O desempenho agregado do mercado de seguros brasileiro no ano de 2025 encerrou em queda, pressionado principalmente pelos produtos de acumulação financeira, segundo o Boletim do Desempenho da Arrecadação do Mercado de Seguros — mês-base dezembro de 2025, supervisionado pelo economista Marcio Serôa de Araújo Coriolano, para a Capitolio Consulting.
O estudo, construído com dados oficiais da Superintendência de Seguros Privados (Susep), traz uma análise detalhada da arrecadação e suas variações ao longo de 12 meses móveis — considerada pelo autor a “melhor medida estatística tendencial”.

Segundo o boletim, o total de arrecadação do mercado de seguros, que inclui os segmentos de Danos e Responsabilidades, Pessoas (seguros de vida), VGBL, PGBL e Capitalização, fechou dezembro de 2025 com R$ 38,9 bilhões, um crescimento mensal de 30,4% em relação a novembro, mas ainda queda de 4,8% na comparação anual acumulada em 12 meses móveis, indicador que mostra deterioração contínua desde meados de 2025.
“O encerramento do ano registrou menos 4,8% contra os menos 3,3% observados até novembro”, aponta o boletim, destacando que esta tendência negativa no agregado foi puxada pela queda persistente nos produtos de acumulação financeira, em especial o VGBL, que é historicamente o mais dinâmico do setor.
Impacto do VGBL e tributos
A publicação ressalta que a arrecadação do VGBL continuou marcada pela influência de mudanças tributárias — especialmente o impacto da incidência de IOF sobre aportes acima de determinado patamar — em um momento em que sua captação não foi suficiente para recuperar perdas acumuladas ao longo do ano.
Apesar de um aumento pontual no volume de VGBL e PGBL no mês de dezembro, “este não foi suficiente para recuperar prejuízos acumulados desde junho de 2025”, sendo um dos fatores centrais da queda na arrecadação do mercado integral.
Destaque para o mercado “estrito senso”
O boletim, porém, traz nuances importantes quando a análise exclui produtos de acumulação financeira — ou seja, quando se considera o mercado segurador “estrito senso” (sem VGBL e PGBL). Nesta ótica, os segmentos de Danos e Responsabilidades e seguro de Pessoas apresentaram resiliência e até crescimento consistente.
Conforme o relatório:
- Na base de 12 meses móveis, a arrecadação do segmento “estrito senso” mostrou melhora na tendência, com taxa de 7,6% ao final de dezembro de 2025.
- O segmento de Danos e Responsabilidades — liderado pelo ramo automóvel — cresceu R$ 14,2 bilhões em dezembro, elevando sua participação no setor estrito senso e consolidando desempenho positivo na maioria dos ramos elementares.
- Já os seguros de Pessoas arrecadaram R$ 6,8 bilhões em dezembro, mantendo evolução positiva e destaque em segmentos como vida prestamista e seguro de viagem.
No prefácio técnico, Coriolano explica que o boletim busca não só demonstrar a evolução histórica da arrecadação, mas também projetar o comportamento futuro das receitas com base nas taxas de variação em 12 meses móveis — ferramenta estatística que, segundo ele, oferece maior robustez analítica.
Além disso, o autor ressalta que a segregação dos segmentos dentro da análise — em especial a distinção entre mercado integral e estrito senso — permite compreender como as dinâmicas de produtos financeiros e de proteção pura influenciam de maneira distinta o desempenho geral.
Apesar do recuo global da arrecadação em 2025, o boletim da Capitolio Consulting supervisionado por Marcio Coriolano aponta que os segmentos tradicionais de proteção — quando isolados dos produtos de acumulação — apresentam fundamentos mais sólidos, o que pode sinalizar resiliência em um contexto de ajustes regulatórios e tributários.


















