Investimentos globais em InsurTech somam US$ 60,8 bilhões desde 2012, aponta relatório da Gallagher Re

por Reinsurance News

Segundo novo relatório da corretora de resseguros Gallagher Re, as startups de tecnologia para seguros (InsurTechs) já captaram e investiram cerca de US$ 60,8 bilhões desde 2012, ano em que a consultoria passou a acompanhar o setor. Desse total, aproximadamente 25% foram direcionados para empresas focadas em inteligência artificial (IA).

Andrew Johnston, autor do relatório e chefe global de InsurTech da Gallagher Re, destacou que embora US$ 60 bilhões represente um volume significativo de capital, esse valor é modesto diante dos investimentos aplicados em IA de forma mais ampla. “Nossa indústria está, sem dúvida, comprometida com a inteligência artificial, mas deveria intensificar esse foco. É responsabilidade das InsurTechs, das empresas de IA e do nosso setor apresentar os melhores casos de uso dessa tecnologia, se quisermos continuar relevantes para a sociedade que protegemos”, afirmou. Ele também alertou que ainda há certo ceticismo sobre o real impacto da IA nos seguros e resseguros, mas reforçou que se trata de uma tecnologia de geração única que não pode ser ignorada.

O relatório mostra que o setor levou cinco anos para arrecadar os primeiros US$ 10 bilhões, mas alcançou os US$ 20 bilhões apenas dois anos depois. Em 2021, auge dos investimentos, o total chegou a US$ 40 bilhões. Entre 2021 e 2022, mais US$ 10 bilhões foram injetados no setor, porém os últimos US$ 10 bilhões levaram cerca de três anos e meio para serem atingidos, refletindo um período de maior conservadorismo no mercado.

No segundo trimestre de 2025, os investimentos globais em InsurTech caíram 16,7% na comparação trimestral, totalizando US$ 1,09 bilhão. As InsurTechs de ramos patrimoniais e de responsabilidade (P&C) captaram US$ 362,22 milhões — o menor volume desde o primeiro trimestre de 2018. Por outro lado, as startups focadas em vida e saúde quase triplicaram o volume captado, atingindo US$ 728,47 milhões no período.

Freddie Scarratt, vice-chefe global de InsurTech da Gallagher Re, afirmou que a adoção da IA será um diferencial competitivo determinante para resseguradoras de P&C nos próximos anos. “Aquelas que souberem integrá-la de forma eficiente aos processos centrais — da precificação e subscrição à regulação de sinistros e alocação de capital — sairão na frente em um mercado desafiador”, disse.

Para ele, à medida que o setor evolui para lidar com o aumento do risco de catástrofes, o uso da IA também contribuirá para tornar o mercado mais estável e resiliente, capaz de proteger comunidades e economias em tempos de adversidade. “A jornada rumo à IA não é apenas uma questão de adoção tecnológica, mas de transformação do futuro da transferência de riscos”, concluiu.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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