Sany Silveira, CEO da CNP: liderança que conecta pessoas, propósito e estratégia no setor de seguros

CEO da CNP Seguros Holding Brasil, executiva construiu sua trajetória de forma orgânica e defende uma liderança baseada em comunicação, dados e legitimidade feminina nos espaços de decisão

Chegar ao cargo de CEO em um setor historicamente masculino como o de seguros representa, para Sany Silveira, muito mais do que uma conquista profissional. É a materialização de uma trajetória construída com consistência, paixão e envolvimento genuíno com o negócio. À frente da CNP Seguros Holding Brasil, a executiva vê sua chegada ao topo como uma experiência de completude, em que o percurso faz sentido não por ter sido rigidamente planejado, mas por ter sido guiado por escolhas alinhadas ao propósito e ao prazer de realizar bem o trabalho.

Ao longo da carreira, Sany não desenhou um roteiro tradicional de ascensão. O que sempre a moveu foi o interesse profundo pelos temas sob sua responsabilidade, especialmente marketing e estratégia, áreas que a conectaram diretamente aos desafios das organizações por onde passou. O resultado foi um crescimento natural, orgânico, que hoje se traduz em uma liderança madura, mais ligada à realização do que à vaidade. Para ela, é impossível separar completamente o profissional do pessoal: ocupar a posição de CEO carrega um significado existencial, de coerência entre escolhas, valores e impacto gerado.

Essa visão se reflete de forma clara em seu estilo de liderança. A comunicação e o relacionamento com as pessoas ocupam um papel central, não apenas como ferramentas, mas como essência do ato de liderar. Sany associa essas competências à sua experiência como mulher e à capacidade feminina de leitura de ambiente, escuta ativa e construção de conexões. Liderar, em sua visão, é mobilizar pessoas em torno de uma direção comum, criar engajamento e senso de pertencimento — algo que só se sustenta com clareza, diálogo e confiança. Sua formação em Comunicação Social, somada à trajetória em marketing e estratégia, moldou um repertório que segue vivo e determinante em sua atuação como CEO.

Apesar dos avanços recentes na agenda de diversidade, Sany é direta ao apontar que as barreiras para mulheres em posições de alta liderança ainda são reais e estruturais. O funil se estreita de forma significativa à medida que se avança para conselhos de administração, cargos de N1 e posições de C-level. Embora a presença feminina seja expressiva nos níveis intermediários, ela se dilui justamente nos espaços de maior poder e influência. Um dos principais entraves, segundo a executiva, é a percepção de competência: enquanto homens frequentemente carregam uma presunção automática de capacidade, mulheres ainda precisam provar, reiteradamente, que estão à altura das posições que ocupam.

No setor de seguros, esse desafio ganha contornos ainda mais complexos. Trata-se de uma indústria tradicional, fortemente associada ao sistema financeiro e a disciplinas como estatística, finanças e gestão de risco — áreas que, por muito tempo, foram equivocadamente vistas como menos acessíveis às mulheres. Para acelerar a mudança, Sany defende transformações culturais profundas, com critérios mais objetivos de avaliação, ampliação efetiva da presença feminina nos espaços de decisão e, sobretudo, ambientes em que as mulheres tenham legitimidade de fala e influência real nas estratégias.

Olhando para 2026, Sany enxerga um setor de seguros atravessado por desafios simultâneos e interconectados. A complexidade regulatória crescente e a pressão por rentabilidade exigem modelos de gestão mais disciplinados, eficientes e orientados por dados. A transformação digital deixa de ser apenas uma agenda de inovação e se consolida como eixo estrutural do negócio, com o uso intensivo de dados avançados, automação e inteligência artificial generativa. Essas tecnologias passam a ser decisivas para personalização de produtos, eficiência operacional, gestão de riscos e experiência do cliente.

Ao mesmo tempo, a intensificação dos riscos climáticos impacta diretamente o core do setor, exigindo maior sofisticação em modelagem, precificação e gestão de riscos, além de uma integração cada vez mais estreita com agendas de sustentabilidade e responsabilidade corporativa. Nesse contexto, a CNP Assurances e suas subsidiárias vêm se preparando com uma estratégia que combina solidez técnica, investimento consistente em tecnologia, uso inteligente de dados e desenvolvimento contínuo de pessoas. O objetivo é fortalecer a capacidade analítica da companhia, acelerar a transformação digital e operar com excelência em um ambiente mais complexo, sem perder de vista o cliente e o propósito do negócio.

Para as mulheres que almejam posições executivas, especialmente na indústria de seguros, Sany destaca competências que se tornarão cada vez mais determinantes. A primeira é a capacidade de tomar decisões baseadas em dados, utilizando informações e ferramentas analíticas de forma estratégica. A segunda é a habilidade de atuar de forma colaborativa, em ecossistemas cada vez mais integrados, rompendo silos e construindo soluções de maneira transversal. A terceira é a gestão de pessoas — um desafio crescente em um cenário marcado por novas gerações, retenção de talentos e diversidade de perfis. Liderar, para ela, exige gostar de gente, compreender diferenças e saber extrair o melhor de cada indivíduo.

Ao refletir sobre sua própria trajetória, Sany reconhece que teria desejado ouvir, no início da carreira, a importância do equilíbrio entre vida pessoal e profissional. A pressão constante para provar valor, especialmente sobre as mulheres, muitas vezes leva a um nível excessivo de sacrifício. Sua caminhada foi intensa e apaixonante, mas poderia ter sido mais leve. Hoje, seu desafio pessoal é justamente buscar essa leveza, sem abrir mão da excelência — uma mensagem que ecoa como um convite às próximas gerações de líderes femininas no setor de seguros.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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