Setor de seguros no Brasil enfrenta pressão com tecnologia, clima extremo e nova Lei do Seguro

Por Marco Antônio Gonçalves, diretor-presidente do Fórum Mário Petrelli de Fomento do Mercado de Seguros, Previdência, Capitalização e Resseguros e Presidente do Conselho Consultivo da MAG Seguros.

O mercado de seguros vive um momento ímpar, impulsionado pelo avanço da tecnologia e pelo Open Insurance, que proporciona o compartilhamento de dados entre as instituições do setor. Esse movimento deve estar alinhado ao desenvolvimento de produtos e coberturas que atendam às necessidades da sociedade — pessoas físicas e jurídicas —, cada vez mais expostas a riscos, especialmente, diante das mudanças climáticas.

Nesse contexto, a inteligência artificial destaca-se como uma importante ferramenta de apoio à análise de riscos, à personalização de ofertas e ao atendimento ao cliente na contratação de seguros. Contudo, de forma alguma substitui o ser humano no que diz respeito à ética e ao relacionamento. Muito menos substitui o corretor de seguros, que ocupa uma posição cada vez mais estratégica frente às demandas dos consumidores.

O corretor que assessora o cliente, explica cenários e orienta decisões tende a ser cada vez mais valorizado, atuando como um agente de transformação do mercado ao disseminar a cultura do seguro e tornar os produtos mais claros. Observa-se que o consumidor passou a ver o seguro como parte do planeamento financeiro e patrimonial, e não apenas como resposta a emergências. Soma-se a isso os riscos cada vez mais presentes na sociedade. Eventos climáticos extremos, riscos cibernéticos, instabilidades econômicas e riscos patrimoniais reforçam o papel do seguro como instrumento de proteção coletiva e de estabilidade social.

No âmbito das mudanças climáticas, espera-se que haja avanços no Seguro Social de Catástrofe para residências, com o objetivo de indenizar de forma rápida e emergencial as populações mais vulneráveis no caso de ocorrência de eventos extremos. No Brasil, uma parcela muito pequena das perdas provocadas por eventos climáticos está coberta pelo mercado de seguros, o que evidencia uma lacuna significativa justamente para quem mais precisa.

Espera-se também uma solução para o substituto do DPVAT. Havia uma grande expectativa quanto à entrada em vigor, em 2025, do novo Seguro Obrigatório para Proteção de Vítimas de Acidentes de Trânsito (SPVAT), o que não se concretizou. Além de milhares de vítimas e familiares que ficaram desassistidas com o fim do seguro obrigatório. A ausência desse seguro social sobrecarrega o INSS e o SUS, em razão das despesas decorrentes dos acidentes de trânsito.

Neste ano, acompanharemos os avanços da nova Lei do Seguro no campo regulatório. Em vigor desde dezembro do ano passado, a expectativa é de que essa legislação passe a produzir efeitos mais positivos no dia a dia das operações. Contratos, processos, comunicação e relacionamento com o segurado deverão refletir, na prática, os princípios de transparência e equilíbrio exigidos pela lei e já assimilados pelo mercado, o que exigirá atenção redobrada e ajustes contínuos.

Da nossa parte, nós, do Fórum Mário Petrelli de Fomento do Mercado de Seguros, Previdência, Capitalização e Resseguros, continuaremos atentos a todos os movimentos do setor, participando ativamente do seu desenvolvimento, por meio dos nossos grupos de trabalho, contribuindo e propondo soluções em prol de uma sociedade mais protegida.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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