Susep aprova Eduardo Cruci como diretor técnico da Junto Seguros

Com Marco Legal dos Seguros já em vigor, companhia reforça integração entre risco de crédito e underwriting para sustentar crescimento no seguro garantia em meio ao avanço das concessões e maior exigência regulatória

A aprovação de Eduardo Cruci como diretor técnico da Junto Seguros pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), formalizada nesta semana, consolida a nova configuração das áreas de Risco de Crédito e Underwriting da Junto Seguros em um momento decisivo para o seguro garantia no país — agora sob as regras já vigentes do Marco Legal dos Seguros (Lei 15.040/2024), em vigor desde 11 de dezembro de 2025.

Referência nacional no segmento e pioneira na emissão da primeira apólice de seguro garantia no Brasil, a companhia atravessa uma fase de fortalecimento técnico e expansão em um ambiente regulatório mais exigente. A formalização do executivo ocorre no momento em que o setor combina forte demanda por infraestrutura com novas obrigações legais que impactam diretamente subscrição, provisões e gestão de sinistros.

Com quase 30 anos de experiência em crédito, underwriting e finanças corporativas, Cruci passa a comandar de forma integrada duas áreas-chave para a tomada de risco. O movimento consolida uma operação unificada, com maior robustez técnica e agilidade decisória, especialmente em projetos estruturados de concessões, PPPs e contratos públicos e privados de grande porte — operações que exigem interlocução sofisticada com resseguradores e modelagens financeiras detalhadas.

O pano de fundo é um mercado em expansão. A Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) projeta crescimento de de 13,6% em 2026. Em 2024, as vendas superaram R$ 5 bilhões, e a Junto lidera o ranking da modalidade.

Segundo Cruci, o ciclo de investimentos em infraestrutura — com mais de 560 projetos em desenvolvimento e demanda estimada superior a R$ 750 bilhões — exige estruturas financeiras robustas, com seguros e garantias desenhados de forma integrada à concessão de crédito. “Projetos de longo prazo demandam disciplina técnica na análise e gestão ativa do risco ao longo de todo o contrato”, afirma.

Com o novo marco já em vigor, o impacto operacional é concreto. Em sinistros, o prazo prescricional passa a contar apenas após o aviso formal, ampliando a perenidade do risco e pressionando provisões. A exigência de liquidação em até 120 dias encurta a janela de atuação da seguradora, enquanto a aceitação tácita impõe prazos rígidos mesmo em riscos de alta complexidade e valor bilionário. O resultado é um ambiente que combina maior proteção ao segurado com necessidade de rigor técnico redobrado por parte das seguradoras.

A resposta da Junto foi estrutural. A companhia reforçou o time de sinistros com profissionais mais seniores e ampliou a atuação da área de controle de riscos, que passa a ter papel ainda mais protagonista no pré e no pós-sinistro. A meta é reduzir ambiguidades contratuais, acelerar análises sem comprometer a qualidade técnica e preservar a sustentabilidade da carteira no longo prazo.

Além do ambiente regulatório, o executivo aponta fatores macroeconômicos que exigem cautela: juros elevados comprimindo retornos de projetos, inflação impactando custos de obras, eventos climáticos severos e gargalos na cadeia de fornecedores que afetam cronogramas e margens. “O mercado está mais seletivo. Há oportunidades relevantes em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, mas o cenário exige disciplina e avaliação integrada de crédito e subscrição”, diz.

A formalização da liderança de Cruci ocorre, portanto, em um ponto de inflexão para o seguro garantia: crescimento estrutural da demanda por infraestrutura, maior sofisticação dos contratos e um arcabouço regulatório que eleva o padrão técnico do setor. A aposta da Junto é que a integração entre risco de crédito e underwriting — com visão financeira completa do projeto — será determinante para sustentar a liderança no próximo ciclo de investimentos.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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