Brasileiro quer envelhecer bem, mas precisa transformar informação em hábito, mostra pesquisa da Bradesco Seguros

O Grupo Bradesco Seguros divulgou a nova edição do Indicador de Longevidade Pessoal (ILP), levantamento realizado pela Edelman, com metodologia desenvolvida em parceria com o Instituto Locomotiva e o gerontólogo Alexandre Kalache. Criado em 2024, o ILP é uma ferramenta inédita que analisa 31 variáveis distribuídas em seis pilares — saúde física, saúde mental, saúde social, saúde ambiental, prevenção e finanças — e oferece um retrato abrangente de como o brasileiro percebe e se prepara para viver mais e melhor.

A rodada de 2025 ouviu 4.400 pessoas de todas as regiões do país, tornando-se a maior base de dados individuais sobre longevidade no Brasil. O estudo registrou uma pontuação média nacional de 61 pontos, o que indica um bom nível de consciência sobre o tema, mas revela desafios importantes na prática cotidiana do envelhecer com qualidade.

“O alto nível de interesse pelo tema mostra que estamos diante de uma sociedade cada vez mais consciente e engajada com a ideia de envelhecer bem. Sabemos que longevidade vai muito além da genética – depende, sobretudo, das escolhas que fazemos ao longo da vida”, afirma Alexandre Nogueira, diretor de Marketing do Grupo Bradesco Seguros.

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De acordo com o estudo, 84% dos brasileiros consideram a longevidade uma prioridade, e 78% buscam frequentemente novas habilidades e conhecimentos — índice que sobe para 85% entre os que têm mais de 50 anos. Apesar disso, apenas 36% mantêm uma rotina regular de exercícios físicos de quatro dias ou mais por semana, e 45% só procuram atendimento médico diante de sintomas, revelando um comportamento ainda reativo em relação à prevenção.

O pilar de saúde mental alcançou 56 pontos, um dos mais baixos do indicador, mostrando que o equilíbrio emocional é um desafio sobretudo entre os mais jovens. Em contraste, o grupo 50+ demonstra maior satisfação pessoal e reconhecimento da importância de cuidar da mente: 98% afirmam que a saúde emocional contribui diretamente para a longevidade. “A longevidade é um processo multifatorial, que envolve o equilíbrio físico, mental, social e ambiental. A rodada do ILP de 2025 demonstrou que, apesar do interesse pelo tema, o principal desafio está em transformar informação em hábito, integrando prevenção, propósito e planejamento financeiro desde a juventude”, completa Nogueira.

O pilar financeiro apresentou a menor pontuação média do estudo, com 47 pontos. Mais da metade da população (55%) gasta acima da renda, e dois em cada três brasileiros não possuem reserva para a aposentadoria. Mesmo entre os que têm mais de 50 anos, apenas 41% mantêm algum tipo de fundo previdenciário. Esses resultados evidenciam a dificuldade do brasileiro em conectar o planejamento financeiro ao projeto de uma vida longa e estável. “Identificar avanços e reconhecer lacunas é fundamental para orientar ações consistentes em favor de um envelhecimento saudável e ativo”, diz o executivo.

O levantamento também traz nuances importantes sobre a percepção de bem-estar e autoestima entre os brasileiros. Apenas quatro em cada dez pessoas afirmam sentir-se plenamente bem consigo mesmas – um índice ainda menor entre as mulheres (39%), em comparação aos homens (46%). A satisfação pessoal, no entanto, tende a crescer com a idade: entre os participantes com 50 anos ou mais, 56% dizem estar bastante ou extremamente satisfeitos com quem são, enquanto entre os jovens de 18 a 29 anos esse número cai para 36%. Quando o assunto são os laços sociais, o cenário é mais positivo: 58% dos entrevistados declaram estar satisfeitos com seus relacionamentos pessoais, incluindo amigos, familiares, colegas e conhecidos.

O levantamento também destacou diferenças expressivas entre os estados. São Paulo (64 pontos) e Rio de Janeiro (63 pontos) superaram a média nacional, impulsionados pelos bons índices em saúde física e prevenção — 81% dos paulistas buscam informações sobre exames preventivos e 73% mantêm rotina de exercícios. No outro extremo, o Paraná (59 pontos) apresentou os menores índices, especialmente nos pilares de saúde mental e finanças pessoais.

Para o Grupo Bradesco Seguros, o ILP é mais do que uma pesquisa: é um instrumento de mobilização social. Ao medir comportamentos e percepções, o indicador busca estimular o planejamento da longevidade como prática coletiva — começando pela educação das gerações mais jovens. “Embora o ILP seja, por definição, um indicador pessoal, sua aplicação em larga escala oferece uma visão valiosa sobre como estamos, enquanto sociedade, lidando com os desafios e oportunidades de viver mais e melhor”, conclui Nogueira.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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