The Town, maior festival de música de São Paulo, exige um programa complexo de riscos e seguros

A eventSEG, corretora de seguros oficial do The Town, acompanha desde possíveis rajadas de ventos até a saúde dos artistas

Vai ao The Town? Saiba que nos bastidores da Cidade da Música montada no autódromo de Interlagos tem um grupo de gestores de riscos que trabalha dia e noite para garantir uma experiência inesquecível para as mais de 500 mil pessoas estimadas para se divertirem nos cinco dias – 2, 3, 7.9 e 10 de setembro – no maior festival de São Paulo. A eventSEG, corretora de seguros oficial do The Town, acompanha desde possíveis rajadas de ventos até a saúde das estrelas como Bruno Mars, Post Malone, Foo Fighters, Luísa Sonza, Alok, Ludmilla, Iza e muito mais. 

Atuando com eventos há quase duas décadas, Bruno Amorim, sócio da eventSEG, conta que cada evento tem suas particularidades e exige um seguro sob medida. “A maioria dos promotores e organizadores já tem a cultura de contratação de seguros. Muitos trazem a experiência do exterior para os eventos no Brasil, que se sofisticam cada dia mais para proporcionar experiencias incríveis para os brasileiros”, comenta Amorim, que também é responsável pela gestão de Riscos e Seguros de eventos como o Rock in Rio, Lollapalooza, Tomorrowland, Primavera Sound, Réveillon de Copacabana, Rio Open, Cirque du Soleil e Desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, entre outros.

A demanda por coberturas vai desde a responsabilidade civil em caso de prejuízos a terceiros até eventuais cancelamentos ou interrupções dos festivais em decorrência de condições climáticas, por exemplo. “Nosso trabalho é proteger toda a cadeia ligada ao evento, do organizador ao público, englobando também os prestadores, fornecedores e patrocinadores com um processo de gerenciamento de riscos que acompanha desde as condições meteorológicas até o registro de eventuais ocorrências e um programa de seguros que garanta indenizações em decorrência de eventuais incidentes. E mesmo que algo ocorra, existe um plano de contingência focado em dar continuidade ao festival.”

Sem revelar as seguradoras, resseguradoras e os valores contratados por uma questão de confidencialidade de contrato, o executivo conta que o programa de seguros tem uma apólice de responsabilidade civil para cobrir prejuízos à terceiros em decorrência de acidentes em todas as etapas do evento, desde a montagem até a desmontagem, cobrindo também questões ligadas ao fornecimento de alimentos e bebidas, por exemplo, e uma apólice de contingência, que garante os prejuízos da organização em situações de cancelamento do evento, não comparecimento de um artista ou problemas climáticos, como fortes chuvas que impeçam a realização na data prevista. 

Um evento deste porte idealizado por Roberto Medina requer que a seguradora compartilhe o risco assumido com um grupo de resseguradores, responsável pelo maior percentual dos contratos. Quanto maior o detalhamento e a qualidade das informações disponibilizadas pelo corretor local, melhores as condições dos contratos, como customização de coberturas, limites, taxas e franquias. “Somos especializados nesse segmento e oferecemos um escopo de serviços que não se limita apenas ao seguro. E o resultado disso é que hoje somos os responsáveis pelos programas de riscos e seguros das principais empresas do segmento e dos principais eventos do país. Atualmente, emitimos mais de 400 apólices por mês, considerando desde pequenos eventos até grandes festivais como o The Town”. 

A corretora participa de boa parte dos contratos do evento para poder detectar riscos e desenhar um programa de seguros que garanta ao organizador entregar um festival com segurança ao público. Os seguros são contratados não apenas pelos organizadores, mas também pelas empresas participantes e pelos patrocinadores. O período de montagem da estrutura, movimentação de multidões durante o evento e as condições climáticas são os pontos de maior atenção do seguro. 

“As condições climáticas constituem um ponto de risco importante, por isso desenvolvemos em conjunto com a Tempo Ok um protocolo de acompanhamento meteorológico com estudo histórico que leva em consideração as condições e ocorrências no local nos dos últimos 20 anos. Interlagos, por exemplo, é um dos locais de São Paulo com maior incidência de raios. Por isso, temos para esse evento, um protocolo específico, com monitoramento em tempo real desde o início da montagem e envio de alertas à toda equipe de produção e operação”, conta Amorim.

Na semana passada, por exemplo, os trabalhos em altura foram interrompidos algumas vezes diante dos alertas de raios e ventos. “Durante todo o evento, teremos no CCO (Centro de Controle de Operações) uma equipe de meteorologistas da Tempo Ok acompanhando as condições de vento, raios e chuvas e caso tenhamos situações de risco, emitimos os alertas para as ações necessárias, como paralisação da Roda Gigante em decorrência de ventos muitos fortes, por exemplo. Importante mencionar que esses parâmetros já foram previamente definidos com base em normas internacionais e constam no Plano de Operação do evento, visando sempre a segurança das pessoas. E assim, tudo segue dentro dos prazos e padrões de segurança que um evento deste porte exige”, conta ele diretamente do centro de controle montado no The Town. 

Ajudar que tudo aconteça no tempo certo é um desafio e tanto. “Foi construída uma cidade em Interlagos, com 360 mil m² de área dentro de um autódromo, com cinco palcos e banheiros ligados a rede de esgoto. Nada de banheiros químicos. Isso exige muito planejamento para entregar ao público tranquilidade ao se movimentar e poder usufruir de uma infraestrutura segura e fluída”, comenta Amorim. O palco Skyline, que receberá os artistas internacionais, traz pontos turísticos da cidade, como o Sesc Pompeia, o arranha-céu da Marginal Pinheiros conhecido como Robocop, a Oca do Ibirapuera, o Edifício Matarazzo, onde fica a prefeitura, o Hotel Unique entre outros endereços paulistanos.

O seguro de eventos conta com dezenas de coberturas. Em caso de cancelamento do show, as negociações de seguros têm diversas possibilidades, dependendo das exigências de cada artista. O corretor leva em conta se o evento é com um único astro, o que seria uma perda relevante. Em um festival, a perda seria menor, uma vez que o show segue com a troca de artistas. 

Quem não se lembra da frustração do público com o anúncio de Lady Gaga, que cancelou sua participação no Rock in Rio em 2017 devido a fortes dores causadas pela fibromialgia, substituída por Maroon 5. Outro ponto importante é se o contrato com o artista prevê devolução de cachês em caso de doença ou de desistência. No caso de cancelamento do evento, o organizador deve reembolsar os clientes, sob a luz do Código de Defesa do Consumidor. 

Dos prestadores de serviços são exigidos contratos de seguros para danos causados, como uma comida estragada, por exemplo. A estimativa é que sejam servidas 17 toneladas de alimentos, em 80 mil porções na praça de alimentação, com curadoria do chef Alex Atala, junto à empresa de alimentação Sapore. Entre as opções, dadinho de tapioca, pizza de calabresa, diversos sabores de pastéis, nhoque com ragu de linguiça, yakissobas, pizzas, bolinhos de costela. Ao todo, serão 32 receitas.

Outro risco é o da transmissão do evento. A Globo informou que vendeu as cinco cotas de patrocínio e arrecadou R$ 141 milhões pela transmissão do The Town. Para garantir que Itaú, Heineken, Nestlé, Volkswagen e Eno tenham a visualização contratada, há um seguro que pode ser exigido pela rede televisiva da empresa responsável pelo sinal da transmissão.

As atrações, como a roda gigante, a montanha russa e a tirolesa, além de diversas ativações de marcas têm um ponto extra de atenção, principalmente com a previsão de pancadas de chuvas previstas para três dos cinco dias. “Um dos principais riscos administrados é o de tumulto”, ressalta. São mais de 220 experiências proporcionadas pelas empresas dentro da Cidade de Música e algumas que vão ultrapassar os limites físicos do festival, impactando fãs em todo o país.

O festival conta com a Heineken® como patrocinadora master. A seguradora Porto está presente, com o slogan “Todo Cuidado é Porto”. “Queremos estar conectados com as pessoas durante o festival, com todo o cuidado necessário para ajudar a criar uma experiência fantástica para o público. Voltamos nossa atenção para o que pode fazer a diferença durante um evento deste porte, seja uma tomada para carregar a bateria ou um lugar para descansar, da forma que só a Porto é capaz de fazer. São aguardadas 100 mil pessoas por dia de evento. Com certeza, será histórico”, adianta Luiz Arruda, VP de Marketing, Clientes e Dados da Porto.

Além da Porto, Itaú, iFood, Vivo, Riachuelo, KITKAT, Seara, Coca-Cola e Volkswagen são as patrocinadoras. Já os apoiadores são: Movida, Estácio, LATAM, Braskem, Trident, Johnnie Walker, Gerdau, Chilli Beans, Cup Noodles, Via Mobilidade, BeFly Travel, Colgate, Club Social, 3 Corações, McDonald’s, Neoenergia, Sephora e Warner, Hellman’s Red Bull, Acoor Fenômenos entre o público, o TikTok é o parceiro de conteúdo e o Spotify é o player de música oficial.

Já furtos de celulares, como aconteceu recentemente no arrastão no show de Alok na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, não contam com cobertura. 

Afinal, o show não pode parar.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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