com agências internacionais
A Lemonade, insurtech reconhecida por sua atuação inovadora, anunciou o Autonomous Car Insurance, um novo seguro automotivo voltado a veículos Tesla equipados com a tecnologia Full Self-Driving (FSD). Trata-se de uma das primeiras apólices cujo preço varia de acordo com quem está efetivamente conduzindo o carro: o software ou o motorista humano.
Sempre que o FSD estiver ativo durante a condução, a Lemonade afirma que o valor do seguro pode ser reduzido em cerca de 50% para os quilômetros percorridos nesse modo. Para isso, a seguradora utiliza dados de telemetria compartilhados por meio de uma colaboração técnica com a Tesla, capazes de identificar quando o sistema de condução assistida está ligado e, assim, ajustar o risco — e o preço — de forma proporcional.
Com esse acordo, a Lemonade passa a ter acesso a informações detalhadas do veículo às quais, em geral, as seguradoras não têm acesso. Isso permite diferenciar com precisão os quilômetros rodados sob condução autônoma daqueles conduzidos por humanos, um avanço relevante para modelos de precificação baseados em risco real.

A iniciativa representa, sem dúvida, um voto de confiança da seguradora na tecnologia de condução da Tesla. Ainda assim, é importante notar que, do ponto de vista legal, o FSD permanece classificado como um sistema que exige supervisão constante do condutor.
Por que a Lemonade decidiu reduzir os preços
Segundo o Relatório de Segurança de Veículos Autônomos da própria Tesla, quando o sistema FSD de assistência ao motorista está ativado, a taxa de colisões — tanto graves quanto leves — fica abaixo da média registrada nos Estados Unidos.
O documento também aponta que o FSD apresenta desempenho de segurança superior quando comparado a um Tesla operando apenas com o Autopilot básico ou sem qualquer sistema ativo de assistência ao condutor. De acordo com a montadora, o uso do FSD reduz para um sétimo o número de colisões graves ou leves e para um quinto as colisões fora de rodovias.
Ainda conforme as estatísticas divulgadas pela Tesla, a probabilidade de uma colisão grave ocorre a cada cinco milhões de milhas percorridas com o FSD ativado, enquanto a média norte-americana é de uma colisão grave a cada 699 mil milhas, considerando todos os veículos, elétricos ou convencionais.
Esses números, contudo, são alvo de questionamentos. Autoridades regulatórias dos Estados Unidos seguem investigando acidentes ocorridos enquanto sistemas de assistência ao condutor da Tesla estavam em funcionamento.
Às vésperas do Cybercab
O lançamento do novo seguro ocorre em um momento estratégico para a Tesla, que planeja iniciar entre 2026 e 2027 a produção de um veículo elétrico projetado para condução totalmente autônoma. O modelo, batizado de Cybercab, não terá volante nem pedais.
O Cybercab é a grande aposta da Tesla para um serviço de robotáxi — um táxi autônomo, sem condutor humano. Projetado desde o início sem controles manuais, o veículo terá capacidade para dois passageiros e deverá ser operado exclusivamente por software, reforçando o debate sobre novos modelos de risco, responsabilidade e seguro no setor automotivo.


















