Bradesco Seguros lidera ranking das maiores seguradoras da América Latina em 2024

Mapfre mantém a dianteira em ramos patrimoniais e Brasilprev confirma hegemonia em Vida e Previdência, aponta estudo da Fundación Mapfre

O setor de seguros na América Latina registrou crescimento moderado em 2024, refletindo um ambiente macroeconômico desafiador e variações cambiais significativas. O faturamento da região foi de US$ 215,13 bilhões em prêmios no ano passado, um aumento de 5,8% em relação ao ano de 2023. Segundo o Ranking de Grupos Aseguradores en América Latina 2024, elaborado pela Mapfre Economics e divulgado nesta quinta-feira (25) pela Fundación Mapfre, as 25 maiores seguradoras da região movimentaram US$ 134,8 bilhões em prêmios, alta de 6,4% em relação a 2023.

O crescimento da região foi impulsionado principalmente pela expansão dos mercados de México (+12,8%), República Dominicana (+10,6%), Brasil (+4,6%) e Chile. O Brasil, em particular, continua como um player dominante, respondendo por cerca de um terço do total regional, mesmo com a desaceleração em seu crescimento. O ramo de vida foi o que mais cresceu na região, com um aumento de 8,7% nos prêmios, alcançando 93,4 bilhões de dólares. Já o segmento de Não Vida cresceu 3,7%, movimentando 121,6 bilhões de dólares. 

O relatório também destaca uma tendência de desconcentração da indústria no médio prazo, o que aponta para um aumento da concorrência. Esse ambiente competitivo é visto como um fator saudável que estimula o crescimento e o desenvolvimento contínuo do setor na América Latina.

O Brasil segue como o maior mercado da região, com US$ 71,6 bilhões em prêmios (crescimento de 4,6%), o que representa cerca de um terço do total latino-americano. Apesar da expansão, a participação brasileira caiu ligeiramente, devido ao dinamismo observado em outros países, como México e Colômbia.

No ranking geral, a Bradesco Seguros consolidou sua posição como a maior seguradora da América Latina, com US$ 11,9 bilhões em prêmios e 5,5% de participação. O resultado foi impulsionado, em especial, pelo bom desempenho da linha de Vida, em destaque os produtos VGBL. “Os resultados do Grupo Bradesco Seguros em 2024 reforçam a nossa convicção quanto à continuidade da estratégia que tem mantido a companhia na liderança do mercado de seguros brasileiro, com evolução consistente tanto do faturamento, quanto do lucro líquido. Mais importante do que os números, no entanto, é o fato de que essa evolução tem sido alicerçada principalmente no nosso desempenho operacional, na ampliação da oferta de produtos e na performance dos resultados financeiro e comercial, o que demonstra a força e a sustentabilidade da companhia, exercício após exercício”, comentou Ivan Gontijo, presidente do grupo Bradesco Seguros.

Logo atrás aparecem a Mapfre, que subiu uma posição e alcançou US$ 10,9 bilhões (5,1% de market share), e a Brasilprev, com US$ 10,4 bilhões (4,8%). Na sequência estão Zurich (US$ 10,1 bilhões) e MetLife (US$ 7,2 bilhões), completando o top 5.

Screenshot

Em ramos patrimoniais (Não Vida), a Mapfre manteve a liderança com US$ 7,3 bilhões em prêmios e 6% de participação, mesmo após uma queda de 3,1% frente ao ano anterior. O grupo espanhol aparece seguido pela alemã Talanx (HDI), com US$ 4,9 bilhões, e pela Zurich, com US$ 4,4 bilhões.

O desempenho da Mapfre nesse segmento reflete seu modelo de negócios diversificado, capaz de equilibrar variações em mercados locais e manter posição de liderança em uma região marcada pela concorrência acirrada.

Screenshot

No segmento de Vida e Previdência, a liderança permanece com a Brasilprev, que somou US$ 10,4 bilhões em prêmios e 11,1% de market share. Na segunda posição está a Bradesco Seguros, com US$ 9,9 bilhões (10,6%), seguida pela francesa CNP Assurances, com US$ 5,6 bilhões (6,1%).

Apesar da liderança, a Brasilprev apresentou retração de 4,8% em relação a 2023, reflexo da desaceleração do mercado local. Já Bradesco cresceu quase US$ 1 bilhão no segmento de Vida, fortalecendo sua posição competitiva. Zurich e MetLife completam o top 5, ambas com forte presença no México e em outros mercados relevantes.

O estudo também indica uma redução gradual da concentração de mercado na última década. O índice Herfindahl do setor caiu para 197,5 em 2024, contra 269,3 em 2014, confirmando maior pulverização da indústria. Enquanto o ramo de Não Vida segue fragmentado e competitivo, o ramo de Vida, historicamente mais concentrado, também mostra sinais de desconcentração desde 2017.

Segundo a Mapfre Economics, a tendência para os próximos anos é de um mercado ainda mais competitivo, impulsionado pelo avanço de grupos internacionais, pelo fortalecimento de players regionais e pela digitalização da distribuição, que já atrai novos entrantes.

Screenshot

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Ouça nosso podcast

ARTIGOS RELACIONADOS