Estudo da Zurich propõe roteiro para governos, seguradoras e comunidades enfrentarem catástrofes climáticas

Relatório alerta que apenas 38% das perdas globais por eventos extremos foram seguradas em 2023 e recomenda ações conjuntas para fortalecer a resiliência

Um novo estudo do Zurich Insurance Group (Zurich) apresenta um roteiro de colaboração entre governos, seguradoras e comunidades para enfrentar os desafios crescentes impostos pelo clima extremo e pelas catástrofes naturais.

Segundo o levantamento, as perdas econômicas globais geradas por eventos como tornados, furacões, enchentes e incêndios florestais somaram cerca de US$ 2 trilhões na última década (2014–2023). A frequência e a intensidade desses desastres vêm aumentando, pressionando não apenas ecossistemas e infraestrutura, mas também a capacidade de resposta financeira das sociedades.

Somente em 2023, as seguradoras desembolsaram US$ 108 bilhões em sinistros relacionados a catástrofes naturais. Ainda assim, apenas 38% das perdas globais estavam cobertas por seguros, deixando cerca de US$ 174 bilhões não segurados. Esse cenário evidencia tanto a importância quanto os limites do setor segurador diante de riscos crescentes.

O estudo destaca que, se as perdas seguradas continuarem crescendo mais rapidamente do que o PIB global — como ocorre desde 1994 —, os prêmios precisarão ser ajustados para refletir os riscos adicionais, o que pode comprometer a acessibilidade das apólices e, por consequência, a capacidade de proteção das sociedades.

Para evitar o aumento dessa lacuna e reduzir os danos socioeconômicos de longo prazo, a Zurich recomenda três frentes prioritárias de ação:

Investimento em prevenção e redução de riscos

O relatório ressalta que investir em resiliência climática é essencial, mas requer governança robusta e colaboração entre especialistas. Recomenda-se que governos incorporem o tema nos planos nacionais, criem centros de competência para reunir dados e conhecimentos técnicos e aproveitem ferramentas tecnológicas para melhorar o mapeamento de riscos.

O setor de seguros, com sua capacidade de modelagem avançada e gestão de riscos, pode ser um aliado fundamental para orientar comunidades e empresas a adotarem práticas mais resilientes.

Aumento da acessibilidade, da transparência e da sustentabilidade no mercado de seguros

Embora o seguro desempenhe papel central na proteção financeira, ele precisa evoluir para lidar com os novos desafios. À medida que a severidade e a frequência dos eventos aumentam, os custos de cobertura sobem, elevando o risco de subseguro ou ausência total de proteção.

O estudo recomenda que governos incentivem empresas e famílias a contratar seguros adequados; criem ambientes regulatórios que estimulem a concorrência e a inovação; evitem intervenções excessivas nos preços, permitindo a precificação baseada em risco, prática que direciona recursos para áreas menos vulneráveis e mais sustentáveis.

Criação de soluções colaborativas de compartilhamento de riscos

Os custos para enfrentar riscos climáticos frequentemente ultrapassam a capacidade orçamentária dos governos. O relatório propõe modelos inovadores de financiamento e parcerias público-privadas (PPPs), como uso de blended finance (combinação de recursos públicos e privados) para aumentar investimentos em prevenção e resiliência; criação de consórcios e pools de (res)seguros para distribuir riscos e reduzir custos, especialmente em regiões mais expostas. Nesse modelo, os mercados privados precificam os riscos, enquanto os governos ajudam a redistribuir perdas, tornando as apólices mais acessíveis.

Uma corrida contra o tempo

O estudo da Zurich conclui que os custos crescentes das catástrofes naturais exigem resposta urgente e coordenada entre governos, seguradoras, empresas e comunidades. Apenas uma abordagem integrada — combinando investimentos, fortalecimento do mercado de seguros e soluções colaborativas — poderá construir a resiliência social e econômica necessária para enfrentar os impactos das mudanças climáticas.

Tomar essas medidas agora, reforça o relatório, é essencial para garantir que as sociedades estejam preparadas para lidar com as ameaças climáticas cada vez mais intensas que se aproximam.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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