CNseg: mudanças climáticas exigem nova abordagem do seguro habitacional, concluem especialistas 

Evento promovido pela FenSeg, em parceria com ENS e CNseg, reuniu representantes dos mercados de seguros, tecnologia e análise de riscos para discutir estratégias de adaptação diante do aumento dos eventos extremos

O aumento da frequência e da intensidade dos eventos climáticos impõe ao mercado segurador o desafio de aperfeiçoar modelos de avaliação de riscos, incorporar novas tecnologias e fortalecer a cultura da prevenção. Esse foi o principal consenso do encontro “Seguro Habitacional e Eventos Climáticos: Desafios e Oportunidades”, promovido nesta terça-feira (28), em São Paulo, pela Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), com apoio da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e da Escola de Negócios e Seguros (ENS).

Na abertura do evento, o diretor executivo da FenSeg, Danilo Silveira, destacou que o risco é a própria matéria-prima do setor segurador e que a crescente exposição a eventos extremos exige uma evolução permanente dos modelos de análise e precificação. A presidente da Comissão de Seguro Habitacional da FenSeg, Elaine Fraqueta, reforçou que o debate sobre mudanças climáticas deixou de ser uma discussão de futuro para se tornar uma necessidade presente para o setor.
 

“Os eventos climáticos extremos exigem uma visão cada vez mais integrada do risco, baseada em prevenção, conhecimento técnico, inovação e uso inteligente de dados. O Seguro Habitacional tem um papel cada vez mais relevante na proteção das famílias, dos imóveis e da própria estabilidade do sistema de financiamento habitacional.”

Ao longo da programação, especialistas dos segmentos de resseguro, tecnologia e análise de riscos apresentaram ferramentas, tendências e experiências que apontam para uma transformação estrutural na forma como o mercado gerencia os riscos climáticos.
 

CEO da Guy Carpenter Brasil, Pedro Farme defendeu que o setor precisa substituir a lógica tradicional de precificação baseada exclusivamente em dados históricos por modelos capazes de antecipar cenários futuros. Segundo ele, proteger riscos climáticos significa também preservar a capacidade de funcionamento das cidades e ampliar sua resiliência diante de desastres naturais.
 

Já o cientista social Élcio Batista destacou que os impactos das mudanças climáticas sobre as moradias também passam pelo planejamento urbano e pela redução das vulnerabilidades sociais, ampliando o papel do Seguro Habitacional dentro de uma estratégia mais ampla de adaptação das cidades.
 

Representando a Gallagher Re Brasil, Nathalia Fonseca mostrou como projeções climáticas e ferramentas analíticas vêm sendo incorporadas aos processos de subscrição, permitindo uma gestão mais eficiente dos riscos e maior capacidade de resposta das seguradoras.
 

Encerrando o encontro, o CEO da i4sea, Mateus de Oliveira Lima, defendeu uma mudança de postura na gestão dos eventos extremos. Para ele, tratar os fenômenos climáticos como situações imprevisíveis já não corresponde à realidade.
 

“Precisamos deixar de enxergar o clima como força maior e passar a trabalhar com informação de qualidade, dados brasileiros e inteligência capaz de apoiar decisões tanto na operação imediata quanto no planejamento de médio e longo prazo”.
 

No encerramento, a vice-presidente da Comissão de Seguro Habitacional da FenSeg, Letícia Doherty, ressaltou que o fortalecimento da resiliência climática dependerá cada vez mais da integração entre seguradoras, resseguradoras, empresas de tecnologia, poder público e comunidade científica.
 

Entre os principais consensos do encontro estiveram a necessidade de ampliar o uso de modelos probabilísticos de alta precisão, fortalecer a cultura do seguro, incorporar o risco climático ao planejamento estratégico das empresas e investir em soluções capazes de aumentar a capacidade de adaptação das cidades e da população frente aos eventos extremos.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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