS Risk, uma empresa de consultoria, também afirmou que alguns navios receberam o que parecia ser um aviso por rádio da Guarda Revolucionária Iraniana de que o estreito estava agora fechado à navegação.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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