“Envelhecer é inevitável, mas envelhecer bem é uma escolha”

Por Thais Jorge, diretora da Bradesco Saúde

“A primeira pessoa que viverá até os 150 anos já nasceu.” A frase do pesquisador de Harvard David Sinclair, referência mundial em longevidade, chama atenção para o futuro da medicina e da biotecnologia. Mas, enquanto essa previsão ainda pertence ao campo das possibilidades, o desafio presente é outro: de que adianta viver 100, 120 ou 150 anos sem qualidade de vida, sem mobilidade, autonomia ou equilíbrio emocional?

O Brasil vive um processo acelerado de envelhecimento. Segundo o IBGE, quase 30% da população — mais de 66 milhões de pessoas — terá mais de 60 anos em 2050. O Censo de 2022 registrou quase 38 mil centenários no país, e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aponta que mais de 11 mil deles têm plano de saúde — número crescente para um grupo antes pouco expressivo. Esse cenário nos leva a refletir sobre o cuidado com a saúde e o modo como planejamos o futuro.

Longevidade, afinal, não é apenas sobre viver mais tempo, mas sobre garantir autonomia diante das transformações da vida. Em 2025, o Indicador de Longevidade Pessoal (ILP) ampliou seu alcance e ouviu 4.400 pessoas em todo o país, tornando-se a maior base de dados individuais sobre o tema no Brasil. Com pontuação média nacional de 61 pontos, o estudo, conduzido em parceria com o gerontólogo Alexandre Kalache, analisa seis pilares fundamentais para uma vida longa e plena: atitudes, saúde física, saúde mental, interações sociais e meio ambiente, cuidados de saúde e prevenção, e finanças.

Os resultados mostram avanços importantes, mas também alertas. O interesse pela longevidade cresce com a idade: 84% dos brasileiros consideram o tema prioritário, e 78% afirmam buscar novos conhecimentos e habilidades, especialmente após os 50 anos. Ainda assim, a prática de hábitos saudáveis não acompanha o discurso: embora 74% pratiquem alguma atividade física, apenas 36% mantêm uma rotina regular de quatro dias ou mais por semana.

Na saúde mental, o estudo revela que, entre os mais jovens, 9 em cada 10 brasileiros reconhecem que cuidar da mente impacta diretamente a longevidade, mas a satisfação pessoal e a sensação de bem-estar aumentam apenas com a maturidade. Já nas interações sociais, 70% afirmam que crenças e propósitos dão sentido à vida — um reflexo da importância de vínculos, propósito e equilíbrio emocional.

Outro aspecto essencial é a prevenção. Mesmo com 77% atentos a informações preventivas, 45% ainda procuram atendimento médico apenas diante de sintomas, comportamento que tende a mudar conforme a idade avança.

O pilar financeiro também merece destaque. Mais da metade dos brasileiros (55%) gasta acima da renda, e dois em cada três não possuem reserva para a aposentadoria. A segurança material é um dos principais desafios para sustentar uma longevidade saudável e com autonomia.

Os resultados do ILP 2025 reforçam uma mensagem central: viver mais e melhor é fruto de decisões diárias e conscientes. Cada escolha — da alimentação ao cuidado com a mente, da prevenção ao planejamento financeiro — constrói as bases para uma vida longa, equilibrada e significativa.

Envelhecer é inevitável. Mas envelhecer bem é, sobretudo, um compromisso com o presente e com o futuro que desejamos viver.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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